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Magistério: retrato brasileiro

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07jul


Com informações do Portal UOL Educação

“O professor no Brasil está sozinho. Ele não tem apoio para nada, se compararmos sua situação com a dos seus colegas na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ele não tem preparação adequada durante a faculdade [50% não tem didática para tudo o que ensina], não sabe lidar com os problemas práticos da sala de aula [40% diz não ter treinamento para a prática] e não tem apoio [nos países ricos, há aconselhamento profissional e psicológico para os alunos, por exemplo]”.

A afirmação acima é da pesquisadora brasileira Gabriela Moriconi, da Fundação Carlos Chagas, que faz parte do time responsável pela análise do Brasil na Talis, pesquisa da OCDE, divulgada na quarta-feira, dia 25 de junho, em Paris. O levantamento foi realizado em 34 países com o objetivo de radiografar a realidade dos professores.

Acesse aqui o resumo da pesquisa

Os resultados da pesquisa indicam que os professores brasileiros têm uma carga horária maior do que o de seus colegas: o docente trabalha cerca de 25 horas semanais contra a média de 19 horas. “Nos países da OCDE, o professor trabalha em uma única escola, em tempo integral e leciona, em média, 19 horas. Aqui no Brasil, a jornada quase dobra se pensarmos que os docentes trabalham 26 horas em mais de uma escola e em salas maiores”, diz Moriconi.

Além do número de horas, o professor brasileiro também enfrenta o desafio de salas com maior número de alunos e, mesmo assim, disponibiliza o mesmo tempo que os profissionais dos outros países costumam gastar com o planejamento da aula e correção de trabalhos e provas. O cenário fica ainda mais complicado ao se observar de que maneira é utilizado o tempo da aula: 20% é destinado a manter a disciplina e outros 12%, para realizar tarefas administrativas como fazer chamada. Aula mesmo fica com uma fatia de 67%.

“Mesmo que ele queira, será que o professor brasileiro consegue preparar uma aula em que os alunos tenham tantas oportunidades de aprender quanto dos seus colegas em países da OCDE? Ele tende a ter mais turmas, já dá seis horas a mais de aula em média, mas gasta o mesmo tempo com planejamento”, indaga e analisa Moriconi.

Segundo a pesquisadora, no Brasil, o professor é um ‘dador de aula’. “Em muitos outros países, esse profissional é responsável por ensinar ao aluno como deve ser eu comportamento escolar. Por isso, a carga horária de aulas é menor e parte do tempo é utilizado para que o professor desempenhe essa função. É o caso de países como Inglaterra e Canadá”, explica Moriconi.

No relatório, os especialistas da OCDE fazem a seguinte ponderação: se o mundo atual exige que a educação seja um processo contínuo, os professores precisam aderir a essa ideia. Aos governos cabe promover o acesso a essa formação contínua. Mas advertem os especialistas da OCDE: não basta oferecer treinamentos e cursos. Docentes reportam taxas mais altas de participação nos países em que também existem apoio financeiro e suporte não monetário.

O que é a Talis
Talis é a sigla para Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Teaching and Learning International Survey em inglês), coordenada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). No Brasil, a coordenação da pesquisa fica por conta do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). A edição de 2013 é a segunda desde a criação do estudo, em 2008. Seu objetivo é levantar as condições de trabalho dos professores e o ambiente de aprendizagem nas escolas para amparar decisões de políticas públicas no setor. Participaram desta edição 34 países (24 países da OCDE e outros 10 países parceiros, como o Brasil). Cerca de 106 mil professores responderam à pesquisa. No Brasil, foram questionados 14.291 professores do Ensino Fundamental 2 e 1057 diretores de 1070 escolas.

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