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Professor e ensino em reality show?

2 comentários
24nov

Quadro do Fantástico acompanha o cotidiano de 4 professores.
Assista os vídeos abaixo e comente.

 

Há duas semanas o programa Fantástico, da TV Globo, iniciou uma série de reportagem chamada Conselho de Classe, que tem o objetivo de mostrar a realidade de quatro professores da Escola Municipal República do Peru, da Prefeitura do Rio de Janeiro. Já foram exibidos dois episódios: um de apresentação e o outro, neste último domingo, que mostrou também o dia a dia dos professores dentro e fora da sala de aula.

A revistapontocom leu os comentários que foram postados pelos internautas na página oficial do Fantástico sobre o segundo episódio. Muitos congratulam o programa. Vão além: parabenizam a categoria dos professores pela paciência, dedicação e trabalho. Outros chamam a atenção para a posição meio que vexatória em que os professores foram colocados, para a super exposição dos alunos e para a edição realizada pela produção do programa, que torna o cotidiano escolar numa narrativa de entretenimento.

Leitores da revistapontocom nos enviaram e-mails pedindo que divulgássemos tanto o programa quanto as análises dos internautas. Alguns questionam o porquê da série ser exibida no final do ano, época em que estão previstas as matrículas dos alunos, período em que pais e mães avaliam e revaliam a qualidade do ensino. Outros perguntam se escolas tradicionais da rede privada deixariam que seus alunos e professores fossem expostos de tal maneira.

A revistapontocom entrou em contato com a secretária municipal de Educação do Rio, Claudia Costin,  para obter a avaliação da Secretaria sobre o quadro do programa. Mas até a publicação desta matéria, não obteve nenhum retorno.

Fica aberta à discussão. Participe e comente.

 

2 thoughts on “Professor e ensino em reality show?

  1. Só agora tive tempo de escrever, e ainda bem, pois estava quase sufocando com tamanha indignação.
    Considero ridículo, um desserviço de inutilidade pública, que poderia até ser minimizado não fosse o riso contido nas falas dos apresentadores. Professoras e professores foram colocados como entretenimento, quando sofremos (todos!) com a ausência de análise séria, propositiva e que aponte caminhos por onde seguir com esta gurizada que desdenha do saber, desdenha da profissão que elege o conhecimento como escada para nos elevar na condição de humanos, mulheres e homens.
    Caso tivesse acontecido em minha cidade. ou no Estado para o qual trabalho, a primeira pergunta seria jurídica: não houve extrapolação da mídia ao tentar passar uma “realidade”? ou agora devemos nos acostumar, por exemplo, a ver médicos operando seus pacientes, e o sangue respingando na tela, para nos condoermos com o sofrimento alheio? Ou ainda seremos submetidos a entreter-nos (que distorção de termos!) ao ver advogados confabulando sobre os acordos que minimizam penas para seus clientes afortunados, e que foram pegos “na ilegalidade”? Obviamente são apenas suposições que faço, pois ninguém pensa em divertir-se desta maneira. Por que então divertir-se às custas de tão árduo trabalho, que é a docência? Por que colocar-nos, nós os profissionais da educação em picadeiros e ter uma emissora de grande público a distribuir ingressos?
    Ops! A PRIMEIRA PERGUNTA seria de ordem jurídica, sim. Mas o conteúdo seria este: qual o objetivo do programa com a série? E, como mediriam o alcance ou não do objetivo proposto?
    Como receio não obtermos respostas, sugiro que deixemos de dar IBOPE a esta emissora que tantos desprazeres nos proporciona. Um outro mundo é possível, sem rede globo.

  2. Vou repetir o que postei no Facebook na segunda após a veiculação do programa:
    “A minha maior crítica é a autoridade municipal ter permitido que a emissora produza esse tipo de espetáculo na sala de aula da Rede Municipal do Rio, cujo enredo acaba por ridicularizar alunos e professores da escola pública, potencializando situações esdrúxulas, já que isso dá audiência.(Veja bem: não estamos falando de jornalismo, mas de espetáculo. A série não é reportagem, é um reality show) Vc. acha que um Colégio São Bento, Teresiano ou Andrews abririam a porta para esse verdadeiro circo? Quem ganha com isso? Certamente não é a escola pública ou a rede municipal do Rio, tendo à frente a Secretária Claudia Costin. Duvido, mas duvido mesmo, que o staff da SME esteja satisfeito com o que está vendo. Ontem, no Metrô, ouvi um comentário de uma senhora que criticava a bagunça dos alunos do programa, reforçando, em seus comentários, que a Escola Pública está perdida. Mal sabe a referida senhora que a escola em questão, a Escola Municipal República do Peru tem uma gestão competente e um bom índice de aproveitamento. E a Escola Pública, com letra maiúscula sim, não está perdida não. Tem muita gente “brigando” por ela, há muitos anos. Porém, temos que admitir: da forma como a edição foi apresentada, aquilo ali é uma verdadeira bagunça e induz a erro. Detalhe: essa série está sendo lançada em pleno período de matrículas na rede municipal, quando muitos pais ficam em dúvida na hora de escolher essa ou aquela escola. É um verdadeiro desserviço. E, como diz Millor Fernandes, “não se desespere, dias piores virão”, a coisa não deve parar: para o próximo programa eles anunciaram mostrar que professores também fazem bagunça, exibindo uma prévia de um momento de descontração natural do grupo de docentes na sala de reuniões. Nada fora do comum, dentro da rotina de uma escola, mas que pode se transformar em maldade nas mãos de um competente editor de imagens. É Fantástico o show da vida…”

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