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Festival Internacional de Televisão

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02nov

Por Marcus Tavares

Há dez anos, o jornalista Nelson Hoineff criou o Instituto de Estudos de Televisão (IETV) com o objetivo de pensar o trabalho de realização e produção da tevê. Em pouco tempo, instituiu o Festival Internacional de Televisão, que chega este ano à 7ª edição. O evento, que será realizado entre os dias 16 e 22 de novembro, no Oi Futuro, Rio de Janeiro, é composto por uma mostra competitiva de programas pilotos inéditos para tevê, por uma mostra do que há de mais interessante sendo produzido no mundo e por um encontro, que funciona como um fórum de debates de caráter acadêmico, abordando questões contemporâneas da área.

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Em entrevista à revistapontocom, Nelson analisa o papel da televisão no Brasil e no mundo, aponta os desafios da produção e os caminhos do broadcast. “Durante quase 70 anos, a palavra televisão queria dizer a mesma coisa: transmissão de imagens e sons, de um ponto único, para aparelhos receptores fixos que eram consumidos coletivamente. A partir da introdução das plataformas digitais houve uma grande transformação. O lugar da televisão deixou de ser a sala para ser qualquer lugar”.

Acompanhe:

revistapontocom – Como podemos definir, no século XXI, a palavra televisão?
Nelson Hoineff – Durante quase 70 anos, a palavra televisão queria dizer a mesma coisa: transmissão de imagens e sons, de um ponto único, para aparelhos receptores fixos que eram consumidos coletivamente. A partir da introdução das plataformas digitais houve uma grande transformação. O lugar da televisão deixou de ser a sala para ser qualquer lugar. Ao grande receptor fixo foram agregados receptores portáteis, e o consumo da programação passou a ser também individualizado. O modelo de transmissão de sinais também se ampliou e, com a televisão conectada, se amplia muito mais. O desenho de grades vem migrando das emissoras para os usuários e todos os modelos que conhecemos de empacotamento do conteúdo já não são hegemônicos. A ideia de emissoras e redes é bastante ampliada. Televisão, desse modo, é hoje um conjunto de formas de transmissão e recepção de conteúdo audiovisual bastante diferentes entre si.

revistapontocom – A TV, aqui no Brasil, ainda vai continuar por bom tempo ainda sendo o principal meio de informação/entretenimento da maior parte da população?
Nelson Hoineff – Se você me pergunta se as redes abertas vão continuar existindo, a resposta é sim. A questão é que a TV transcende hoje esse modelo. A internet, por exemplo, já se transformou no principal meio de informação da sociedade. Mas a nova televisão abriga muita coisa, entre elas a própria internet. A informação e o entretenimento vão passar sempre pela televisão, porque a televisão se molda ao desenvolvimento tecnológico que multiplica as formas de difusão de um e do outro, não importa se o receptor de televisão esteja ocupando uma parede inteira de uma sala ou esteja na palma da mão; se o conteúdo está sendo gerado de um estúdio próximo ou esteja vindo das nuvens.

revistapontocom – Neste sentido, qual é o impacto da aprovação da Lei 12.485? O que ela significa na prática?
Nelson Hoineff – Significa por um lado a presença das teles no mercado de cabo, o que era esperado há muito tempo e vai popularizar este serviço. Por outro, a presença maior da produção brasileira no mercado de TV por assinatura. No primeiro momento, tende-se a acreditar que isso é bom somente para os produtores. Em pouquíssimo tempo vai ser possível avaliar os benefícios que essa presença maior traz para o assinante e, consequentemente, para os operadores e para as programadoras. O público gosta de conteúdo brasileiro e é necessário que esse conteúdo seja diversificado, não parta apenas de duas ou três cabeças. Encarar o negócio de TV por assinatura como um mero serviço é algo equivocado, no mínimo reducionista. Televisão por assinatura é televisão. Não é natural, então, que o assinante brasileiro de TV por assinatura não tenha acesso a um tipo de conteúdo com o qual ele tanto se identifica. Melhor seria se essa presença não tivesse que ser garantida por lei – mas os empresários que veem a TV por assinatura como um simples serviço não foram sensíveis a isso. Não há condições de se avaliar o desempenho da produção brasileira pelo mercado se ela está fora do mercado. Por isso, a legislação vai agora ajudar a criar essas condições.

revistapontocom – Quais são os atuais desafios de produzir TV no mundo de hoje? O Brasil enfrenta os mesmos desafios dos outros países?
Nelson Hoineff – Há uma competitividade feroz, mas ao mesmo tempo um grande aumento da demanda. A diversificação dos meios de se produzir e consumir TV é a grande responsável por isso. A TV é cada vez menos massificada, mais voltada para nichos, mais parecida com a sociedade. O Brasil está se saindo bem. É um bom gerador de ideas e de soluções. Em pouco tempo, creio que será um importante exportador de conteúdo e modelos de conteúdo para muitas das formas de consumo televisivo que se conhece.
revistapontocom – O caminho da TV é se reiventar na interface com a web?
Nelson Hoineff – A televisão já está fazendo isso, até porque não é mais possível pensar num mundo não conectado. Se você disser a uma criança que um dia o mundo não esteve conectado, ela vai ter dificuldade de entender. A TV já se conectou. E a web passa a ser mais uma de suas ferramentas. Vai ter agora que encontrar as melhores interfaces. É um longo caminho a ser percorrido, mas isso será feito rapidamente.

revistapontocom – O Festival Internacional de Televisão chega à sua 7a edição/10a edição do encontro. O que o público encontrará neste ano?
Nelson Hoineff – Conseguimos dobrar o numero de pilotos exibidos. Este ano serão 70. Eles representam uma boa parcela do que se pensa em televisão em praticamente todas as regiões do país. Aponta também para a diversidade dos mecanismos de produção. Creio que a mostra de pilotos se transformou na mais importante janela do país para a exibição da televisão que o país está pensando. E isso é só o início. Os Encontros, por exemplo, vão reunir especialistas do mundo inteiro em torno justamente do tema da TV conectada, que é nesse momento a bola da vez no campo do mercado e também dos estudos televisivos.

revistapontocom – Qual a contribuição do Festival Internacional de Televisão (FITV) na recolocação e reestudo do mercado?
Nelson Hoineff – O Festival Internacional de Televisão tem sido um foro permanente para a discussão do papel da televisão, em altíssimo nível. Os Encontros, por exemplo, reúnem todos os anos alguns dos maiores pensadores de televisão do mundo e a repercussão disso já é sentida até mesmo fora do país. Temos ousado bastante na questão da experimentação e da análise da linguagem, com resultados muito favoráveis. No tocante à produção local, a Mostra de Pilotos se transformou também na principal mecanismo para que os produtores possam mostrar aos programadores o que estão pensando e para que os programadores tomem conhecimento das soluções que estejam surgindo para as suas necessidades. O FITV tem feito tudo isso de uma maneira horizontal, transparente, agradável para todos. Tem seguido os princípios do IETV de apostar na importância do estudo do veículo para aprimorar a sua qualidade. Acho que temos tido bastante sucesso nisso.

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