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02jul

Revistapontocom entrevista o professor e pesquisador José Paulo Azevedo

Diante do cenário da pandemia do novo coronavírus, causador da Covid-19, é fundamental refletirmos sobre a relação entre biodiversidade, meio ambiente e a saúde humana. Para entender melhor como essas esferas estão interligadas e ficar por dentro de ações e pesquisas em andamento, entrevistamos o professor José Paulo Azevedo, professor do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

Entre os temas abordados, Azevedo destaca uma iniciativa da Coppe/UFRJ que busca viabilizar a produção do ventilador pulmonar VExCo, desenvolvido por pesquisadores do instituto, com apoio de outras instituições nacionais de pesquisa. O objetivo é dar suporte ao tratamento de pacientes diagnosticados com a Covid-19.

Como ressalta o professor, ciência e saúde também estão relacionadas à biodiversidade e ao meio ambiente. Neste contexto, a conferência EauMega 2020, que acontecerá na sede da Unesco em Paris, entre os dias 1 e 4 de dezembro, terá como foco das discussões Água, Megacidades e Mudanças Globais, apontando soluções para adaptação às mudanças climáticas, bem como à promoção do desenvolvimento sustentável.

Após avaliar pesquisas científicas da Coope, já submetidas à EauMega 2020, José Paulo Azevedo ajudará a identificar redes e canais de juventude para escolha de candidatos da região metropolitana do Rio de Janeiro ao Comitê Diretor de Juventude que fará parte da conferência.

José Paulo Azevedo, ao lado da esposa, numa área de preservação de mananciais e ecoturismo, em Bonito (MS)

Como a biodiversidade e a água estão relacionadas à saúde?

Biodiversidade está associada à água e, sem água, não há vida. A água consumida por nós e pelas indústrias vem dos rios. Se não tivermos rios, se não tivermos a natureza com florestas, crises hídricas acontecem, causando danos à saúde da população.

Precisamos nos reconectar com a biodiversidade, pois ela traz benefícios ao ecossistema e à população, uma vez que é fundamental para manter esse ciclo de vida, pois existem espécies que dependem de outras para se manterem e, quando se elimina uma espécie, surge um desequilíbrio natural no meio ambiente, que causa impacto em outras espécies e no ecossistema como um todo.

A maior parte da população hoje é urbana, mas é a natureza que nos proporciona uma série de serviços. É preciso que as pessoas se conscientizem e percebam que a biodiversidade se conecta à vida delas. Água, biodiversidade e floresta se inter-relacionam.  

Outro ponto fundamental quando falamos da relação entre biodiversidade, água e saúde é a questão da segurança hídrica, que representa o conceito de água suficiente para abastecer a população, não tendo interrupções no abastecimento.

De que forma a falta de saneamento impacta a biodiversidade, a água e, consequentemente, a saúde humana?

A crise sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus demonstra factualmente como o saneamento é fundamental para a saúde, visto que a principal medida de prevenção é a lavagem das mãos, entre tantos outros fatores relacionados ao impacto do saneamento à saúde humana.

Além de atuar para preservar e recuperar nascentes, possibilitando a preservação do meio ambiente e o acesso mais igualitário da população aos recursos hídricos, é fundamental investir em saneamento e tratamento de esgoto e, ao mesmo tempo, em uma gestão mais eficiente do controle de perda de água tratada, fatores intrínsecos à segurança hídrica.

Paralelamente, é preciso conciliar atividade econômica, social e meio ambiente. A degradação ambiental e a falta de saneamento limitam o desenvolvimento social e econômico. Essa mudança de postura já começa a aparecer em alguns projetos da iniciativa pública e privada, mas a atenção ao equilíbrio entre natureza e economia precisa ser estrutural para que seja possível preservar a biodiversidade e a vida humana.

Sobre a conferência EauMega 2020, que acontecerá em Paris, neste ano, quais temas estarão no centro das discussões e por quê?

As cidades estão cada vez mais vulneráveis a eventos extremos ligados à água, como furacões, inundações e deslizamento de encostas. Para enfrentar estes incidentes cada vez mais frequentes, o relatório recente da OCDE e UN-Habitat Global state of National Urban Policy destaca a importância de políticas urbanas de adaptação às mudanças climáticas e promoção do desenvolvimento sustentável.

