O que é ser criativo na sala de aula?

Criatividade na sala de aula? O que isto significa e como alcançá-la? O que é ser um professor criativo? O que é ministrar uma aula criativa? Para a professora Luciane Baia Hees, doutoranda em Psicologia em Educação pela PUC-SP, uma aula criativa deve, em primeiro lugar, motivar o aluno a desejar e a buscar o aprendizado: “Um professor criativo é aquele que faz uso de diferentes estratégias para que o aluno fique motivado a aprender”, complementa. 

Em entrevista ao Jornal do Professor, do Ministério da Educação (MEC), Luciane, professora do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho, onde coordena atividades de estágio do curso de pedagogia, afirma que numa aula criativa o foco é o aluno e não o conteúdo. “Pois se o professor focar suas aulas no conteúdo irá ter como resultado alunos passivos que irão somente ouvir e reproduzir”.

Acompanhe a entrevista concedida ao Jornal do MEC que a revistapontocom reproduz abaixo:

Jornal do Professor – Quais os elementos que fazem com que uma sala de aula possa ser chamada de criativa? O que é um professor criativo?
Luciane Weber Baia Hees – Primeiramente, vamos estabelecer que consideramos uma aula criativa o resultado da relação entre o aluno e um professor dedicado e apaixonado por tudo que faz. É aquela aula que leva o aluno à dizer: “eu quero aprender isto que o professor está falando ou mostrando”. Ou seja, aquela aula que motiva o aluno a buscar e a compreender e a descobrir o que está sendo proposto. Aquela aula que desperta a vontade de descobrir, aprender e fazer. Uma aula que tem o objetivo de alcançar cada um dos alunos em seus diferentes estilos de aprender. São muitos os elementos que fazem com que uma sala de aula possa ser criativa, mas a base de tudo isto é o professor. O professor, em uma aula criativa, deve considerar o aluno como ponto central, não o conteúdo, pois se o professor focar suas aulas no conteúdo irá ter como resultado alunos passivos que irão ouvir e reproduzir. No contexto da sala de aula criativa o assunto e o professor se dirigem no sentido de ficar à disposição da aprendizagem do aluno e  consequentemente o aluno vai se tornar envolvido, interessado e motivado. Outros elementos para uma sala de aula criativa são: considerar o aluno como ponto principal; buscar atividades que saiam da rotina; utilizar materiais que chamem a atenção do aluno; motivação para o aprendizado através de uma aula significativa; tornar o aprendizado um momento feliz e divertido; respeitar o estilo de aprendizagem de cada aluno; usar música, jogos educativos, jornais, revistas, acontecimentos atuais e atividades lúdicas em suas aulas; sair da sala de aula para aprender, utilizando todo o ambiente escolar; valorizar a opinião dos seus alunos sobre as suas aulas; e refletir sobre como foi sua aula todos os dias, o que deu certo, o que foi bom ou não e o que eu poderia ter feito melhor para que o meu aluno realmente aprendesse.
Muitos acreditam que uma sala de aula criativa é aquela com muitos recursos visuais ou tecnológicos, mas não é isto que vai tornar uma sala de aula criativa. Isto sem dúvida ajuda, mas são apenas recursos. O que realmente importa é o que o professor vai fazer com isto. Portanto, um professor criativo é aquele que faz uso de diferentes estratégias para que através de sua relação com o aluno ele fique motivado a aprender.

Jornal do Professor – De que forma uma aula criativa pode colaborar para o aprendizado?
Luciane Weber Baia Hees – Uma aula criativa vai motivar o aluno, e um aluno motivado vai desejar e buscar aprender. Segundo a professora Maria Luiza Kraemer, o professor que adota em sua metodologia um instrumento criativo para desenvolver os seus conteúdos estará criando, automaticamente, um agente motivador que fará com que a aprendizagem seja conduzida e encarada como uma meta a ser conquistada na busca de um prêmio, o aprendizado. Ao preparar uma aula, o professor deve refletir no sentido de durante sua aula proporcionar uma aprendizagem que seja realmente significativa para o aluno.

Jornal do Professor – É possível desenvolver a criatividade dos alunos? De que maneira?
Luciane Weber Baia Hees – Sim, é neste contexto que o professor deve criar situações que levem o aluno a propor soluções e ideias para melhorar o aprendizado em sala de aula. Observamos que muitas vezes os métodos utilizados em sala de aula favorecem o educador e sua rotina. Na maioria das vezes são utilizados por uma acomodação. O professor já tem aquela aula pronta, aquela atividade que já usou outras vezes, então por que preparar outra? A resposta é simples – por que os alunos são outros.

Jornal do Professor – Como usar a criatividade na avaliação? É possível?
Luciane Weber Baia Hees – Existem tantas formas de avaliar e muitas vezes nos deparamos apenas com a mais tradicional e digamos que é a mais fácil para o professor corrigir e mensurar. Não sou contra a prova, mas ela tem o seu lugar dentro do processo de ensino/aprendizagem. Defendo veementemente que o professor deve utilizar pelo menos três instrumentos de avaliação diferentes em cada processo. Ele precisa ser criativo na avaliação também para atingir aos diferentes estilos de aprendizagem. Tem aluno que sempre vai ter resultados negativos em provas escritas, ou por que fica nervoso, ou por que não escreve bem, etc. Não vou discutir este aspecto aqui, porque não é esta a pergunta, mas a criatividade na avaliação vai ser uma consequência de uma aula criativa.

Jornal do Professor – Você procura transmitir a seus alunos de Pedagogia a importância de ser um professor criativo? Como isso ocorre?
Luciane Weber Baia Hees – Além de inserir em meus conteúdos nas aulas de prática de ensino discussões sobre a sala de aula criativa, busco também aplicar, em minhas próprias aulas, aspectos de uma aula criativa como: relacionar o conteúdo às experiências dos meus alunos, alterar o formato das carteiras dos alunos antes deles chegarem para as aulas, começar a aula com situações reais vividas pelos próprios alunos buscando envolvê-los em todo o processo, ensinar objetivando uma mudança de postura real por parte do aluno frente aquele conhecimento, ensinar de uma forma agradável, feliz, fazer com que meu aluno de graduação, mesmo sendo adulto se sinta valorizado no contexto social e pessoal também e fazer com ele seja capaz de ensinar os outros. Tudo isto, e muitos outros elementos, só se tornarão reais na prática do professor se ele permitir apaixonar-se pela arte e pelo prazer de ensinar e aprender.