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Geração do remix

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09abr

Por Marcus Tavares

Como explicar que um vídeo caseiro, postado no You Tube, possa chamar tanto a atenção dos internautas, despertando, inclusive, o interesse de milhões de pessoas ao redor do mundo em remixá-lo, trazendo uma nova roupagem para a história e para os personagens?  O professor Michael Wesch, da Universidade de Kansas (EUA), vem se debruçando sobre este estudo, mais especificamente sobre a relação dos indivíduos com o You Tube. É ele o responsável pelo grupo Digital Ethnography.

Segundo Wesch, o You Tube possibilita que as pessoas tenham, cada vez mais, o que ele chama de hyper-self-awareness, ou seja, uma hiper consciência de si mesmo. O pesquisador afirma que os indivíduos que fazem uso da plataforma e que postam vídeos, deles próprios, têm a chance de serem vistos e mais do que isso: de se verem.

De acordo com o professor, a mídia, no caso o You Tube, proporciona uma conexão entre as pessoas sem coação, restrição ou constrangimento. “Elas se sentem relaxadas e têm a liberdade de usufruir a experiência humana sem medo e ansiedade”, conta.

Para Wesch, o You Tube cria uma nova forma de o ser humano se compreender. Em suas palestras, ele destaca que a partir do momento em que o internauta faz uma filmagem de si próprio e posta no You Tube é possível concluir duas coisas: o You Tube é o espaço mais privado e particular que existe no mundo, já que o indivíduo pode exibir a sua intimidade mais secreta. E, ao mesmo tempo, o espaço mais público do século XXI, pois tudo está ao alcance de todos, basta um clique. E nas contas do pesquisador, são os adolescentes que aumentam a estatística dos remixes no You Tube. Será?

A revistapontocom conversou com três adolescentes sobre o tema. Ygor Bahia e Caio Jun, ambos de 16 anos e alunos do curso de Produção Audiovisual da Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch (Eteab), e William da Silva Pinto, de 15 anos, estudante do curso de Narrativas Digitais, do Colégio Estadual José Leite Lopes – Nave. Todos localizados no Rio de Janeiro.

Para Ygor, o interesse dos jovens já começa pelo inusitado dos vídeos postados no You Tube. “Inusitado que, às vezes, não está nem no conteúdo, mas na forma como foi feito, produzido o vídeo. Pode ser uma bobagem que ninguém nunca pensou em ver na internet. Mas se for recheada de humor, de criatividade, pega, chama a atenção e faz com que os adolescentes queiram imitar e reproduzir”, diz o Ygor.

Caio Jun concorda com Ygor, mas acrescenta outro ponto. Para ele, a possibilidade de remixar um vídeo do e no You Tube é, muitas vezes, vista como uma oportunidade de se destacar, desde cedo, no mercado de trabalho. “Eu, por exemplo, desde novo, quando escutava uma música, tinha vontade de aprimorar aquela canção. Quando surgiu então a oportunidade, fui em frente. Fazer um remix é uma brincadeira, é a possibilidade de criar, de mostrar a sua produção. É tudo uma coisa só. É uma diversão. É uma forma de fazer a sua música preferida ou video do melhor jeito que você imagina, para no final mostrar a todos, ou pelo menos aos interessados, o tamanho da sua criatividade. E, talvez com isso, crescer na profissão”, destaca.

A última experiência de Caio foi remixar uma das músicas do grupo Coldplay (assista ao vídeo abaixo).  “Coloquei mais elementos na música – uma nova batida, uma reeditada no vocal, aumento do grave –, mas mantive o formato da música, não queria modificar muito, só queria deixá-la mais agitada, algo para as pessoas dançarem, curtí-la de uma forma menos sedentária”.

William também faz coro às afirmações de ambos estudantes da Eteab. Ele, resumidamente, explica porque os jovens se dedicam cada vez mais ao remix. São dois os motivos: “Primeiro, pelo prazer de mostrar algo para as pessoas e dizer ‘olha, fui eu que fiz isso’. É uma forma de entretenimento e diversão. Normalmente a pessoa vê o vídeo e pensa: ‘poxa, esse vídeo tem a ver comigo’. É por essa identificação pessoal que o jovem decide fazer alguma edição com imagens ou sons que remetam à sua personalidade, como uma maneira de se auto-homenagear. O segundo motivo é, digamos, mais técnico. O adolescente aprende a editar vídeos, a mexer com a tecnologia. E aí quer experimentar, quer produzir, quer criar”, finaliza.

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