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O dono da lua

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31jan

Por Marcus Tavares

Ao olhar para o céu o pequeno Nick faz uma incrível descoberta: a lua desapareceu. Intrigado, resolve desvendar o mistério e convencer os adultos a ajudá-lo. Nick quer descobrir quem é o dono da lua e fazer com que ela volte a brilhar. Esta é a história do livro O dono da lua (Editora Escrita Fina), da escritora estreante no universo infantil, Ronize Aline. O título, que traz ilustrações de Martha Werneck, foi selecionado no Prêmio Monteiro Lobato de Literatura Infantil de 2009, promovido pelo Sesc do DF. O lançamento acontece no dia 5 de fevereiro na Livraria da Travessa (Ipanema), no Rio, depois de uma intensa campanha feita pela
escritora nas mídias sociais. Há cerca de dois meses, Ronize criou uma página do livro no facebook, fez promoções, postou vídeo no Youtube, angariando a simpatia dos pais e interessados. O trabalho parece que deu certo, jornais cariocas passaram a divulgar a façanha da autora.

Em entrevista à revistapontocom, Ronize, jornalista e professora universitária, fala sobre o seu processo de criação e como é ingressar no grupo de escritores de literatura infantil, grupo renomado internacionalmente.

Acompanhe:

revistapontocom – O Dono da Lua conta que história? A obra é voltada para que faixa etária?
Ronize Aline – O dono da Lua conta a história de Nick que, à primeira vista, é um menino como todos os outros. Detesta os legumes que os outros garotos também odeiam e adora as mesmas brincadeiras das quais as outras crianças também gostam. Mas, chegando um pouco mais perto, vê-se que ele é especial. Muito mais do que curioso, ele é um menino que enxerga coisas que ninguém vê; que descobre coisas que ninguém descobre; e que adora passar horas debruçado sob a janela, vidrado nos segredos do céu. Por isso, numa noite, só ele consegue reparar que a Lua simplesmente desapareceu. E não vai ser nada fácil convencer os adultos de que é preciso encontrar o dono da Lua, a pessoa que, noite após noite, a faz
girar no céu, mudando suas fases. Será que essa pessoa existe? Como encontrá-lo? Só mesmo com muita esperteza – e um tantinho de teimosia – Nick vai conseguir resolver esse problema, e devolver a Lua para o céu de todos nós. O livro é voltado para crianças de 7 a 10 anos.

revistapontocom – Escrever para criança: como é este processo?
Ronize Aline – Fascinante. Se por um lado o imaginário infantil tem um repertório riquíssimo, por outro isso não quer dizer que a criança aceite qualquer coisa. Ela não gosta de ser enganada, mas ainda não está engessada pelas convenções e lógicas do mundo adulto. Com isso, a criação é, ao mesmo tempo,
produção e deleite.

revistapontocom – Como foi a sua descoberta como escritora?
Ronize Aline – Desde que me conheço por gente me vejo como escritora, no sentido de uma inventora de histórias. Acabei fazendo jornalismo por imaginar que essa seria a área onde eu mais poderia desenvolver essa habilidade. Apesar de lidar com realidade e não com ficção, o jornalismo me deu a prática de
contar histórias – independente das diferenças na estrutura dos textos. O que fazemos como jornalistas é contar histórias que aconteceram de fato. Mas se for me considerar escritora a partir do momento em que passei a escrever ficção sistematicamente, diria que foi há aproximadamente nove anos, quando comecei a participar de alguns projetos literários. Esse livro mesmo, O dono da Lua, foi escrito há oito anos e só agora está sendo publicado – depois de ter sido selecionado no Prêmio Monteiro Lobato de Literatura Infantil de 2009.

