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Mídia e educação na sala de aula

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Publicado em Matérias
04dez

Escola de Recife mostra talento e bons resultados no uso da mídia. Alunos participam há três anos de oficinas de rádio, vídeo e jornal  

Quem pensa que o uso de mídia na sala de aula é uma realidade apenas de escolas particulares ou de grandes centros urbanos do país, como o eixo Rio-São Paulo, precisa ficar mais atento. A cada dia que passa, cresce o número de experiências exitosas em todo o país e em instituições públicas, mostrando o quanto é possível e produtivo trabalhar na interface mídia e educação.

Um dos destaques da atual safra de bons projetos vem de Recife, Pernambuco. Há três anos, os alunos da Escola de Referência do Ensino Médio Cícero Dias, localizada em Boa Viagem, participam das oficinas do Espaço Mídia Educação, nas quais atuam como protagonistas e produtores de conteúdo em três áreas: rádio, vídeo e jornal.  Os alunos já colhem bons resultados dentro e fora da escola. Um dos trabalhos – o curta Carbono 14 – participou este ano do Programa Vídeo Fórum da Mostra Geração, segmento infanto-juvenil do Festival do Rio. Alunos e professores estiveram no evento, exibindo a obra e trocando informações.

“Foi muito legal participar do Festival do Rio. O curta mostra como os pesquisadores utilizam o Carbono 14 para datar as idades dos fósseis. A idéia surgiu a partir de um trabalho proposto pelo professor de Química. A turma resolveu fazer uma animação e nos procurou. Estávamos desenvolvendo atividades no Espaço Mídia Educação da escola. Foi um trabalho de equipe que reuniu a turma do professor de Química e nós do Espaço. Fizemos tudo, do roteiro à edição final”, explicam Sheyla Maria, 18 anos, e Tatiana Martorelli, 17 anos, alunas das oficinas de vídeo da escola.

Para o coordenador do Espaço Mídia-Educação, professor Júlio Horta, a riqueza de todo o trabalho está exatamente no processo de produção, no qual um dos objetivos é transformar o olhar dos jovens. “Queremos tirá-los da posição de simples consumidores de mídias. A idéia é transformá-los em consumidores críticos e, mais do que isso, em produtores. Se o aluno desenvolve o olhar critico, ele pode intervir socialmente”, avalia.

De acordo com Júlio, o uso da mídia na sala de aula possibilita uma maior e mais consistente aproximação entre a escola e os alunos e, principalmente, entre os professores e os estudantes. Segundo ele, os projetos do Espaço Mídia Educação são desenvolvidos em paralelo com a rotina da sala de aula. “Não temos um modelo pronto, acabado. Ele é livre e conectado com as diversas áreas do conhecimento. A comunicação entre os professores de sala de aula e o do núcleo de mídia é essencial, como foi o caso do Carbono 14. Utilizamos a mídia para educar, o que torna o aprendizado mais contextualizado, lúdico e prazeroso. O estudante, que antes era apático e desinteressado, está, agora, trabalhando e produzindo. E o professor gerando interesse”, resume.

Que o digam as estudantes Sheyla Maria e Tatiana Martorelli. Segundo elas, ir para a escola não é mais uma obrigação, mas um compromisso que envolve prazer, estudo e aprendizado. “O ensino ficou muito mais interessante. Ao chegar em casa todos os dias, conto para a minha mãe e meu irmão o que aprendi. Até eles ficam felizes. Acho que isso é geral, acontece com todos os alunos”, destaca Tatiana.

Para Sheyla, mexer com câmeras, entrevistar, gravar e editar é instigante. Mas, para que tudo dê certo é preciso estudar também. “Recentemente, propomos à professora de Biologia a realização de um vídeo para falar sobre o metabolismo energético das células. A professora deu sinal verde. Fizemos um telejornal. Pesquisamos, estudamos e dividimos os assuntos ao longo do programa. Na hora de escrever o roteiro, tivemos que nos fazer entender. Para isso, foi preciso conhecer bastante o assunto”, explica.

Na avaliação do professor Júlio Horta, todo trabalho produzido revela o quanto as linguagens da mídia estão alavancando a aprendizagem e a interação entre alunos e professores. “Contamos com a parceria do Instituto Oi Futuro no desenvolvimento desta proposta. Mas acho que qualquer escola, com ou sem parceria, pode e deve desenvolvê-la. É uma idéia que chegou mesmo, que faz todo sentido e que é totalmente relevante para o sucesso da escola e dos alunos”, finaliza.

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