Neste contexto, a conferência EauMega 2020, que acontecerá na sede da Unesco em Paris, entre os dias 1 e 4 de dezembro, terá como foco das discussões Água, Megacidades e Mudanças Globais. A escolha do tema é uma resposta à necessidade de considerar os desafios das megacidades sob uma perspectiva da água e vice-versa, já que sua interdependência é muito forte e a necessidade de gestão profundamente interligada.

A 2ª Conferência Internacional – EauMega 2020, que reunirá cientistas, gestores de serviços urbanos, representantes políticos, e sociedade civil para dialogarem durante 4 dias sobre a gestão da água em Megacidades, acontecerá cinco anos após a realização da 1ª Conferência das Nações Unidas – EauMega 2015, quando o centro do debate se estabeleceu acerca das Mudanças Climáticas com o objetivo de chamar atenção para os desafios consideráveis que as megacidades enfrentam.

No Brasil, quais os principais desafios impostos às megacidades?

No Brasil, duas regiões metropolitanas são classificadas como megacidades pelas Nações Unidas, por serem centros urbanos com população superior a 10 milhões de pessoas: Rio de Janeiro e São Paulo. Acontecimentos como a crise da geosmina, no Rio de Janeiro, e a pandemia da Covid-19, no mundo, geram reflexos na saúde e na vida da população e chamam a atenção para a necessidade de incorporação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável nas políticas públicas.

Pela própria dimensão das megacidades, os desafios impostos pela gestão das águas são de particular importância e levantam novas questões específicas. Essa abordagem exige colaboração estreita entre cientistas que promovem avanços no conhecimento, operadores (tanto no setor público quanto no privado), que inovam tecnicamente e sociopoliticamente, e dos políticos locais, que podem apoiar novos modelos de governança da água mais justos, em constante interação com a sociedade, como previsto pelo Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), conjunto de órgãos e colegiados que concebe e implementa a Política Nacional das Águas.

Os principais desafios relacionados a este tema mudaram muito pouco desde a primeira conferência, apesar do aumento constante no número de megacidades, do aumento de comunicações científicas alertando sobre os efeitos negativos das mudanças climáticas e do crescimento da população nestas megacidades.

Como foi desenvolvido o VExCo, ventilador de exceção para Covid-19?

O VExCo, Ventilador de Exceção para Covid-19, foi desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Engenharia Pulmonar e Cardiovascular da Coppe/UFRJ, com a colaboração voluntária de pesquisadores de outros programas da Coppe, da UFRJ e de várias outras instituições do país a fim de viabilizar a empreitada em tempo recorde. Diversas empresas também têm se prontificado a ajudar no desenvolvimento, na distribuição e no financiamento dos equipamentos.

A iniciativa visa atender, em caráter excepcional, a necessidade de ventilação de pacientes acometidos pela Covid-19 em locais e situações nas quais não haja um ventilador comercial padrão disponível. O protótipo foi desenhado com o intuito de viabilizar sua reprodução em massa, de forma simples, rápida e barata, e com recursos disponíveis no mercado nacional.

A fase de testes in vitro do ventilador de exceção foi concluída com sucesso. Os resultados foram submetidos à aprovação da Anvisa e um protocolo será submetido para a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa a fim de testar o equipamento em pacientes no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ. Os ventiladores não serão comercializados e, sim, distribuídos para as UTIs por meio de um grande estudo de aplicação clínica e, posteriormente, doados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Para produzir o “Ventilador de Exceção para Covid-19 – UFRJ” (VExCo), a Coppe/UFRJ deu início a uma campanha de doações realizada pela Fundação Coppetec. Os recursos doados serão utilizados na compra das peças necessárias para a produção dos ventiladores. Cada ventilador custará, aproximadamente, R$ 5 mil.

As doações deverão ser efetuadas, por depósito bancário, em nome da Fundação Coppetec. Para saber mais sobre o projeto e como doar recursos, acesse o link http://www.coppetec.coppe.ufrj.br/site/respiradores-ufrj/

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