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Humanos e ciberespaço: para onde vamos?

4 comentários
28ago

Por Marcus Tavares

Por onde passa, o filósofo teórico Pierre Levy, formado pela Universidade de Sourbonne, chama a atenção de jovens e adultos, muitos deles professores e estudantes. Não foi diferente o que ocorreu na última quinta-feira, no Rio, no espaço Oi Futuro Flamengo. Diante de uma plateia que lotou um dos auditórios do espaço e ocupou cada metro quadrado do saguão e da entrada do local, Pierre Levy, acompanhado do ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, falou sobre o poder da palavra na cibercultura.

Sob os olhares e, principalmente, ouvidos atentos do público, que acompanhava a palestra via telão e fones que traduziam a palestra, Levy, mais uma vez, fez com que as pessoas parassem e refletissem sobre o mundo cibernético na qual estão mergulhadas. Para começo de conversa, o filósofo demarcou o que separa os humanos dos animais, ponto de partida para o entendimento de quem somos e para onde vamos.

“O que nos diferencia dos animais é a nossa capacidade simbólica de categorizar, traduzida na linguagem. O que proponho aqui é uma meditação filosófica sobre o que chamo de inteligência coletiva, pensamento humano sustentado por conexões sociais que é criado por meio da utilização das redes de computação, internet”.

No planeta humano, o professor afirma que há duas esferas: o mundo material e o imaterial, ou o chamado simbólico. Diz Levy: “a natureza deve ser entendida de maneira material e imaterial e devemos compreender a constante relação entre o espiritual e o material”.

Ao relacionar esta concepção com o ciberespaço, Pierre destaca que, tecnicamente, a web vem possibilitando à humanidade a capacidade de maximizar o mundo material, transformando as relações humanas no tempo e no espaço: “Podemos, hoje, registrar e armazenar mais dados e também podemos nos comunicar de forma mais rápida e eficiente de qualquer lugar com o aumento das bandas de transmissão”.

Mas o que dizer do mundo simbólico? Eis a questão do filósofo. Na prática, Pierre se pergunta de que forma as ferramentas do ciberespaço podem promover a criação dos significados e dos sentidos e, num segundo momento, maximizá-los. “Nós temos a computação lógica, mas não a computação semântica. E é isso que eu quero inventar”.

Para além da URL, Levy propõe, portanto, a criação do USL, que, em português, poderia ser chamado de ‘Localizador Semântico Universal’, um sistema de endereçamento para metadados criados pelo conceito, pelo afeto, pelos significados, pelos sentidos. “Digamos que no ciberespaço nós somos pequenas formigas nos comunicando e o resultado é uma espécie de inteligência coletiva que já existe. Agora, elas serão capazes de abrir asas, como uma borboleta, e enxergar todos os trabalhos das formigas.”

Na visão do filósofo este é o caminho que a humanidade está trilhando e, ele, no momento, refletindo. Diga-se de passagem, já há algum tempo.

Pílulas  de Levy para pensar

Cultura – “A cultura pode ser entendida como um processo de recepção de memória e de significado de uma geração para outra geração”.

Ciberespaço – “O ciberespaço torna-se, hoje, um novo meio de organizar a memória humana, que tem a ver com a nossa capacidade de pensar e, portanto, com a nossa chamada inteligência coletiva”.

Gerações – “A dificuldade que existe de uma geração para entender a outra vai aumentar. A evolução da mídia vai acelerar essa distância”.

4 thoughts on “Humanos e ciberespaço: para onde vamos?

  1. Impossível posicionar-me contra esse fato,todavia é de suma importância a participação dos responsáveis quanto a aproximação da WEB pelos(as) jovens, pois muitos tem tido seus destinos ceifados da face da terra por não ter seguido normas até fáceis demais para o correto uso dos meios da ¨Grande¨ revolução tecnológica !

  2. Reflito que estamos vivenciando um momento novo, enfim, um contexto voltado para a tecnologia e suas iinovações. Ganhamos quantitativamente com tais mudanças e perdemos qualitativamente em outros aspectos que envolvem nossas vidas. Muitas vezes enviamos um email para um parente que nem mora tão longe de nosso bairro, noutras, enviamos ou recebemos uma mensagem legal e interessante num site de relacionamento e mal cumprimentamos e olhamos nos olhos do nosso vizinho ao lado, mas tudo bem.
    Nosso contexto envolve isso; O tempo está escasso, o dia está curto para tantas atribuições e tantas informações que nos chegam de forma tão veloz. Todavia, continuamos humanos e desejosos pela felicidade, ainda que experenciando a busca pela mesma por intermédio do mundo virtual.

  3. Estamos vivendo um momento semelhante ao o que ocorreu na Revolução Industrial. Agora é a Revolução Tecnológica. Se o conceito de adolescência surgiu com a substituição da mão de obra pela máquina, prolongando a infância, hoje, com menos oportunidades de trabalho, muitos jovens tornam-se estudantes profissionais, permanecendo até os 30 anos na casa dos pais. Esse é apenas um dos fenômenos sociais recentes. A sociedade está buscando novas formas de se organizar e se relacionar. Somente daqui a algumas décadas será descrito o que estamos vivendo hoje. Ou seja, estamos no “olho do furacão”. Não é uma visão alarmista, pelo contrário, é uma posição de observação e busca de entendimento dos processos de mudança.
    Em relação à fala de Pierre Lèvy, compreendo que a tecnologia vem armazenando uma memória coletiva do que podemos chamar dos aspectos denotativos das coisas, ou seja, das características inerentes a elas e compartilhadas por todos, como as de natureza física: se são duras ou moles, ásperas ou lisas, vermelhas ou azuis, redondas ou quadradas. Porém, no plano simbólico, a percepção da coisa depende da forma como cada pessoa se relaciona com ela. Depende do momento vivido: do contexto, das sensações e das emoções. Esses atributos, conhecidos como conotativos, são pessoais, individuais e intransferíveis.
    Existe uma memória coletiva, construída no interior de um grupo social, que é serve como base das nossas referências. Mas é a partir dela que cada um de nós ressignifica as coisas, pela experiência indissociável. Portanto, para mim fica uma pergunta: Como criar uma memória simbólica coletiva sem anular as individualidades?

  4. Vi a virada dos sites de notícias em tempo real e vários projetos acabarem, pois a internet suplantou tais iniciativas e muita adaptação dos meios de comunicação tiveram de acontecer. Somente quem investiu pesado no desenvolvimento de aplicativos e redes, velocidade e formas de distribuição de acesso sobreviveu. Porém, para variar, os grandes nomes conseguiram não só sobreviver como aproveitar novas fontes, materiais, formatos e meios para se fortalecerem ainda mais no mercado. Como é o caso do Portal Globo.com

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