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“Enfrentamos ainda o grande desafio: a evasão e a repetência”

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21set

Educação: o que eu quero para minha cidade? Este é o slogan da campanha darevistapontocomConheça a proposta e participe. Abaixo, você confere a entrevista concedida pela professora Carmem Moura, ex-secretária municipal de Educação do Rio (1997-2000).

As entrevistas aqui publicadas não traduzem a opinião da revistapontocom. Sua publicação obedece ao propósito de promover o debate da política pública municipal de educação, no Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, e de refletir as diversas tendências de pensamento. O espaço está aberto a todos os interessados em se manifestar.


Por Marcus Tavares

“Enfrentamos ainda o grande desafio: a evasão e a repetência; ambas são consequências de uma escola que, muitas vezes, não atende às expectativas da sociedade. A instituição escola tem como principais objetivos a transmissão do conhecimento e a formação do cidadão, devendo sempre ser um local atraente para os alunos. Às vezes, as crianças deixam a escola porque têm de cuidar dos seus irmãos menores enquanto os pais trabalham. Já a repetência exige um trabalho contínuo. Para isso é preciso investir e apostar numa metodologia de ensino que desperte o interesse do aluno, a vontade de estudar. É um quadro complexo, mas que apresenta, sim, soluções. Acredito muito na competência do professor. Acho que não conseguiremos ainda zerar as taxas de evasão e repetência, mas é possível reduzi-las”.

A avaliação é da professora e ex-secretária municipal de Educação do Rio, Carmem Moura, que ocupou o cargo entre 1997 e 2000. Hoje aposentada, Carmem afirma que está um pouco longe das discussões das políticas educacionais, mas afirma que velhos desafios, embora tenham melhorado, ainda estão presentes. Como solucioná-los? A fórmula também é a de sempre: tornar a educação prioridade.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Como a senhora analisa a escola municipal do Rio dos dias de hoje?
Carmem Moura – Melhorou muito, principalmente no que diz respeito à participação dos pais. Essa participação ainda não é cem por cento, mas evoluiu. Ao longo da redemocratização do país, conseguimos trazer os pais, a comunidade para a escola. Este é um desafio que foi alcançado, mas que tem que ser renovado diariamente. Pelo que acompanho, a atual gestão da secretaria municipal de educação do Rio é a favor deste processo. Para mim, a comunidade tem que estar dentro da escola. Aponto também como ponto positivo a entrada das tecnologias, da mídia, na sala de aula, que acabaram por redesenhar e contribuir para o ensino e a aprendizagem. Mas enfrentamos ainda o grande desafio: a evasão e a repetência; ambas são consequências de uma escola que, muitas vezes, não atende às expectativas da sociedade. A instituição escola tem como principais objetivos a transmissão do conhecimento e a formação do cidadão, devendo sempre ser um local atraente para os alunos. Às vezes, as crianças deixam a escola porque têm de cuidar dos seus irmãos menores enquanto os pais trabalham. Já a repetência exige um trabalho contínuo. Para isso é preciso investir e apostar numa metodologia de ensino que desperte o interesse do aluno, a vontade de estudar. É um quadro complexo, mas que apresenta, sim, soluções. Acredito muito na competência do professor. Acho que não conseguiremos ainda zerar as taxas de evasão e repetência, mas é possível reduzi-las.

revistapontocom – Qual seria a solução?
Carmem Moura – Em primeiro lugar, como já falei, investir e apostar numa metodologia de ensino atraente e forte no conteúdo. É preciso também capacitar os professores. Uma atualização em serviço e contínua. Sem falar, é claro, na remuneração do magistério. Acredito que uma escola de horário integral ajuda bastante na redução da evasão e da repetência. Uma escola que ofereça trabalho diversificado, atividades extraclasses, conteúdo qualificado e aulas de reforço. Estabelecer e manter escolas em horário integral não é tão fácil como se pensa. Esta proposta reduz as vagas. Mas creio que se queremos atingir uma educação de qualidade este seja o caminho. Precisaríamos, portanto, de mais escolas, salas e professores.

revistapontocom – Estes desafios não são os mesmos da sua gestão?
Carmem Moura – Sim. Diria que são os mesmos. Melhoraram mas não como gostaríamos. Por quê? Porque faltam investimentos na Educação, de fato e de direito. É preciso que haja uma valorização do professor para que ele possa estar sempre atualizado com as políticas pedagógicas e novas metodologias de ensino. Valorizar significa salário, atualização, condições de trabalho e apoio. Temos também salas de aula cada vez mais cheias, o que dificulta o trabalho do docente. Por outro lado, a educação, como política pública, continua não sendo prioridade.

revistapontocom – Como a senhora avalia a atuação da sociedade brasileira frente aos problemas da política pública educacional?
Carmem Moura – A educação está na pauta da sociedade, embora ela discuta muito pouco. Infelizmente, ainda não é um tema que a mobiliza. Mas sou otimista. A sociedade deveria se envolver mais, participar mais do dia a dia das escolas.

revistapontocom – Qual deveria ser o perfil do próximo secretário(a) de Educação do Rio?
Carmem Moura – Não sei se o secretário tem que necessariamente ser professor. Ele tem e deve ser um educador capaz de gerenciar uma rede de ensino tão complexa e, é lógico, gostar do seu trabalho. O imprescindível é que o secretário estabeleça um bom e contínuo diálogo com os professores e toda a comunidade escolar. Isso é fundamental.

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