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Do sítio para a cidade

14 comentários
25jun

Por Artur Melo, 10 anos
Aluno do 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira
É a Emília quem vai contar…

Essas férias foram diferentes, ao invés do Pedrinho vir para o sítio nós fomos até a cidade. Para não esquecer nadica de nada e para ninguém contar de outro jeito, resolvi acrescentar essa aventura em minhas memórias.

Faltava uma semana para as férias então eu, é claro, tive uma grandessíssima ideia: ligar para o Pedrinho, desta vez, a gente é que iria para a cidade. Todos concordaram, só que, detalhezinho, eu não contei para a Tia Nastácia nem para a Dona Benta. A estraga-prazeres da Narizinho foi logo perguntando:

– Você contou para a vovó?

– Claro. Como sou super esperta, falei que tinha contado tudo tim tim por tim tim, mas que a vovó não queria saber de despedidas. Narizinho caiu na mentira e acreditou. Aquela boba acredita mesmo em tudo o que eu falo.

Então, quando passou a semana, nos reunimos bem cedinho no quintal: eu, Saci,Visconde e Narizinho, acertamos os últimos detalhes para o encontro com o Pedrinho e jogamos o pó de pirlimpimpim. Rapidamente, lá estávamos na cidade, em frente à casa de Pedrinho.

Foi aquela animação o encontro e logo perguntei ao Pedrinho onde nós iríamos passear. Pedi para ir ao centro da Cidade. Adorei aquele lugar, tinha todo o tipo de coisa no Saara, minha canastrinha ficaria lotada de novidades e bugigangas… Mas os chatos da Narizinho e do Visconde ficaram me segurando para me impedir de entrar nas lojas. Visconde só queria saber de conhecer a Biblioteca Nacional, o Teatro Municipal, já a Narizinho só pensava em conhecer um Shopping, comprar roupas para ficar igual as meninas da cidade. E o saci estava empenhado em perturbar a vida dos outros que passavam por perto. Roubou charuto de um homem que estava num restaurante, fez um vento  levantar a saia de uma mulherona, saiu correndo com o apito do guarda municipal, desarmou a barraca do camelô. E eu? Tive que me conformar com duas bonequinhas de plástico e umas bombinhas de São João…

O tampo foi passando e a saudade do sitio começou a apertar, então Pedrinho teve a ideia de ir ao Jardim Zoológico, na Quinta da Boa Vista, lá poderíamos ver vários tipos de bichos e muita natureza, assim faríamos de conta que estávamos no Sítio. Chegando na Quinta, Pedrinho viu um menino andando de skate e foi logo querendo brincar. Ele se apresentou, era Artur o seu nome. Ficaram amigos, trocaram seus brinquedos favoritos para brincar, o skate e o estilingue. Enquanto isso, eu e Narizinho fomos espiar uma casa linda e muito grande. Disseram que era a casa da Família de um rei Fujão, que veio para o Brasil correndo do Napoleão.

Ah, como eu queria voltar no tempo. Sou uma Marquesa!! Não era justo que conhecesse a Quinta só agora que essa família todinha já bateu as botas. O Visconde ficou radiante quando soube que era um museu, o danado foi correndo, nem esperou a gente. Ah, uma máquina do tempo resolveria esse problema… De repente, um barulho enorme veio lá do Zoológico e todos corremos pra lá. Era o saci, fazendo traquinagem, resolveu dar nó justo na tromba do elefante, que lhe deu uma patada e ele caiu desmaiado.

A confusão estava armada, precisávamos resolver o problema antes que os guardas chegassem. Para atrasar a chegada dos guardas, abri minha canastrinha e comecei a jogar umas bombinhas, assim eles se distraiam, Enquanto isso, Pedrinho e Artur resolviam o problema da tromba. Primeiro tentaram escalar o elefante e desatar o nó, mas o bicho começou a se agitar e os dois foram longe. Eles não desistiram, ficaram pensando, pensando… até que surgiu uma ideia:

– É simples, pegamos um bocado de amendoim e mostramos para o elefante. Aposto que ele ficará tão animado, que sacudirá a tromba até conseguir desatar o nó. Disse o Artur.

Deu certo!! Logo, logo, o elefante mandou pra dentro aquele monte de amendoim e até fez uma festinha para os dois. Saci, aquele cara de pau, acordou, como se nada tivesse acontecido.

