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Computador está na sala de aula, mas o que se faz com ele?

4 comentários
Publicado em Matérias
13jan

 

computador

 

O Centro de Estudos da Fundação Victor Civita, em parceria com o Ibope e o Laboratório de Sistemas Integráveis da Universidade de São Paulo, acaba de divulgar uma pesquisa com 400 escolas públicas de 13 capitais brasileiras que revela a quantas anda o uso do computador e da internet nas instituições de ensino. O estudo aponta que, apesar de os dados levantados sobre recursos e infraestrutura serem favoráveis, falta formação qualificada para professores e gestores.


A pesquisa revela que 98% das unidades têm computador, impressora, TV e DVD. Projetor ou data show estão presentes em 85% dos casos, assim como máquina fotográfica digital (79%) e filmadora (50%). O acesso à internet já é via banda larga em 83% das escolas. No entanto, o desafio é colocar tudo a serviço da aprendizagem, pois 73% têm laboratório de informática, mas quase um quinto deles não usa o espaço para atividades com os alunos.


Para o professor do Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas na Educação (Lantec) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sérgio Amaral, o investimento feito pelos governos – federal, estadual ou municipal – para equipar as escolas se tornam “uma estupidez” se não houver preparação dos professores para trabalhar com as tecnologias.


“Não adianta nada instrumentalizar. O computador já é uma realidade na escola, mas o problema fundamental é que o professor não utiliza o recurso como instrumento didático. É ínfimo o potencial que se está utilizando”, aponta o especialista.


Segundo Amaral, a falta de preparo vem da base. Os próprios cursos de graduação não preparam os futuros educadores para a tarefa. E a maioria dos cursos oferecidos posteriormente, segundo ele, é “instrumental”. “O que o professor precisa não é de um treinamento para dominar as tecnologias da informática. Ele precisa aprender a usar esses recursos, qual é a didática por trás”, defende.


Para Amaral, quando o recurso é mal utilizado acaba sendo apenas um gerador de despesas. “Um computador caro, vira um retroprojetor”. E essa subutilização tem impacto no aprendizado do aluno. “A criança já tem contato com o mundo digital pelo celular, pelo videogame, nas lan houses. É preciso criar a aproximação desses sujeitos [professor e aluno]. Caso contrário, o desinteresse e o distanciamento continuam sistêmicos”, diz.


O estudo aponta que apenas 28% das escolas contam com um professor orientador de informática. Segundo Ângela Danneman, diretora executiva da Fundação Victor Civita, responsável pela pesquisa, esse foi o modelo adotado pelo sistema educacional brasileiro para introduzir e administrar as tecnologias nas escolas.


“Onde esse professor está, o trabalho é melhor”, aponta Ângela. Mas ainda assim, em apenas 9% das escolas ele tem a função de formar outros professores. “O importante é garantir a formação de todos os professores, [o que vai] melhorar a utilização da tecnologia como ferramenta para a aprendizagem de todos os conteúdos”, indica.
 

Conclusões da pesquisa

 – Quanto maior o tamanho da escola e os recursos e infraestrutura disponíveis mais proficiente é a utilização do computador e internet no processo de aprendizagem.


– A presença do professor orientador de Informática Educativa influi na utilização da tecnologia como ferramenta de aprendizagem.

– A tecnologia deve ser integrada ao Projeto Político Pedagógico da escola, no seu monitoramento e avaliação, e ao planejamento de atividades pelo professor.

– A maioria das escolas tem recursos materiais para fazer algum tipo de uso pedagógico do computador.

– Apesar dos dados levantados sobre recursos e infraestrutura serem favoráveis, as escolas percebem como principais problemas: infraestrutura (43%), formação de professores (28%), problemas com acesso à internet (17%).

– A formação oferecida não é percebida como suficiente e adequada, pois falta preparo para o uso da tecnologia focado na aprendizagem de conteúdos e no desenvolvimento de competências e habilidades dos alunos.

– O número de professores que usam a tecnologia com seus alunos é ainda pequeno e este uso se dá eminentemente no laboratório de informática.

– Na maioria das escolas as atividades que utilizam tecnologia e são realizadas com os alunos tem pouca complexidade ou usam de recursos simples.

– Após a análise dos relatos das escolas pesquisadas, não foi verificado nenhum exemplo de utilização de tecnologia para o ensino e aprendizagem de um conteúdo específico que mereça destaque.

– O levantamento revela que o número de computadores faz diferença. As escolas que possuem mais de 20 computadores, professores e alunos usam os aparelhos com fins pedagógicos em atividades mais complexas. Até 20 máquinas, os alunos usam os computadores com seus professores, mas apenas para atividades simples. Unidades escolares que têm até 15 micros usam os computadores para fins administrativos e pedagógicos, sem a presença dos alunos. E as que possuem de um a 12 computadores, o uso limita-se a atividades administrativas e/ou em atividades pedagógicas pouco complexas, também sem a presença dos estudantes.

Veja a pesquisa na íntegra

4 thoughts on “Computador está na sala de aula, mas o que se faz com ele?

  1. Tendo em vista que as tecnologias que são: lápis, caderno, ou seja, material didático em sala de aula não tem trazido estímulo para o aluno; Onde o professor insiste incansavelmente à atenção dos alunos; A pesquisa apresentada traz a realidade da falta de motivação, tanto dos docentes quanto dos dissidentes na sala escolar é de fato real.

  2. Excelente artigo. Não basta aprender a usar a máquina e fazer uma pesquisa, mas o que pesquisa é essa? Ela acrescenta o que no conhecimento? O conhecimento adquirido modificrá o comportamento? Acredito nas tecnologias como suporte aos embasamentos dos conhecimentos que tomam posição frente o comportamento da sociedade de nosso tempo.

    Saudações

    Ubirajara Augusto

  3. Hoje, já encontramos as diferentes tecnologias digitais disponíveis no ambiente escolar, sejam elas propriedades da escola, do professor ou do aluno. O maior desafio é se permitir pensar e agir numa prática educativa não-convencional, abrir mãos dos conteúdos preestabelecidos e do espaço-tempo limitado, entendendo também as relações de sociabilidade virtual aluno-professor-aluno como parte integrante do processo de aprendizagem mútua e como extensão da escola. É possível perceber que administrativamente, ainda, nos deparamos com diários de classe e grades de horários engessados, geradores de impasses para inovações em sala de aula. Precisamos acreditar e motivar os educadores que no dia a dia têm a coragem de “mudar” sem pretensão, quando foge ao senso comum e experiencia o diferente. São esses “tipos” que vêm marcando a história da humanidade, com ousadias só legitimadas tempos depois.
    O computador agora está em nossas mãos, basta um celular com seus softwares,laboratório de informática está virando “política pública”… O caminho é particular diante de tantas possibilidade. Não há como caminharmos em direção a uma “pedagogia da/do …”, “metodologia da/do…..”, ou qualquer outra fórmula, porque estamos vivendo um momento (pós-modernidade) de valorização do múltiplo, do aleatório, da complexidade.
    O tema da matéria “O computador está na sala de aula, mas o que fazer com ele?”, foi muito apropriado, pois até mesmo as escolas no interior das grandes cidades, onde a energia elétrica é precária, provavelmente terá, em suas salas de aulas, alunos com celulares de última geração. E a “realidade digital” certamente estará presente na fala e nas atitudes de todos que compõem o cotidiano escolar.

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