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É possível unir cinema e escola?

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Publicado em Matérias
04dez

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Por Marcus Tavares

De que forma o cinema deve entrar na escola? Pela porta da frente? Então, como disciplina? Ou seria por meio de uma prática de extensão? Ou, quem sabe ainda, como uma atividade laboratorial? Ao querer incorporar o cinema, a escola vai sistematizar e racionalizar o conhecimento, a arte, a emoção? Este é o caminho?

Definitivamente, conjugar cinema, escola e currículo não é uma tarefa nada fácil, nem para estudiosos no assunto. Mas uma coisa é certa: é preciso encontrar um caminho, pois a sétima arte, o audiovisual, participa da realidade, da constituição de valores, conhecimentos e da identidade das pessoas. Esse foi o recado dado pelos professores que participaram da mesa redonda Cinema, cultura e currículo: propostas contemporâneas, do primeiro dia do II Encontro Internacional de Cinema e Educação da UFRJ, realizado na última segunda-feira.

Mediada pela professora Rosália Duarte, do Departamento de Pós-Graduação em Educação da PUC-Rio, a mesa contou com a presença de Marília Franco, da Escola de Comunicações e Arte da USP; de Carmen Teresa Gabriel, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ; de Cristina Miranda, do Colégio de Aplicação da UFRJ; e de João Luiz Leocádio, professor do curso de cinema da UFF.

Segundo a professora Marília Franco, o cinema faz aflorar nas pessoas competências cognitivas que a educação formal e tradicional recalcam. O cinema é, portanto, revolucionário. Para Marília, a escola ainda trabalha no paradigma do saber centralizado e formalizado, que se baseia no sentido da acumulação de conhecimentos, quando, no mundo atual, esse conhecimento está cada vez mais “explodido e disperso” e precisa ser cada vez mais selecionado. Neste sentido, diz a professora, a escola olha para o conhecimento e não para o sujeito.

De acordo com Franco, enquanto a escola entender o ensino e o conhecimento sob a perspectiva da acumulação, o cinema, assim como qualquer outro produto audiovisual, não conseguirá ser bem trabalhado como prática pedagógica, como provocador de uma educação da sensibilidade e do estético em contraposição a uma educação baseada na racionalidade e na sistematização de dados.

Polemizando o debate, a professora Carmen Tereza destacou as especificidades – tradicionais, claras e, de certa forma, dissonantes – entre a escola e o cinema, instigando o público a pensar de que maneira então, por meio do currículo, a sétima arte poderia se integrar à escola de uma forma contundente, oficial e pela porta da frente.

Cristina Miranda, do Colégio de Aplicação da UFRJ, trouxe um pouco da experiência dos alunos da sua instituição, que tem o objetivo de aproximar a linguagem cinematográfica do cotidiano das crianças, desmistificando a construção do cinema e possibilitando, inclusive, uma visão crítica do meio.

Trabalho que o curso de cinema da UFF quer auxiliar. Em sua fala, o professor Leocádio anunciou que a instituição, a partir do próximo ano, oferecerá licenciatura em audiovisual para os estudantes. A ideia é capacitá-los para trabalhar com o cinema na sala de aula.

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