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Inovação e tecnologias

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11dez

Por Marcus Tavares

Foram 22 apresentações de 13 minutos cada. O objetivo? Mostrar ao público – formado principalmente por professores – ações, projetos, estudos e experiências, espalhados pelo mundo, que usam e defendem o uso das mídias. Promovido pelo Ministério da Educação (MEC), o encontro foi realizado na última terça-feira, no Rio de Janeiro. A revistapontocom compareceu ao evento, chamado de Edutec – Educação e novos paradigmas. Abaixo, você confere um resumo das ideias apresentadas pelos principais especialistas convidados. Confira:

– Ali Carr-Chellman
Os argumentos contra os videogames – violência, individualismo e competição – devem ser repensados, avisou Alison Car-Chellman, pesquisadora norte-americana, da Universidade de Pensilvânia. De acordo com Car-Chellman, os garotos têm uma afinidade natural com a escrita, livros e videogames – especialmente os mais violentos. Ela afirma que professores, diretores e pais precisam ter mais consciência e entendimento do valor dos games para os meninos. Para que os games sejam efetivamente educativos, é necessário mais investimento para jogos com enredos e roteiros que facilitem o ensino. Os estudos de Car-Chellman focam o impacto da tecnologia e inovação nos sistemas de educação e aprendizado online, incluindo a importância da participação da comunidade na mudança dos sistemas de ensino. No momento, ela pesquisa o biofeedback do uso de videogames para atrair a atenção e motivar a aprendizagem de meninos.
Mais informações – http://www.ed.psu.edu/educ/in-sys/research/ali-carr-chellman

– Jader Gama
A economia do Baixo Amazonas, região brasileira que envolve Santarém, do Pará, dedica-se à extração da madeira, aos garimpos, mineradoras e plantação de soja. Como mudar este quadro pouco sustentável? Jader Gama e Tarcísio Ferreira tiveram a ideia de ministrar oficinas de informática para jovens em condições de risco da periferia de Santarém, com a meta de trazer e implantar novos valores. Com a chegada das mídias sociais e o barateamento dos recursos, o projeto promoveu a criação de rádios e livros, bem como oficinas livres de produção gráfica, produção em áudio, vídeo, Linus, blog. Criava-se assim o Estúdio Livre do Coletivo Puraqué. O projeto ganhou recentemente o Prêmio de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil, por desenvolver a moeda social Muiraquitã. Com a moeda que pode ser adquirida a partir da coleta seletiva de resíduos sólidos, jovens dos municípios de Santarenzinho e Maracanã adquirem produtos e serviços que vão desde oficinas até computadores metareciclados. Para Gama, daqui a 10 anos, a região de Santarém será o pólo de desenvolvimento de software livre do país.
Mais informações – http://puraque.org.br/blog

– Mabuse
Como atrair a atenção dos estudantes na sala de aula? A receita é simples: estabelecer ações que envolvam a ludicidade, a interação, a narrativa, desafios e esforço, que integra disciplina, repetição, controle e rigor. De acordo com Mabuse, do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife – C.E.S.A.R -, os games reúnem todas esses requisitos. Não é à toa que as Olimpíadas de Jogos Digitais e Educação, projeto também apoiado pelo C.E.S.A.R., já se encontra em sua terceira edição. As olimpíadas estão sendo realizada no Estado do Acre.
Mais informações – www.cesar.org.br

– Felipe Sanches
À primeira vista, é apenas um clube no porão. Só que o Garoa Hacker Club é muito mais que isso. Sob o comando de Felipe Sanches, a associação é um espaço aberto e colaborativo para que entusiastas do uso de tecnologia realizem projetos. E estas ideias podem surgir em diversas áreas, como segurança digital, hardware, eletrônica, robótica, espaço modelismo, software, biologia, música, artes plásticas, e o que mais a imaginação dos sócios permitir. Assim como diversos outros hackerspaces ao redor do mundo, o Garoa Hacker Club surge como alternativa para jovens autodidatas se reunirem para dar asas à pesquisa e ao desenvolvimento de novos produtos.
Mais informações – http://gaovaroa.net.br/wiki/P%C3%A1gina_principal

– Marion Wilson
A partir de um ônibus velho, Marion Wilson e os estudantes de arte da Syracuse University, de Nova Iorque, criaram um espaço multifuncional para artes, educação e novas ideias. O MLAB – Mobile Literacy Arts Bus (Ônibus Móvel de Alfabetização e Artes) percorre as comunidades próximas à universidade e se torna o espaço para que os jovens das escolas públicas tenham a oportunidade de expor fotografias, poesias, músicas, pinturas e todas as suas ideias. Mais do que um veículo, o MLAB é uma sala de aula, laboratório de fotos, estúdio de gravação, galeria e centro comunitário.
Mais informações – www.marionwilson.com

– Nelson Pretto
Os meios de comunicação não devem ser vistos como ferramentas. São linguagens que possibilitam outras formas de ensinar e aprender.  Assim o professor Nelson Pretto abriu sua fala. Ele afirmou que a educação, ao longo do tempo, sempre procurou pedagogizar a mídia, o que não deu certo. É preciso ter um olhar novo para os meios de comunicação. Pois, ele destaca, se a escola não mudar sua lógica de reprodução, a sociedade não vai avançar. Segundo Pretto, daqui a 50 anos, 95% do conhecimento humano serão novos. Se a escola não se transformar, ela ficará apenas ensinando os 5% restantes. Para o professor, o grande conflito dos dias de hoje é: criamos ou reproduzimos? Ele aposta no primeiro, quando então os professores se tornarão, de fato e de direito, não atores, mas autores.  Ele defende o professor com o jeito hacker de ser. Ou seja, o professor colaborador que compartilha.
Mais informações – www.faced.ufba.br

– Rogério Costa
Integrante do Laboratório de Inteligência Coletiva – LinC, o professor disse que não é mais possível ter uma ideia sem uma ‘carga de tonalidade afetiva’. Segundo ele, a questão da afetividade está ligada cada vez mais ao mundo do trabalho, cuja principal riqueza – a material – se transformou para a chamada ‘ideia colaborativa’. De acordo com o professor, os processos de colaboração estão presentes por toda a parte. Fazer redes tornou-se um refrão ecoado por todo o mundo empresarial, nas esferas dos governos e também no Terceiro Setor. Neste sentido, há mais de uma década o conceito de inteligência coletiva passou a ser sinônimo dessa noção de colaboração, de fazer redes, tanto na comunicação quanto no campo do trabalho. A rede se tornou uma dimensão, indissociavelmente, ontológica e prática, de modelização do mundo e da subjetividade.
Mais informações – www.linc.org.br

– Robert Knezevic
Diretor regional de parcerias internacionais da Sesame Workshop, Robert Knezevic apresentou o projeto que, desde 1968, vem aliando programa de TV e educação, por meio da Vila Sésamo, hoje exibida, no Brasil, por meio da TV Cultura. Segundo Robert, Vila Sésamo está presente em 29 países. Destacou o trabalho que vem sendo realizado na Nigéria e Àfrica do Sul, por meio do boneco Kami, menina soropositiva que chama a atenção de toda a população e vem diminuindo o preconceito.
Mais informações – www.sesameworkshop.org

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