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Cinema, literatura e imaginação

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01jul

Por Marcus Tavares

A noite de abertura da 12ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, realizada no dia 28 de junho, foi dedicada ao poeta brasileiro Manoel de Barros, de 97 anos. Nas palavras da coordenadora Luiza Lins, a poesia dele retrata as crianças e a natureza, as brincadeiras de pés descalços, as frutas tiradas das árvores e os animais. “Tudo o que a gente é mais tarde vem da infância. Acho que essa frase do Manoel de Barros sintetiza muito que a mostra acredita: que todas as experiências da infância são determinantes para formar o adulto”, discursou.

Além de exibir o documentário As árvores de Manoel, de Fabio Hacher, inspirado no livro O menino do mato, do próprio Manoel de Barros, a mostra contemplou o poeta com o Prêmio Amigo do Cinema Infantil, recebido pela bisneta do artista, Stella Barros.

“É uma homenagem legal. Meu bisavó é especial, pois ele enxerga a vida de um jeito diferente das outras pessoas. Enxerga a vida com mais felicidade,mais energia. Acho que ele sente e vive como criança”, contou Stella Barros, de 11 anos, para a revistapontocom.

Segundo Stella, o poeta, que vive no Mato Grosso do Sul, ainda escreve. Tem algumas dificuldades para andar e enxergar, mas não deixa de pensar e escrever suas histórias. A poesia preferida de Stella é Meu avó.

Meu avô dava grandeza ao abandono.
Era com ele que vinham os ventos a conversar
Sentava-se o velho sobre uma pedra nos fundos do quintal
E vinham as pombas e vinham as moscas a conversar.
Saía do fundo do quintal para dentro da casa
E vinham os gatos a conversar com ele.
Tenho certeza que o meu avô enriquecia a palavra abandono.
Ele ampliava a solidão dessa palavra.

“Penso um dia, quem sabe, fazer um documentário sobre a vida dele. Seria bem bacana”, avalia Stella, que nesta edição assumiu a função de repórter-mirim da mostra.

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