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O Facebook sabe o que nós calamos

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19jan

Por Rosa Jiménez Cano
Do Jornal El País

Digitar, reler, mas, no último segundo, vem o arrependimento ou a dúvida e a mensagem não é enviada. Uma rotina muito comum para qualquer internauta, mas que na rede social Facebook tem suas consequências, embora internamente. A autocensura é o último alvo de análise por parte do invento de Mark Zuckerberg. As coisas que não dizemos, mas que pensamos, digitamos na caixa dedicada a mudar o status, e depois acabamos apagando, também são registradas no Facebook.

Durante a temporada de verão do hemisfério norte em 2012, o Facebook guardou todos os ‘status frustrados’ de 3,9 milhões de usuários. O Facebook não esconde, por exemplo, que reúne muitos outros dados, como as solicitações de amizade que nunca são aceitas. A intenção da rede social é conhecer melhor seu público, embora isso signifique registrar o que nunca se publica, e nisso se inclui tratar como “falha do serviço” que seus usuários se autocensurem.

Adam Kramer, analista de dados do Facebook, e o estagiário Sauvik Das são os autores de uma análise de 15 páginas na qual fazem algumas conclusões interessantes. Para começar, consideraram “autocensura” qualquer atualização de mais de cinco caracteres que não foi publicada até dez minutos depois de ser escrita.

No documento, fazem questão de deixar claro que o foco foi colocado na linguagem HTML e nas interações com os formulários, mas não nas palavras-chave ou no tipo de conteúdo que nunca veio à tona. Isto é, não leram as mensagens inexistentes.

Durante os 17 dias que durou a fase de recompilação de dados, 71% dos usuários estudados escreveram ao menos um status, um comentário ou ambos, e não o publicaram. Em media, 4,52 status e 3,2 comentários. Entre os motivos para pensar duas vezes e não dar o clique, os pesquisadores  encontraram motivos políticos, assim como não encontrar afinidade na audiência, ou por questões relacionadas ao gênero.

Descobriram que as possibilidades para se autocensurar são menores tratando-se de um comentário ao status de um amigo, mas bem mais provável quando se inicia uma conversa no perfil próprio. O motivo? Segundo os pesquisadores, as repostas dadas consistem em algo mais sucinto e com mais conhecimento da audiência potencial. Ao mesmo tempo, observaram que o nível de censura era muito menor no caso dos grupos de participação restringida, mais delimitados e com mais afinidade entre participantes.

Este estudo é uma versão do conhecido “abandono do carrinho de compra” no site de comércio eletrônico e serviu, por exemplo, para que o serviço da cidade californiana de Menlo Park melhore sua forma de apresentar as notícias. A guerra da atenção e, em consequência, a da interação, é primordial para o desenvolvimento de Facebook.

“Nossos resultados indicam que 71% dos usuários tiveram algum nível de autocensura no último minuto”, assinalam os pesquisadores, que atribuem esse percentual à teoria da “audiência percebida” indo para enviar seu post ou comentário. “As pessoas com mais limites em seus temas se censuram mais; os homens se censuram mais que as mulheres; bem como as pessoas que exercem maior controle sobre sua audiência, em relação aos que têm uma rede de contatos mais diversa em idade e ideias políticas, que se censura menos”.  Também concluem que quanto mais jovens, menos censura e quanto mais amigos do sexo oposto, mais autocensura.

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