No final desta confusão, e com o cheirinho do amendoim, estávamos com uma fome de leão, e bastante cansados. Foi quando o Artur propôs que fôssemos a sua casa, que era bem pertinho, fazer um lanche. Chegamos e tivemos uma baita surpresa: Sua avó, que parece uma Tia Nastácia na cozinha, estava fazendo bolinhos de chuva! Comemos, rimos, brincamos um pouco, nos divertimos… mas… esses bolinhos de chuva aumentaram ainda mais a nossa saudade do Sítio, a esta hora, a vovó já devia estar muito preocupada. Resolvemos, então, nos despedir e com um pouco do pó de pirlimpimpim voltar para o Sítio.

Acabo aqui esta memória e não acreditem se o Visconde se meter a besta de contar tudo de outro jeito!

14 thoughts on “Do sítio para a cidade

  1. Artur, como você está escrevendo bem! Fiquei foi com inveja desse menino que é capaz de criar, através da escrita, aventuras tão gostosas em tão boa companhia. O bolinho de chuva me deu água na boca e essa avó tão querida me trouxe saudades da minha. Beijos querido.

  2. Meu filho, esta eu realmente AMEI!!
    Ouço a Emília, aqui, pertinho de mim, contando tudo isso… e imagino as cenas… Uma beleza de Memória!
    beijo!

  3. Artur,
    Como todos já disseram, é sempre um prazer ler suas histórias – bem escritas, com humor, mas com belas ideias! – e, sempre, DELICIOSAS!!!!!! E as ilustrações? Estão maravilhosas! Você é 10!!!! Parabéns e continue nos dando a alegria de poder ler os seus textos!
    Um beijo,
    Tania

  4. Ah… que delícia de história! Você incorporou a Emília direitinho, até no jeito de pensar! Este é o Artur que conheço: sucateiro, arteiro, escrivinhador e contador de histórias. Fico imaginando a cara de felicidade de sua mãe ao ler uma história tão bem elaborada e gostosa de se ler! Parabéns, pequeno, você já é grande na arte da escrita!
    Um grande e orgulhoso beijo.
    “Vó de verdade”

  5. Arthur, caí de amores por sua história! estou ficando sua fã.
    Essa é mais arrebatadora dentre todas as que li.
    É uma beleza ver seu texto está mais solto, fluente e delicioso de ser lido.
    Parabéns!!! já estou na expectativa da próxima.
    Beijos,
    Magnólia

  6. ADOREI ARTUR!!!! Essa estória está sensacional. Parabéns por você estar escrevendo a cada dia melhor. Vejo que já é um grande autor. PARABÉNS!!!
    AMO VOCÊ!

  7. Ah, esse menino Artur foi uma bela amizade que o pessoal do sítio conquistou na cidade, sortudos! Agora, eles bem que poderiam jogar pó de pirlimpimpim no elefante pra ele voltar pra sua casa na África, não é? Ou será que este era da Ásia?
    Tá ótima a história, imaginei perfeitamente a Emília falando, você pegou o jeitinho maroto dela de contar as coisas, hehehe
    Parabéns querido, você está cada vez melhor!!!!
    Beijos, Mari

  8. Artur, ADOREI essa história! Adorei conhecer essa memória inédita da Emília! Vou até mostrá-la para uma amiga que é especialista na obra de Monteiro Lobato. Aposto que essa, ela também não conhece! Parabéns, seu texto é muito bacana, além de muito bem humorado. Me lembra até a Eva Furnari. Será que alguma história da autora poderia te inspirar? Você conhece a obra da Eva Furnari? Um beijo, Naza

  9. Artur, como o povo todo já está dizendo, suas estórias estão cada vez melhores!
    Sua avó deve estar toda feliz de ter aparecido na estória, ainda mais de saber que você a considera uma ótima cozinheira. Beijo grande, Alice.

  10. Artur, sinceramente? Estou até sem palavras… Cara, você está ficando muito bom MEEEEEESSSSSMO nessa coisa de escrever estórias. Então vou resumir: SENSACIONAL. Parabéns!

  11. Arthur, cada vez suas histórias estão melhores e mais engraçadas.Fiquei de olho grande nos bolinhos de chuva da sua avó, sou um bocado parecida com a Emília, que tal me convidar pra comer uns bolinhos de chuva e um passeio no Zôo?Um beijão pra minha Lobinha e outro pro “meu” Lobinho.

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