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Cruentior: terror e suspense

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27ago

O estudante Lennon Medeiros tem 17 anos. É aluno do último ano do curso de Roteiro para Novas Mídias Digitais, do NAVE – Colégio Estadual José Leite Lopes. Leitor assíduo, resolveu há alguns meses criar uma novela, em capítulos, na internet. Atualizada semanalmente, Cruentior conta a história de um mistério que assola uma cidade. Mortes e atentados dão pistas de que algo maior está para acontecer. Para tentar solucionar o caos, os “lixeiros” – detetives da divisão de casos insolúveis – são convocados. Ao mesmo tempo, um grupo de extremistas, certo de que a humanidade caminha para o seu desaparecimento, defende uma reviravolta da sociedade.

“Recheada de suspense e terror, a história tem o objetivo de mexer com as emoções dos leitores, fazendo com que eles também repensem o próprio mundo contemporâneo em que vivem”, explica o autor.

Às vésperas da Bienal do Rio, Lennon está se preparando para participar do Salão de Negócios do evento. Ele quer apresentar a proposta de sua história paras as editoras que estarão presentes. Em entrevista à revistapontocom, ele contou o seu processo de produção.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Como você define o Cruentior?
Lennon Medeiros – É uma novela on-line, uma narrativa de suspense e horror. A história é dividida em capítulos e divulgada semanalmente. Pistas lógicas, teses filosóficas, mistérios e a tensão dos momentos são características marcantes da trama, que narra uma cidade em crise, violenta e sem controle, que vive num caos extremo. Um atentado num ônibus, um incêndio criminoso, um ataque num sinal, tudo isto se liga de uma maneira atraente e instigante para o leitor. Toda esta trama tem o objetivo de fazer com que o leitor acabe refletindo sobre os valores do nosso cotidiano.

revistapontocom – Da onde veio a ideia?
Lennon Medeiros – A ideia surgiu a partir da observação do comportamento humano. Minha imaginação pregou a peça de fazer a seguinte pergunta: como seria se todos fossem submetidos a um tratamento de choque? Daí bastou observar e ver o que traria mais desconforto em cada situação para moldar dentro dos planos de uma história já desenvolvida. A pergunta central que conduziu toda a narrativa foi: qual remédio usaríamos para curar a humanidade?

revistapontocom – Quais são as suas inspirações?
Lennon Medeiros – De Edgar Allan Poe até meu gato brincando com o novelo de lã. Com o passar do tempo, aprendi a observar tudo ao meu redor e tirar disso informações nutritivas e construtivas. É claro que, mesmo com toda a pesquisa de campo, conhecer o trabalho de bons escritores é fundamental para quem queira rumar nessa vida, seja lendo as obras da família Veríssimo ou analisando Stephen King.

revistapontocom – Você sempre gostou de ler e escrever?
Lennon Medeiros – Desde pequeno tenho grande contato com o mundo dos livros, já que meus pais sempre me influenciaram a desfrutar de uma boa leitura, não somente para acrescentar conhecimento, mas para me divertir também. Logo comecei a andar pelas minhas próprias pernas e sempre estourava a cota de livros que podia pegar emprestado por vez na biblioteca, logo tornava a devolver e repetia o ciclo novamente. Sempre quis replicar o sentimento que aqueles livros causavam em mim. Queria fazer com que as crianças também se sentissem inspiradas a inspirar mais crianças. Ao mesmo tempo, queria pôr no papel todos os universos e castelos que eu imaginava. Conforme a minha carga de leitura aumentava, aumentava também a vontade de produzir e sucessivamente o nível de produção. As oportunidades surgiram e eu as aproveitei como melhor pude. É como diz aquele ditado popular: quem quer procura, e quem procura acha.

revistapontocom – Por que você escolheu a plataforma digital como divulgação da sua obra?
Lennon Medeiros – Desbravar novos formatos de mídia é sempre um desafio. Na internet, temos a possibilidade de não somente experimentar o contato direto com o leitor. Neste diálogo, você pode adaptar o que está fazendo, melhorar, reescrever, utilizando as críticas, aproximando a sua visão da do seu público alvo. Hoje com um computador na mão e uma ideia na cabeça se pode conquistar o mundo.

revistapontocom – E como o público vem respondendo?
Lennon Medeiros – Procuro ter o maior contato possível com meus leitores. Durante estes dois meses de escrita, recebi críticas positivas e negativas, mas, no geral, construtivas. Relatos de como os personagens, suas atitudes e seus pensamentos eram reflexos de suas vidas, não faltaram, nem dicas de como me aproximar do meu público. O importante é estar aberto para o diálogo, para os conselhos e ser um bom apurador na hora de aplicá-los.

revistapontocom – O que você pretende com o Cruentior?
Lennon Medeiros – Como todo jovem sonhador, gostaria de ver o projeto alçar um longo voo. Quero – e pretendo – publicar Cruentior como livro impresso, porque, apesar das grandes vantagens do digital, sempre gostei de folhear as páginas de um bom livro. Acredito que existam pessoas que sintam este mesmo prazer. Mais para frente, gostaria de adaptar esta história para TV, cinema, quem sabe? Para quem começou fazendo uma historinha de cabeceira chegar até aqui já é grande coisa.

revistapontocom – Como você avalia hoje a produção literária nacional voltada para os jovens?
Lennon Medeiros – Estamos em um grande momento. Agora mais do que nunca, a literatura nacional caminha para uma fase brilhante. Se antes caminhávamos com grandes mentes que influenciaram toda uma geração, hoje temos toda uma geração pronta para fazer. Hoje temos leitores sedentos por uma escrita nova e escritores prontos para atender esta demanda. O Brasil está descobrindo outra geração de talento: jovens leitores e escritores assíduos. Eu me orgulho de fazer parte desta geração.

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