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Sonhar: aprendizado humano

3 comentários
25jul

“Se não sonhamos os nossos sonhos, apenas faremos parte dos sonhos de outras pessoas”

walther1

Por Marcus Tavares

Você já parou para pensar sobre o incrível exercício humano que é o ato de sonhar? Alguém já lhe ensinou como se sonha? De que forma a mídia interfere no seu sonho? Sonhar é um processo socialmente coletivo? Qual a relação entre sonho e memória? As respostas destas e de outras perguntas fazem parte da entrevista desta semana da revistapontocom.

Para o arquiteto do aprendizado e designer de programas de treinamentos comportamentais, Walther Hermann Kerth, o ato de sonhar está ligado à capacidade de fantasiar o futuro. O fato é que, atualmente, o nosso presente é permeado por uma das culturas mais fantasiosas da humanidade. “Somos convidados a compartilhar um sonho coletivo, seja nos apelos de consumo ou nas marés da opinião pública. Toda nossa noção de realidade é instável e sujeita ao grande sonho coletivo do que é certo e do que é errado, sem qualquer relação com aquilo que possamos chamar de verdade”, destaca.

Escritor e mantenedor da comunidade de sites do Instituto do Desenvolvimento do Potencial Humano, Walther acredita que o sonho é muito mais poderoso do que se pensa. O sonho traz consigo a possibilidade de transformar o mundo em algo melhor. “Nesta direção, penso apenas que alguns insumos ainda estejam faltando. É preciso incluir amor, respeito e valores humanistas, além de menos pressa, ambição e egoísmo”.

Acompanhe:

revistapontocom – O que é sonhar?
Walther Hermann Kerth
– Sonhar é um processo de visualização espontâneo que parece ser um subproduto da atividade cerebral durante uma fase do sono fisiológico chamado de sono REM (Rapid Eye Movement). Todas as pessoas sonham, embora nem todas tenham acesso consciente às memórias daquilo que sonharam. Para culturas humanas primitivas, muitas das experiências vividas em sonhos são consideradas tão reais quanto aquelas experimentadas nos estados de vigília. Não tenho informações sobre pesquisas científicas com animais, mas já observei que meus cachorros sonham e também têm pesadelos. Sonhar também se trata da capacidade humana de fantasiar o futuro. De alguma forma estranha, nossa mente é capaz de reunir as memórias e (re) configurá-las, transformando-as em possíveis cenários de nossos futuros desejados. É muito provável que esse processo esteja relacionado com outra fantasia humana: o tempo. O tempo não existe fisicamente, mas é uma abstração humana que nos permite criar modelos físicos de compreensão de nossa realidade, incessantemente mutável a cada segundo.

revistapontocom – Diante disso…
Walther Hermann Kerth
– Diante disso, sonhar, devanear ou planejar o futuro diz respeito a um processo subjetivo de antever nossos possíveis futuros, permitindo-nos simular estratégias e métodos que permitam aproximarmo-nos de tais cenários. Portanto, sonhar, nesse sentido temporal, parece ser um dos processos que mais distinguem a civilização ocidental de outras. Como dizia Joseph Campbell [estudioso norte-americano], vivemos a possibilidade de sermos co-criadores de nossos futuros, o que jamais aconteceu em outra cultura. A rigidez das culturas não permitia que o indivíduo desejasse mudar de status ou de situação. O mundo devia permanecer como tinha sido criado. E os rituais e os sonhos mais se pareciam com métodos de transmissão imutável do conhecimento ancestral. Em nossa época, há uma sombra perigosa de nossos sonhos, digo nossos desejos cristalizados em representações mentais. Em geral, eles são condicionados por experiências anteriores. É quase impossível sonharmos com realidades que ainda não vivemos ou conhecemos. Somos capazes apenas de imaginar futuros pautados em experiências passadas. Levando em conta que os veículos de informação mais acessados são exatamente aqueles que espalham memórias sombrias e trágicas de nosso tempo, passado e presente, corremos o risco de, inconscientemente, construirmos modelos violentos e obscuros de nossos futuros. Assim, por exemplo, são sonhadas as guerras, os conflitos, as agressões e, talvez, o próprio sofrimento e explorações humanas. Outra instância importante dos nossos sonhos é que eles conectam nossos sentimentos e emoções àquilo que vislumbramos. Neste sentido, fica bem mais fácil e atraente assumirmos responsabilidades na busca e procura de materializar os nossos sonhos e desejos em nossas vidas. A pergunta que fica é: somos nós que sonhamos e desejamos novos futuros ou seriam esses sonhos e desejos que nos apropriam? Penso nisso porque em diferentes fases da minha vida tive sonhos que me moveram. Não conseguia vislumbrar sequer algumas semanas no futuro, mesmo desejando transformar minha realidade. Desse ponto de vista, diria que os sonhos se parecem como bússolas interiores que nos dão certas direções ou destinos possíveis para satisfazer nossas expectativas como seres humanos.

