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Os Invisíveis

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22fev

 Por Marcus Tavares

A adolescência não é uma fase fácil de ser vivida pelos jovens e convivida pelos adultos. Que o digam os pais e os educadores. Pensando prioritariamente no cotidiano destes adolescentes, cheios de talentos, desafios e dúvidas, a Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio (MultiRio) produziu a série Os Invisíveis. Composto de cinco filmes em animação, o projeto  tem o objetivo de mostrar o dia a dia do personagem Sumiço, um jovem que quer ser visto, ganhar popularidade e fama, mas ao mesmo tempo tem medos, angústias e vergonhas.

Em entrevista à revistapontocom, Marcelo Salerno, que responde pela Assessoria de Artes Gráficas e Animação da MultiRio, explica que “as histórias de cada filme, sem pretender ter todas as respostas, levantam questões para reflexão e apontam a importância de se buscar alternativas, entendendo que os jovens não precisam ser todos iguais para “aparecer”.

Acompanhe:

revistapontocom – Qual é a proposta da série Os Invisíveis?
Marcelo Salerno –  Utilizar a linguagem de animação, rica em magia e fantasia, em formato leve e com humor, para tratar de alguns elementos relacionados aos desejos, anseios, inseguranças e descobertas dos jovens na fase em que se aproximam do mundo adulto, o início da adolescência. Destaque para a possibilidade de isolamento por dificuldades em integrar grupos tradicionalmente populares entre as crianças e jovens. Sem pretender ter todas as respostas, as histórias em cada filme levantam questões para reflexão e apontam a importância de se buscar alternativas, entendendo que os jovens não precisam ser todos iguais para “aparecer”. Todos possuem talentos e habilidades diferenciadas. É preciso se descobrir e investir no que é seu. O grupo ajuda e, por isso, com apoio de pais, professores e colegas, vale investir no aprimoramento e buscar novos caminhos.

revistapontocom – O que motivou a criação da série?
Marcelo Salerno – Atender ao público de 10 a 14 anos, fase reconhecidamente rica em questionamentos e descobertas para crianças e seus pais. Trabalhar a temática em filmes de animação com formato e duração adequados à veiculação via TV e internet, incluindo dispositivos móveis como celulares e tablets. Uma série de filmes que fale diretamente ao adolescente e crie a possibilidade da discussão dentro e fora da escola.

revistapontocom – Parece que por meio das histórias também está a fala do jovem que quer se reconhecido. Houve também esta busca?
Marcelo Salerno – Também. A invisibilidade do personagem remete ao desejo de integração aos grupos de destaque em seu convívio. Seja como atleta, intelectual, artista ou qualquer outra forma de pertencimento a um grupo, incluindo a família. Mas existem momentos em que a invisibilidade é tentadora, o que também pode levar ao isolamento. Outros pontos a considerar são a questão da privacidade e o bullying, que recebem importância ainda maior em tempos de internet e mídias sociais.

revistapontocom – Então, ao mesmo tempo em que se quer empoderar os jovens, os vídeos querem mostrar aos adultos a situação em que estes jovens se encontram?
Marcelo Salerno – Sim. Na série, os adultos estão representados por pais, professores e treinadores. Estes possuem extrema importância nas questões tratadas, como as pressões das tarefas diárias que podem dificultar as relações em família; a identificação do isolamento de um aluno em sala de aula por um professor, que solicita então sua atenção; o treinador que identifica habilidades do indivíduo e indica atividades que o fazem se sentir capaz. Essas são algumas das questões abordadas na série de animação.

revistapontocom- Como surgiram os roteiros das histórias?
Marcelo Salerno – A partir da consultoria de Marci Dória Passos e Ástrea da Gama e Silva, especialistas nos temas abordados, que indicaram as questões de maior relevância. O grupo de desenvolvimento selecionou situações que melhor funcionariam na técnica e no formato da série. A narrativa apresenta o personagem principal, Sumiço, os colegas de escola, a família e outras pessoas de seu convívio a cada episódio, em forma de filmes curtos que funcionam individualmente, como um viral da internet, mas que podem ser apresentados em sequência com bom resultado.

revistapontocom – No processo de construção do projeto, houve participação dos jovens?
Marcelo Salerno – Ouvimos um grupo de jovens que colocou questões que consideravam mais importantes. Trocamos ideias sobre escola, família, mídia, sexualidade e muitos outros assuntos. Essas informações se somaram às orientações dos consultores e ajudaram na formatação do projeto.

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