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E o cheirinho de livro?!

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Publicado em Matérias
28ago

Por Vanessa Rodrigues, do Portal Educa Rede

Provavelmente já não será mais possível falar de literatura sem discutir os e-books. Abreviação de eletronic books (ou “livros eletrônicos”), os e-books, como o próprio nome diz, são livros em formato digital e não mais impressos em papel, como aqueles tradicionais.

Indo mais além, com o advento do tablet, como o Kindle e o IPad, mais do que livros tradicionais disponibilizados em formato digital, haverá uma produção específica de literatura para esta mídia, aproveitando todos os recursos que ela oferece, como a possibilidade de interação, por exemplo. Seriam os “livros ‘nativos digitais’”, como afirmou Cristiane Costa, doutora em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que vem se especializando em novas estratégias narrativas em mídias digitais.

Cristiane Costa foi a mediadora da mesa “O Livro – capítulo 2”, que contou com a presença de Robert Darton – historiador e diretor da biblioteca de Harvard -, e John Makinson – presidente da Penguin Books, editora especializada na edição e venda de livros de qualidade a preço baixo. O debate aconteceu durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada entre os dias 4 e 8 de agosto.

Já na noite anterior, na mesa “O Livro – capítulo 1”,  com mediação da mesma Cristiane Costa, Darton declarou: “O futuro é digital”, dando o gancho necessário para que a discussão continuasse na manhã seguinte de maneira bem mais aquecida. O historiador ratificou esta afirmação, mas fez questão de frisar que isso não representa a morte do livro. “Vivemos um período de transição e é possível criar novas formas nas quais livros digitais e analógicos se complementam. O livro não morreu”. Declaração que deve ter provocado alívio para aqueles cuja relação com o livro começa pelo olfato.

Depois da mesa, o Portal EducaRede aproveitou para conversar com a mediadora, que comentou especificamente sobre a produção de livros didáticos e a educação na era dos dispositivos digitais. “A indústria do livro está preocupada”, afirmou Cristiane Costa.
Para a estudiosa, o tema dos direitos autorais é outro aspecto que vem aquecendo o debate. “Darnton mesmo levantou que esta discussão vem desde o século XVII, com o Iluminismo: afinal, o conhecimento é um bem individual ou bem comum? Até que ponto podemos privatizar o conhecimento? A produção digital barateia muito o processo e possibilita o compartilhamento quase de graça. A questão é descobrir quem vai pagar a conta.”

Cristiane Costa destaca a experiência da Califórnia, onde o governador Arnold Schwarzenegger teria determinado o uso de e-books para algumas disciplinas, não mais comprando livros didáticos em papel: “Os alunos usam um tablet e, com isso, fazem download de todo o conteúdo que precisam. O processo ficou muito mais barato, porque diminuíram os custos de produção, distribuição e estocagem. Sem falar que os estudantes interagem com o livro, o que deixa o aprendizado muito mais lúdico e divertido.”

Ela aponta o ano de 2010 como um divisor de águas no mercado editorial, por causa do lançamento do iPad, que permite inúmeras possibilidades de interação. No meio de tantas mudanças e revoluções, defende que o papel dos educadores será, cada vez mais, o de mediadores, oferecendo e recebendo ensinamentos e aprendizados.

“A geração dos ‘nativos digitais’ sabe muito mais do que a gente sobre tecnologias. Mas, por serem muito jovens, ainda não têm experiência acumulada para fazer os links entre as informações e o conhecimento. Aí é que a gente entra. Todo mundo vai aprender junto”, diz.

Segundo Cristiane, ao contrário do que diz o senso comum, a Geração Y não é individualista, e, sim, extremamente generosa, porque já nasce sob a perspectiva do compartilhamento. “Eles estão o tempo todo se comunicando e trocando coisas”. Na entrevista, Costa também afirma que o “pulo do gato” para o livro digital didático será o game (jogos eletrônicos). “Tem muita gente estudando game seriamente. Sua capacidade de mobilização é muito grande. Se conseguirmos levar isso para a educação, será genial!”.

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