revistapontocom – Sonhar exige algum pré-requisito?
Walther Hermann Kerth
– Creio que o processo de sonhar seja também aprendido, baseado em nossas histórias. E mais: são as condutas culturais que determinam nossa competência de sonhar. E a compreensão dos sonhos está condicionada à percepção do fluxo de tempo. Não existe nada tão inconsistente quanto um sonho. É curioso que, quando estamos sonhando, as leis físicas parecem valer da mesma forma que valem no mundo real. Mas nem precisariam valer, afinal estamos apenas sonhando. Poderíamos viver experiências completamente surpreendentes. Porém, no sonho, elas parecem reproduzir as próprias experiências cotidianas. De certo, o mesmo acontece com o sonho desejado. O sonho desejado não poderia ser completamente maluco? E se assim fosse, seria ele impossível? Creio que não. Toda tecnologia que possuímos hoje foi resultado de sonhos malucos de nossos antepassados, alguns deles chegaram a levar seus sonhadores à fogueira. Portanto, sonhar não exige pré-requisito. Embora, sim, acredito que pessoas traumatizadas talvez não estejam suficientemente disponíveis para sonhar. Há também algumas possibilidades de condicionamentos negativos que podem distanciar as pessoas deste exercício. Por exemplo, a atuação de certos professores. Alguns deles ao punirem os alunos por atos incorretos os colocam num cantinho da sala, de costas para a turma, para pensar. Não é preciso muita lógica para concluir que tal método é um ato quase criminoso. Ele condiciona o processo de pensamento/reflexão à punição. Qual será a reação dessa criança, no futuro, quando alguém solicitar que ela pense, reflita, exerça sua criatividade? Inconsciente e automaticamente despertarão as memórias de punição. Se isso fosse feito com o processo de sonhar, inconscientemente estaria sendo reprimida qualquer fantasia espontânea que se referenciasse a um futuro melhor. Creio que, na civilização atual, basta não atrapalhar uma criança para que ela consiga sonhar. Portanto, não há pré-requisitos, embora algumas pessoas tenham que ser lembradas ou estimuladas a esse processo, talvez devido a perda de esperanças. Nesse sentido, sonhar ou desejar tem grande intimidade com o grau de expectativa em relação a algo ou  em relação a quantidade de esperança que uma pessoa ainda cultiva em relação à sua vida, seja ela pessoal ou profissional. Vivemos numa das culturas mais fantasiosas da humanidade. Consumimos fantasias na televisão, no cinema, nos jornais, em todos os lugares. Se pensarmos nos filmes de catástrofes, facilmente concluímos que a realidade tem superado as fantasias, mais cedo ou mais tarde. Somos convidados a compartilhar um sonho coletivo, seja nos apelos de consumo ou nas marés da opinião pública. Toda nossa noção de realidade é instável e sujeita ao grande sonho coletivo do que é certo e do que é errado, sem qualquer relação com aquilo que possamos chamar de verdade.