revistapontocom – Como é pensar, criar e escrever uma história infantil?
Ronize Aline – Pensar e criar acontecem de forma muito mais intensa e acelerada do que escrever. Como também sou jornalista e professora universitária, o tempo para escrita é reduzido. Então me sinto sempre atrasada na escrita em relação às histórias que já tenho planejadas. Como gosto muito de observar, acabo tendo muitas ideias de novos livros e pouco tempo para colocar a todas no papel – ou computador. Isso me deixa um pouco frustrada. Quem dera pudesse me dedicar integralmente à literatura.

revistapontocom – Você acha que a gente pode aprender a ser um escritor infantil?
Ronize Aline – Acho que a questão é: a gente pode aprender a ser um escritor? Porque infantil, ou não, é
uma questão de sintonia, afinidade, envolvimento com os temas. Aprende-se a ser escritor ou, como alguns defendem, é puro talento? Aquela equação que diz que 90% é transpiração e apenas 10% é
inspiração faz sentido – só não sei se exatamente nesses percentuais. Acredito, sim, que existam pessoas que tenham mais afinidade com as palavras, outras com números, outras com imagens e assim por diante. Isso não quer dizer que ter facilidade de escrever faz você um escritor pronto. Vide as inúmeras oficinas literárias que pipocam por todo o Brasil, onde são trabalhadas a estrutura do texto literário, a construção de personagens, de cenários, diálogos… Escrever ficção tem sua técnica, como conseguir o efeito desejado junto aos leitores.Então acho que dá para aprender a ser escritor, mas algumas características natas são fundamentais, como em qualquer outra profissão.

revistapontocom – Que critérios um livro infantil deve seguir? O que não pode faltar?
Ronize Aline – Vou responder o contrário: o que um livro infantil não deve ter. Ficção infantil não deve ter lição de moral. O grande erro é achar que literatura infantil é para ficar educando. Educar é para os livros didáticos e paradidáticos. Toda ficção é para libertar, fazer sonhar, se divertir, chorar, se emocionar, rir, se assustar, viver outras vidas, compartilhar, se envolver – tudo aquilo que se faz, por exemplo, no cinema, mas que muitos ainda não descobriram que também podem encontrar nos livros. O que vier, além disso, é consequência, mas não deve ser o objetivo, senão corre-se o risco de afastar os leitores em vez de aproximá-los.

revistapontocom – Como é escrever para criança num país de grandes autores infantis, como Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Lygia Fagundes Telles?
Ronize Aline – Eu incluiria outra autora fundamental para a nossa literatura infantil: Lygia Bojunga. Ter a dádiva dessas escritoras é altamente inspirador. Meu livro de cabeceira até hoje é “Marcelo Marmelo Martelo”, da Ruth Rocha. Sinto que foi na primeira vez que o li, quando pequena, que instintivamente decidi que queria ser igual àquela moça, inventar histórias incríveis que deixassem as pessoas com vontade de ler mais, e mais e de novo. Para escrever para criança é preciso gostar de ler como criança. Sempre fui
apaixonada por literatura infantil, mesmo depois de ter passado muito da faixa etária. Tenho uma grande biblioteca de obras infantis porque me dá prazer lê-las, ainda hoje. E, para dar continuidade ao trabalho dos grandes autores infantis brasileiros, não dá pra fazer feio. Escrever para criança requer tanta dedicação e comprometimento quanto para qualquer outro público.

revistapontocom – Como é escrever para criança num mundo onde o livro tem vez e voz, mas concorre com audiovisuais, games e uma interatividade maior?
Ronize Aline – A lógica tem de ser do compartilhamento e não da exclusão. Cabe aos pais – e num segundo momento à escola – incentivar o convívio entre as diversas tecnologias: a do livro de papel, a dos audiovisuais, a dos games, a da internet e assim por diante. Meu filho de três anos e meio já joga games no celular com muita desenvoltura, mas também fica tão maravilhado numa livraria com a quantidade de livros que não quer sair de lá. É preciso mostrar que cada um tem seu encanto. Ler não é dever, é prazer.

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