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Fala jovem

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12jul

Desigualdade, violência, paz, consumo e política. Com o objetivo de dar vez e voz às crianças e jovens, a revistapontocom inaugura mais um espaço neste sentido: o Fala Jovem. Neste espaço, vamos publicar textos escritos por crianças e jovens sobre diversos assuntos. A ideia é promover a ‘fala’ destes cidadãos e ao mesmo tempo possibilitar que os adultos conheçam e ouçam suas histórias, sentimentos, comentários, avaliações sobre temas do nosso cotidiano. O texto de hoje é do jovem Gabriel Labouret, de 14 anos. Em pauta: o Brasil, seus problemas e a Copa do Mundo.

Relações intertextuais

No poema “O Bicho”, de Manuel Bandeira, vimos um catador como um bicho. Você tem que ser diferente! Esse poema nos faz refletir sobre as desigualdades sociais. Nesse mesmo pátio percorrido pelo homem-bicho pode ter uma pessoa de classe média, que não papou todo o seu almoço e jogou, sem problemas, o resto de comida fora. Esse resto, o catador vai catar, como fizeram os porcos e os pobres esfomeados no curta “Ilha das Flores” [de Jorge Furtado]. Esses são tão pobres que catam a comida que não serve nem para os porcos. Podemos até pensar que, nesse caso, o porco poderia ser uma pessoa de classe média observando o “BICHO” devorando os restos de sua refeição; e o bicho não é o bicho PORCO, é o catador de comida que não serve para o porco, no caso, um outro ser humano.

Em junho de 2014, os moradores de rua e os catadores vão ser escondidos, isso para gringo poder ver um Brasil do futebol, do samba, da mulher bonita e não o país de desigualdade social, de miséria, de violência e muito mais…

Eu, pessoalmente, nas mídias que frequento, como a internet, passo 80% do tempo vendo filmes e séries, 15% vendo esportes e política, 4% vendo bobagens e 1% vendo fome e pobreza, ou seja, invisibilidade para pobreza, para fome. Agora, imagine na COPA…

Em “Um artista da fome” (Kafka), a partir de um momento, o artista perde a fama e vai para um circo. Podemos imaginar o circo como um jornal e o artista da fome como a fome e a pobreza. Será que as pessoas se interessam em saber sobre a fome e a pobreza? Ou será que é o jornal que esconde esse problema? A questão é que esses problemas estão por aí. E o governo, eis a pergunta, se preocupa mais em escondê-los ou resolvê-los?

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