revistapontocom – Como deveríamos então sonhar?
Walther Hermann Kerth
– Penso que deveríamos sonhar como otimistas e planejar como pessimistas. Os pessimistas têm o dobro de chances de sobreviver em situações trágicas. É fato: em situações de risco, os pessimistas sobrevivem muito mais. Eles estão o tempo todo estressados imaginando planos B, C e D de contingência para situações de risco ou fracasso. Mas, por outro lado, eles vivem bem menos, já que a concentração de hormônios de estresse no sangue reduz a imunidade e a vitalidade. Os pessimistas também desejam muito menos que os otimistas e muitas vezes ficam paralisados pelas suas fantasias sombrias do futuro. Portanto, acho que as pessoas deveriam sonhar e desfrutar como um otimista e planejar e realizar como um pessimista.

revistapontocom – Qual é a importância de sonhar nos dias de hoje?
Walther Hermann Kerth
– Somente conseguiremos mudar algo no nosso futuro sombrio se formos capazes de sonhar um mundo bem melhor para todos. Se imaginarmos que são os nossos sonhos do futuro que vão nos atrair para uma época de prosperidade, que o presente que vivemos constituem os sonhos de nossos antepassados, precisamos sonhar e positivamente. Dessa forma, tal pergunta deve alcançar uma dimensão diferente: não do que é importante ou não, mas de quais decisões pretendemos tomar em relação ao nosso futuro. Gosto muito de uma citação: somos livres para decidir e prisioneiros das consequências.

revistapontocom – De que forma o mundo de hoje impacta os nossos sonhos?
Walther Hermann Kerth
– Minha impressão é que toda essa agitação nos distancia dos sentimentos, o que enfraquece os nossos sonhos e o nosso poder de realização de alguma forma. Penso que a cultura do consumo nos distancia de nossas reais necessidades, de nossa percepção, daquilo que realmente nos satisfaz. O mundo de hoje nos propõe uma triste barganha: substituímos a satisfação pelo prazer. De fato, quando menos satisfeitos estamos em nossas vidas, maior a necessidade de prazer. Quanto mais satisfeitos estamos, menor a necessidade de prazer. Interessante, não? Uma valiosa equação proveniente da psicologia positiva, uma nova doutrina que estuda o sucesso e as soluções, em vez de estudar os problemas.

revistapontocom – As crianças e os jovens de hoje sonham?
Walther Hermann Kerth
– Sim, especialmente os de classes sociais mais baixas. Curiosamente, as crianças, adolescentes e jovens das classes mais altas, talvez, sejam os que têm menos objetivos ou sonhos de longo prazo. Existe uma estatística interessante sobre o trânsito nas classes sociais: apenas 25% das pessoas de grande sucesso provêm das classes sociais mais altas. Essa é uma pesquisa que trata do Quociente de Adversidades, mais comumente conhecido como resiliência. A razão admitida para tão baixo percentual de pessoas bem sucedidas originárias das classes sociais mais altas é que elas não têm problemas suficientes. De fato, a resistência à frustração e ao fracasso é um excelente indicativo do poder de realização das pessoas, poder este que está sendo utilizado atualmente em países do primeiro mundo para selecionar profissionais. Esse índice suplantou o antigo Quociente Emocional (Q.E.) que já havia substituído anteriormente o Quociente de Inteligência (Q.I.) no poder de selecionar profissionais altamente preparados para liderar e empreender. Mas mesmo que os jovens sonhem, isso não é suficiente para garantir sucesso. A fórmula deve conter outras variáveis. A receita de bolo do sucesso contém sonhos (conexão afetiva profunda com sua atividade futura), responsabilidade (a conscientização, a esperança e uma tomada de decisão necessária para que o indivíduo se comprometa com seus sonhos) e obstáculos (problemas, dramas, dificuldades e frustrações que desenvolverão os “músculos emocionais” para o indivíduo não esmorecer diante das dificuldades). Entretanto, conheço muitas pessoas com esses três ingredientes que não têm absolutamente nenhuma ética. Encontro pessoas assim todos os dias, até mesmo entre amigos. Nesta direção, penso apenas que alguns insumos ainda estejam faltando. É preciso incluir amor, respeito e valores humanistas, além de menos pressa, ambição e egoísmo.

