(21) 2220-3300
New here? Register. ×

Design thinking: nova tendência

2 comentários
10mar

Por Marcus Tavares

Nos dias em que se exige cada vez mais criatividade, crescem os estudos, oficinas e práticas de design thinking. Mas, afinal, o que é isso? A jornalista e consultora Gabriela Mafort, com formação em design thinking pela Universidade de Stanford, explica:Design thinking significa usar o modo de pensar e atuar dos designers em todas as áreas de negócios de uma empresa. É uma mudança de postura, de modelo mental. Ele passa a estimular equipes inteiras a se planejar de acordo com as necessidades de seus clientes, por isso o método ganha importância estratégica nos dias atuais, em que a inovação aberta – com o uso de redes de colaboradores no dia a dia da empresa – cada vez mais dá as cartas”.

Em  entrevista à revistapontocom, Mafort conta detalhes do conceito e de como ele funciona na prática. Traz dados do impacto da atividade nas empresas e explica que a dinâmica já vem sendo aplicada em escolas americanas, com o objetivo de buscar inovações, novas formas de ensino e de aprendizagem.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – De onde surge o conceito design thinking? Está ligado às grandes empresas ou vem se popularizando?
Gabriela Mafort – O termo design thinking foi criado pelo designer americano David Kelley, que passou a aplicar a metodologia de trabalho dos designers em todos os aspectos dos negócios de uma empresa. Kelley, fundador da consultoria IDEO e hoje à frente da Escola de Design Thinking da Universidade de Stanford, criou esta metodologia que tem o objetivo de estabelecer uma correspondência entre as necessidades humanas e os recursos técnicos disponíveis, considerando também as restrições práticas dos negócios, criando um ambiente colaborativo em que a inovação acontece naturalmente. O design thinking é usado cada vez mais ao redor do mundo, em todos os campos de negócios. O método vem ganhando status e hoje grandes empresas criam departamentos inteiros dedicados a ele. Mas é importante frisar que o design thinking pode ser usado tanto por uma empresa pequena quanto uma grande, das startups [o que são startupus] às multinacionais.

revistapontocom – Mas, na prática, o que significa design thinking?
Gabriela Mafort – Design thinking significa usar o modo de pensar e atuar dos designers em todas as áreas de negócios de uma empresa. É uma mudança de postura, de modelo mental. Ele passa a estimular equipes inteiras a se planejar de acordo com as necessidades de seus clientes, por isso o método ganha importância estratégica nos dias atuais, em que a inovação aberta – com o uso de redes de colaboradores no dia a dia da empresa – cada vez mais dá as cartas. Outro pilar do design thinking é o estímulo à prototipagem rápida de ideias e projetos, o que dá mais agilidade e torna mais barato o processo de inovação. E uma terceira característica, já citada anteriormente, é usar a colaboração radical como base dos projetos. Unindo todos os “passos” do design thinking, o que resulta em uma empresa que inova “sem perceber”. Ou seja, a inovação passa a fazer parte do DNA da empresa. É uma mudança de chip.

revistapontocom – Como ‘se aprende’ a atuar nesta nova perspectiva?
Gabriela Mafort – Por meio de workshops e treinamentos. O importante é estar sempre se atualizando e acompanhando as publicações sobre o assunto. Na Escola de Design Thinking de Stanford, por onde passei, a regra geral é criar uma rede de colaboração que mantenha o método vivo para ir se aprimorando sempre. Estamos trazendo para o Brasil cursos interessantes. Mas colocando um pouco do tempero brasileiro.

revistapontocom – Não seria apenas um novo termo para algo que sempre existiu: uma combinação de criatividade e inovação?
Gabriela Mafort – A inovação é a criatividade traduzida na prática, ou seja, inovar é transformar ideias criativas em resultados palpáveis, aplicados no mercado no tempo certo. Nem toda ideia criativa é inovadora se ela não atende uma necessidade do mercado na época em que foi criada. O Design Thinking é um método focado, uma espécie de guia para a inovação empresarial, que não apenas potencializa a geração de ideias criativas, mas filtra de forma ágil aquelas com potencial de se transformarem em soluções inovadoras para negócios. Acho que uma boa definição para o Design Thinking surgiu aqui: a criatividade traduzida em inovação. 

revistapontocom  Quais são as vantagens de se trabalhar com design thinking?
Gabriela Mafort – Resultado e adaptação às mudanças trazidas pela Era do Conhecimento. Uma pesquisa da FGV com gestores do método ao redor do mundo mostrou que cerca de 80% deles percebeu que as empresas geraram soluções mais criativas e mais ágeis quando passaram a usar o design thinking, incluindo aí também companhias brasileiras. O design thinking torna a empresa mais colaborativa e por isso, mais competitiva, uma vez que a cultura da colaboração é a chave que dá acesso ao século XXI. Hoje uma empresa se torna mais competitiva à medida que é mais colaborativa. E o design thinking constrói o novo modelo mental para esta transição acontecer. As vantagens chegam também aos resultados financeiros, mais de 70% dos gestores entrevistados pela pesquisa perceberam melhora nas finanças das empresas.

revistapontocom  Quais são os desafios de se trabalhar nesta perspectiva?
Gabriela Mafort – O desafio é conseguir colocar em prática uma estratégia transversal na empresa, que faça com que todos os colaboradores, desde o presidente até os funcionários do nível hierárquico mais distante, pensem da mesma forma, com o objetivo final de aprimorar os produtos e serviços de acordo com as necessidades dos clientes. E importante dizer, o design thinking é um modelo de inovação que permite estreitar as distâncias entre níveis hierárquicos, muitas vezes extinguindo-as. No Brasil, algumas empresas com Alpargatas e Positivo Informática abraçaram a causa e usam o método para inovar e sair à frente, criando mercados completamente novos. A IBM, por exemplo criou um Laboratório de Pesquisa no Texas quem tem como base o design thinking. A Procter and Gamble capacitou uma equipe inteira.

revistapontocom – É possível trazer o conceito do design thinking para o dia a dia das escolas? Há alguma experiência neste sentido?
Gabriela Mafort – Totalmente possível. Inclusive isso já ocorre em alguns países do mundo e os resultados têm sido fantásticos. Por meio de workshops e oficinas, ou mesmo os BootCamps, que são os workshops em que os participantes saem a campo, os objetivos deste modelo de inovação são atingidos. Uma escola em Santa Mônica, na Califórnia, mudou toda a pedagogia de ensino usando o design thinking como motor indutor e os resultados dos alunos, as notas, melhoraram e muito. Com isso, a escola subiu de posição no ranking nacional. Em Nova York, o design thinking foi a ferramenta chave para a reforma de salas de aulas, que se transformaram em espaços mais confortáveis de aprendizagem. O resultado também foi medido pela melhora no desempenho dos alunos, sem contar o ambiente de inovação em que a escola se tornou.

revistapontocom – Como, na prática, o design thinking pode auxiliar o dia a dia da escola?
Gabriela Mafort – Em geral, o design thinking é uma ferramenta que auxilia a escola em processos de mudança, de inovação. E tudo isso partindo das necessidades que são apresentadas pelos alunos e professores  Se a escola tem uma meta de inovar em processos de ensino, por exemplo, as oficinas de design thinking facilitam a descoberta de estratégias para criar experiências de aprendizagem adaptadas ao século XXI.

2 thoughts on “Design thinking: nova tendência

  1. Estou apaixonada pelo Design Thinking,
    Precisamos ter uma mente aberta para as mudanças tão esperadas para educação no Brasil.
    Fico pensando a cada momento como posso utilizar esta técnica com meus alunos dentro do meu conteúdo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *