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Internet das coisas

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27maio

Por Patrick Thibodeau, Computerworld /EUA

Será que a Internet das Coisas vai liberar o potencial humano? Todo mundo vai compartilhar os seus benefícios, ou apenas alguns irão capitalizar sobre ela? Essas e outras questões inspiram os debates da primeira grande conferência organizada em torno deste tema. Com o título sugestivo de “Philosophy of the Internet of Things” ( Filosofia da Internet das Coisas), acontecerá a partir do dia 3 de julho, na York St. John University.

“A conferência foi motivada pelo entendimento comum entre nós, organizadores, incluindo Joachim Walewksi e Rob Van Kranenburg, de que a Internet das Coisas não é apenas uma revolução tecnológica, mas também a revolução social. No entanto, seu desenvolvimento tecnológico está sendo impulsionado principalmente pelas preocupações comerciais e de negócios. Precisamos pensar sobre os aspectos sociais da tecnologia. Só porque podemos construir algo, não significa necessariamente que devemos”, explica Justin McKeown, diretor do programa de Belas Artes e Ciência da Computação em York St. John.

De acordo com ele, se olharmos para a primeira revolução industrial, veremos que ela libertou os seres humanos, aliviando muitos deles da carga de seus postos de trabalho, através da mecanização. Em contrapartida, não aliviou os problemas econômicos trazidos pela falta de renda causada pela falta de trabalho.

Assim, no curto prazo, com base na evidência histórica, não há garantias de que a IoT vai liberar todo o potencial humano. “De todo modo, se refletimos bem sobre os benefícios a longo prazo da primeira revolução industrial, podemos ver que ela acabou por nos levar para um lugar onde o potencial humano se tornou livre o suficiente para se envolver em outras coisas”, afirma McKeown. Daí a necessidade de começar a pensar sobre as implicações filosóficas da IoT agora.

Este é exatamente o tipo de pensamento que precisa acontecer para que a Internet das Coisas beneficie o maior número possível de pessoas e não apenas aquelas inteligentes o suficiente para capitalizar sobre ela.

Existe a preocupação de que a Internet das Coisas pode mudar a relação do homem com as máquinas de uma forma jamais experimentada antes. “A tecnologia por trás da Internet das Coisas vai mudar a relação dos seres humanos com máquinas de uma forma jamais vista antes, com outras inovações tecnológicas recentes. Por exemplo, a proliferação de meios de comunicação via smartphones já nos deu novas maneiras de organizar a nós mesmos, tanto social e politicamente”, argumenta McKeown. Como a IoT pode potencializar esse fenômeno? Quais são as implicações desta mudança?

A função da tecnologia sempre foi a de tornar as aspirações humanas mais fáceis de serem conquistadas, tornando as tarefas mais fáceis de executar. Já foi demonstrado que o cérebro mapeia ferramentas como parte do corpo e não como entidades separadas, de modo que a nossa relação com as máquinas já é muito mais íntima do que a maioria das pessoas imagina. A Internet das Coisas nos oferece um nível de automação que nos possibilitará estreitar relações de trabalho com máquinas e a Inteligência Artificial. Portanto, a Internet das Coisas tem potencial nos permitir viver uma vida mais sustentável??, prever e tratar doenças, bem como automatizar certas formas de trabalho. Alguns dizem que isso terá um efeito positivo, outros se preocupam com prováveis efeitos colaterais. O potencial é grande, o valor da realidade reside na sua aplicação – daí a necessidade de começar a fazer perguntas filosóficas o quanto antes.

“Você consegue imaginar um mundo onde as pessoas têm emoção genuína provocada por máquinas, pela robótica em particular? E se isso é possível, as máquinas teriam direitos de algum tipo? Acho que as pessoas já têm ligações emocionais com máquinas”, afirma McKeown. Por exemplo, o quanto você ama seu smartphone?

O que ele espera da conferência? “Precisamos encontrar linguagens e estruturas ideológicas para analisar e debater o impacto potencial da Internet das Coisas em nossas vidas e no planeta. Precisamos desses debates para ter subsídios, não só no meio acadêmico, mas também da indústria e da política. A conferência é um passo para geramos subsídios que poderão nortear o desenvolvimento da Internet das Coisas”, diz McKeown.

O que as pessoas querem desenvolver e implantar? Na opinião de McKeown a resposta para isso deveria ser muito simples: um mundo melhor para si mesmas, suas famílias e amigos, fazendo sistemas que trabalham para incentivar a expansão do conhecimento e da experiência humana, em vez de simplesmente coisas que tornem nossa vida mais eficiente. “A eficiência não é necessariamente melhor para nós, como seres”, afirma.

A conferência é aberta a todos, acadêmicos, filósofos, tecnólogos, profissionais da indústria e até membros de governos. Há ingressos diferenciados de modo a tornar a conferência bastante acessível, para tentar incentivar a participação do maior número possível de pessoas de diferentes segmentos.

Quem não puder participar de forma presencial poderá usar uma conta no Twitter _ @iotphilosophy _ para se comunicar com os participantes. “Além disso, pretendemos disponibilizar os documentos da conferência na internet”, afirma McKeown.

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