revistapontocom – Os sonhos de hoje estão ligados à realização profissional e ao consumo?
Walther Hermann Kerth
–  Excelente pergunta! Sim, em muitos lugares essa parece ser a resposta. Mas observo que aumenta diariamente a quantidade de pessoas cuja consciência está orientada para algo bem mais abrangente. Tenho encontrado, cada vez mais frequentemente, pessoas sinceramente motivadas a dar uma sobrevida para a nossa civilização que abrem mão deliberadamente do luxo, do desperdício e do status para avaliar o impacto ambiental, cultural ou educacional de cada um de seus atos. São pessoas comprometidas com a sustentabilidade e com a gestação de sonhos mais éticos, ecológicos, duradouros e essenciais para a satisfação humana. São pessoas refratárias aos apelos da moda, mas conscientes de seu papel e menos iludidas pela massificação das informações e da propaganda de consumo. À medida que nossos sonhos são condicionados pela nossa história, conforme mencionei no início, pelas nossas experiências passadas, e também pelas fantasias propagadas pela cultura de consumo, imagino que seja importante lembrar que uma parte das pessoas que conheci que alcançaram o sucesso profissional ou um grande poder de consumo, mesmo assim não se sentiram satisfeitas. É claro que, depois de conquistar aquilo que podemos chamar de fantasias de status de nossa civilização e descobrir que isso não alimenta nossa alma, a prosperidade alcançada certamente facilita um redirecionamento de objetivos. Não é tão fácil redirecionar nossos desejos enquanto ainda estamos buscando as condições mínimas de sobrevivência, conforme dizia Abraham Maslow. Porém, aqui nos deparamos com uma das questões mais essenciais do assunto em minha opinião brilhantemente exemplificada por um sábio persa do século XI, Jalaludim Rumi: “O anseio interior se expressa numa centena de desejos que, pensam as pessoas, são suas necessidades reais. Mas a experiência mostra que não são estes seus desejos verdadeiros, pois, ainda que atinjam tais objetivos, o anseio não diminui (“Os Sufis”, Idries Shah, Ed. Pensamento)”. Imagino que são os nossos sonhos e desejos que nos movam pelo mundo, eles incendeiam o combustível de nossas vidas. Entretanto, muito frequentemente, tais sonhos são apenas ilusões que, ao revelarem sua inconsistência já cumpriram seu destino maior de nos proporcionar os aprendizados que precisávamos para que pudéssemos enxergar sonhos ainda mais essenciais e significativos… A cada nova etapa de vida, esse processo parece se repetir, durante o qual vamos amadurecendo e nos tornando mais profundos, a ponto de, gradualmente, nos tornarmos sensíveis para motivações cada vez mais essenciais e, portanto, satisfatórias. Dessa perspectiva, penso que sonhar como sonhamos é muito importante, mesmo que aos olhos de pessoas mais experientes nossos desejos pareçam infantis, egoístas ou materialistas! Esse é o caminho que percorremos para amadurecer. Quando alguém abandona seus sonhos, mais frequentemente está a mercê da correnteza e, em geral, vive a vida de outras pessoas! Se não sonhamos os nossos sonhos, certamente apenas faremos parte dos sonhos de outras   pessoas. Um provérbio hindu propõe ser melhor viver o próprio destino de forma medíocre do que viver o destino de outros de forma brilhante – e eu concordo com isso, pois não acredito que a Providência criaria a diversidade para que ela fosse padronizada! – O conhecimento e a informação são cada vez mais voláteis, baratos e disponíveis. Dessa forma, o papel mais importante da escola não é o de educar, mas, sim, o de oportunizar o processo de sociabilização do indivíduo. Antes de entrar na escola, uma criança ainda está dentro do útero da família, uma segunda gestação, psicológica, durante a qual a criança recebe os recursos essenciais de sobrevivência emocional e psicológica. O nascimento social vem com a iniciação escolar: a chegada ao mundo dos relacionamentos regulares fora da família, durante a qual exercitamos e aprendemos a sobreviver entre as pessoas. O único problema disso, segundo Joseph Campbell, é que não mantivemos os rituais de passagem suficientemente poderosos para demarcar as transições de papéis e identidades, o que produz muitos clientes para terapia em muitos outros momentos de vida em que a escolha ou identificação de nossos sonhos mais íntimos é confusa. Nesse modelo conteudista que temos de nossa escola, muitos professores não estão suficientemente preparados para educar, são somente técnicos bem intencionados em apresentar seus próprios conteúdos. Você não tem ideia da quantidade de professores e educadores que hoje busca terapias. Muitos deles estão extremamente frustrados, amedrontados, ansiosos ou deprimidos. Se você perguntar para qualquer terapeuta quais são as motivações de seus clientes ao buscar terapia, talvez, você  se surpreenda em descobrir que grande parte das vezes essa busca é fruto de memórias de dramas vividos na escola. Se avaliarmos bem, concluiremos, sem esforço algum, que as crianças e os jovens são bastante cruéis com seus colegas, tanto quando seus próprios professores. Talvez grande parte da agressividade do mundo moderno comece a ser gestada ainda dentro escola. Esse modelo nasceu de um processo sistêmico como solução para uma civilização que tinha problemas, limitações, anseios e ideais e, pior, que imagina ser mais evoluída. Não é possível julgar o processo evolutivo, mas é possível sonhar com relações escolares de maior compaixão, cooperação, amor, respeito e inclusão, pois, me parece, além da sobrevivência básica, é exatamente isso o que mais buscamos como seres humanos. Sim, penso que a sociedade de consumo e a violência a que estamos expostos seja apenas um pesadelo do qual desejo acordar o mais breve possível.

