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Literatura infantil

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12mar

Seria a literatura infantil uma literatura de segunda classe? Para o escritor espanhol Gonzalo Moure, que participou do 2º Congresso Iberoamericano de Língua e Literatura Infanto-juvenil (Cilelij), realizado pela Fundação SM, na Colômbia, no início do mês de março, parece que sim. Segundo ele, há razões para ignorá-la devido às limitações e orientações que o segmento segue: “Somos como pássaros dentro de gaiolas”, cujas grades limitam e condicionam, aprisionando e impedindo o crescimento da área.

Para Moure, há na literatura infantil muita intenção moralizante, quando não uma função pedagógica. Há uma preocupação em “formar” as crianças. “Na vida cotidiana, poucas vezes somos capazes de nos dirigir às crianças de forma horizontal sem tentar ensinar. A literatura infantil não é infantil nunca e a juvenil poucas vezes é juvenil. São os adultos, possuidores de valores humanos e humanísticos firmes, que escrevem para eles e este “para” é o pecado original da literatura infanto-juvenil”.

De acordo com o escritor, essa prática se reflete em obras literárias de cunho pedagógico, com livros destinados à prevenção e que não abordam assuntos considerados tabus, como sexo e religião. “O editor, disfarçadamente ou conscientemente, publica tais livros. E o escritor se submete a essa exigência”.

É esse aprisionamento que faz com que a literatura infanto-juvenil seja vista ou classificada como um subgênero literário, explica Moure. Em sua avaliação, o mundo é ainda muito polarizado, entre o bem versus o mal. “Se ela não se desprender do maniqueísmo imperante, será sempre um subgênero”.

O que seria, então, a verdadeira literatura? “A verdadeira literatura não responde a nada nem a ninguém. Ela recria o mundo sem se importar se o resultado final é correto ou incorreto”, define Moure, destacando que não há receitas ou fórmulas.

Em sua análise, a literatura infanto-juvenil não deve ter nenhuma obrigação. Tem de ter apenas qualidade e liberdade. Não se deve pedir nada da literatura, só que ela agrade e emocione. “Devemos ensinar a perguntar e não ensinar o que já sabemos. A revolução na educação/literatura vai se dar por aí”.

Fonte – Jornais Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo

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