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O Brasil nas ruas

2 comentários
25jun

O Brasil nas ruas é o tema do momento. As passeatas e manifestações em todo o país têm ocupado cada vez mais o espaço da mídia, bem como o dia a dia de todos os cidadãos. Algumas cenas já entraram para a história. Há quem diga que o país já não é o mesmo. Nas redes sociais, há inúmeras avaliações e reflexões. A opinião pública vai sendo construída e desconstruída a cada novo post, vídeo e foto. O debate já chegou também às escolas e, inclusive, às rodas de conversa de meninos e meninas. Em casa ou na escola, eles também querem saber o que está acontecendo. Querem entender e opinar. A revistapontocom abre aqui um espaço para escutar os leitores. Afinal: o que dizer para as crianças?

Para iniciar o debate, publicamos aqui a opinião da psicopedagoga Andrea Garcez, doutoranda em Educação pela PUC-Rio, e da professora Rita Ribes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Leia e participe. Envie também o seu comentário.

Andréa Garcez, doutoranda em educação pela PUC-Rio  – Acho que devemos dizer que as pessoas estão se unindo para lutar por melhores condições de vida e um futuro melhor para o país. E que isso é muito importante. Uma parte (pequena, ainda bem) não entende que é possível fazer isso sem violência, sem quebrar tudo, colocar a vida das pessoas em risco. É preciso dizer que muitas vezes a polícia também não sabe como agir, porque uma das coisas pelas quais também temos que lutar é por uma polícia melhor. É bom esclarecer que muitas vezes a televisão e o jornal não mostram as coisas como realmente aconteceram. Devemos, portanto, sempre desconfiar e tentar ver o outro lado da história. Penso que as crianças podem e devem acompanhar o que está acontecendo porque é um momento histórico e muito bonito. Escrevendo aqui agora me lembrei do filme “A culpa é de Fidel”, da cena em que os pais levam as crianças para uma passeata para aprender cidadania.

Rita RIbes, professora da Uerj – Importante dizer às crianças que a história não começa quando elas nascem – nem quando nasceram seus pais e avós. E que o mundo em que elas nasceram foi tecido também pelas lutas e não-lutas de seus pais e avós. Importante dizer que se deve brigar com unhas e dentes e choros por um mundo melhor, mas que “um mundo melhor” não significa a mesma coisa para todas as pessoas. Um mundo melhor para as crianças que já tem uma casa cheia de brinquedos pode ser ter ainda muito mais casas e brinquedos. Um mundo melhor para a criança que vive na rua pode ser passar a ter uma casa, um brinquedo, um olhar que a perceba no mundo. São dois desejos de melhorar o mundo que não necessariamente se afetam. Mais que dizer às crianças, é importante SER COM as crianças: construir práticas de justiça social que se imponham à indiferença, ao preconceito e à arrogância. Fora isso, não há nada que esteja acontecendo no mundo que não afete as crianças sobre o que as crianças não tenham algo a dizer (Walter Benjamin falou isso há um século!!!). Talvez seja mais o caso de ouvi-las, de despirmos de nossa pedagógica e colonialista arrogância de achar que somos nós, adultos, “quem” sempre tem algo a dizer e que “tem que” dizer.

2 thoughts on “O Brasil nas ruas

  1. Concordo plenamente com a RITA. Devolvo as perguntas às crianças, até para saber o que estão captando, o que realmente as tem interessado. É muito difícil ouvir as crianças, especialmente porque me parece que neste País, especialmente a partir deste século, há muitas infâncias, ou camadas de infâncias em corpos de pouca idade. Este palimpsesto é de difícil assimilação. E vou levar sua dica para outras esferas: “Talvez seja mais o caso de ouvi-las, de despirmos de nossa pedagógica e colonialista arrogância de achar que somos nós, adultos, “quem” sempre tem algo a dizer e que “tem que” dizer. “

  2. É preciso dizer às crianças que estamos todos em busca de mudanças para o mundo, e que isso passa pela ação das pessoas. É preciso contar que sempre houve pessoas que lutaram em muitos momentos diferentes e lugares diferentes. Podemos falar de tantas pessoas emblemáticas, mostrar fotografias desses momentos, no Brasil, em suas cidades, ou mesmo no mundo, pedir que seus pais lhes contem algo de que se lembram. Olhar o passado e pensar que ele poderia ter sido de outro jeito, ajuda a fazer planos para um futuro diferente do esperado, se não pensarmos de forma linear pura e simplesmente.

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