revistapontocom – Qual é o papel da escola nos sonhos das crianças e dos jovens?
Walther Hermann Kerth
– O conhecimento e a informação são cada vez mais voláteis, baratos e disponíveis. Dessa forma, o papel mais importante da escola não é a educação, mas, sim, a oportunizar o processo de sociabilização do indivíduo. Antes de entrar na escola, uma criança ainda está dentro do útero da família, uma segunda gestação, psicológica, durante a qual a criança recebe os recursos essenciais de sobrevivência emocional e psicológica. O nascimento social vem com a iniciação escolar: a chegada ao mundo dos relacionamentos regulares fora da família, durante a qual exercitamos e aprendemos a sobreviver entre as pessoas. O único problema disso, segundo Joseph Campbell, é que não mantivemos os rituais de passagem suficientemente poderosos para demarcar as transições de papéis e identidades, o que produz muitos clientes para terapia em muitos outros momentos de vida em que a escolha ou identificação de nossos sonhos mais íntimos é confusa. Nesse modelo conteudista que temos de nossa escola, muitos professores não estão suficientemente preparados para educar, são somente técnicos bem intencionados em apresentar seus próprios conteúdos. Você não tem ideia da quantidade de professores e educadores que hoje busca terapias. Muitos deles extremamente frustrados, amedrontados, ansiosos ou deprimidos. Se você perguntar para qualquer terapeuta quais são as motivações de seus clientes ao buscar terapia, talvez, você  se surpreenda em descobrir que grande parte das vezes essa busca é fruto de memórias de dramas vividos na escola. Se avaliarmos bem, concluiremos, sem esforço algum, que as crianças e os jovens são bastante cruéis com seus colegas, tanto quando seus próprios professores. Talvez grande parte da agressividade do mundo moderno comece a ser gestada ainda dentro escola. Esse modelo nasceu de um processo sistêmico como solução para uma civilização que tinha problemas, limitações, anseios e ideais e, pior, que imagina ser mais evoluída. Não é possível julgar o processo evolutivo, mas é possível sonhar com relações escolares de maior compaixão, cooperação, amor, respeito e inclusão, pois, me parece, além da sobrevivência básica, é exatamente isso o que mais buscamos como seres humanos. Sim, penso que a sociedade de consumo e a violência a que estamos expostos seja apenas um pesadelo do qual desejo acordar o mais breve possível.

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