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Tainá 3

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05ago

Por Marcus Tavares

No próximo dia 11, a Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, vai ficar mais bonita. Serão plantadas 3.500 mudas de árvores. A iniciativa é da produção do filme Tainá 3 – a origem, que chega às telas do país no final deste ano. O plantio será feito pela comunidade indígena Tauari, que vive próxima à floresta, cenário do longa-metragem. A indiazinha que interpreta Tainá, Wiranu Tembé, também estará presente.  “O filme está diretamente relacionado à preservação da natureza. Queremos despertar isso no público”, avisa a produtora Virgínia Limberger.

Não é à-toa que o site do filme apóia e incentiva o programa Um Bilhão de Árvores na Amazônia, do Estado do Pará. E a ideia é muito simples: cada plantio de árvore virtual na página de Tainá 3 garante o plantio, real, na floresta. Até hoje, já foram plantadas virtualmente 10.200 mudas.

Enquanto as árvores crescem, o longa vai sendo finalizado. E com uma proposta bem interessante: a partir das observações de crianças e adultos que vêm assistindo à exibições de teste do filme. A primeira ocorreu, em junho, na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Um público de 650 pessoas lotou o auditório e pode, ao final, discutir a trama e sugerir mudanças, face a face com a diretora, Rosane Svatman, e com o produtor Pedro Rovai. “Foi uma experiência estimulante”, destaca Pedro.

Na semana passada, a revistapontocom entrevistou a diretora Rosane e a produtora Virgínia sobre a história do filme, a produção, o processo de finalização e o lançamento.

Acompanhe:

  

revistapontocom – O que o público infantil pode esperar em Tainá 3?
Rosane Svartman – É um filme de aventura rodado 100% na Floresta Amazônica. Então é um jeito bacana de se divertir e conhecer um pouco mais de uma das regiões mais importantes – do ponto de vista ecológico e cultural – do Brasil e do mundo.

revistapontocom – O filme foi exibido na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis para uma plateia lotada de pais e crianças. Como foi acompanhar a exibição teste?
Rosane Svartman – A sessão foi emocionante. Até porque eu “assisti” à plateia e não o filme. Dava para perceber que as crianças e os adultos embarcaram no filme.  Com o bloquinho na mão, fui anotando as reações e identificando, por exemplo, onde um plano estava curto e merecia mais tempo, onde o filme funcionava bem. Isso tudo é um retorno valioso.

revistapontocom – Após o filme, muitos pais deram sugestões para a equipe. Sugestões que, inclusive, mudam cenas, como rever o diálogo que a neta tem com seu avô e que aparece no filme de uma forma meio desrespeitosa. Essas observações e sugestões são realmente válidas e acatadas pela direção?
Rosane Svartman – São sim. Estamos revendo a cena da neta com o avô. Sugeriram, por exemplo, também legendar a canção final – indígena – que é cantada pelas crianças. Adoramos a ideia. Já legendamos a canção final! Pediram para colocarmos a canção legendada no You Tube, antes do lançamento, para despertar o interesse. Já programamos isso também. Na verdade, é um privilégio poder ter a participação do público no filme, neste processo e desta forma.

revistapontocom – Afinal, filme infantil tem que agradar às crianças ou aos pais das crianças?
Rosane Svartman – Os dois públicos. Tenho filhos pequenos e percebo que os pais participam da escolha do filme que a família vai ver, até porque tem bastante oferta. 

revistapontocom – Seu trabalho anterior no cinema, Desenrola, foi com adolescentes. O que é mais desafiador: o público jovem ou o infantil?
Rosane Svartman – Fazer um filme é sempre desafiador, principalmente quando você não faz mais parte do universo retratado. Mas eu assisto a muitos filmes infantis com meus filhos e convivo com crianças o tempo todo. Então já tinha uma espécie de pesquisa prévia.

revistapontocom – Na exibição teste em Florianópolis, você disse que determinadas cenas foram feitas respeitando a infância, como a questão da violência gratuita. Pensando na infância, o que foi levado em conta?
Rosane Svartman – A roteirista Claudia Levay e os produtores Virginia Limberger e Pedro Rovai estão no projeto desde o Tainá 1. Foram eles que criaram a personagem. Eles já tinham um certo cuidado e uma preocupação de não trazer para a heroína, a Tainá, nenhuma ação violenta, gratuita. Como mãe e diretora, aplaudo a iniciativa também.

revistapontocom – É possível fazer filme infantil sem ser chato?
Rosane Svartman – A maioria dos bons filmes infantis consegue fazer isso, de alguma forma. Afinal, é preciso agradar pais e filhos.

revistapontocom – Dirigir Tainá 3: o que te provocou?
Rosane Svartman – Dirigir o Tainá 3 foi uma grande aventura: crianças, um balão, bichos, a floresta, a distância, um equipe grande, enfim, não faltaram desafios. Foi uma experiência inesquecível e acho que amadureci bastante como diretora.

revistapontocom – Enquanto o lançamento não chega, o site de Tainá 3 está sendo bastante visitado.  O que vocês pretendem com ele? 
Virgínia Limberger – O tema do Tainá 3 está diretamente relacionado com as árvores e as florestas. Por meio do site, pretendemos estimular o público de Tainá a cuidar da natureza. Cuidar das árvores assim como se cuida de bichinhos de estimação. O objetivo é fazer com que as crianças conheçam, desde cedo, o valor da natureza e, principalmente, possibilitar a participação do público, em geral, na causa da preservação e reflorestamento de áreas degradadas da Amazônia. No site, há uma campanha para plantio virtual de árvores na Amazônia. Cada plantio virtual, há um plantio na vida real.

revistapontocom – Haverá algum trabalho do filme junto às escolas?
Virgínia Limberger – Os professores sempre foram os maiores aliados dos filmes de Tainá. Eles sabem que o conteúdo que os filmes apresentam é de extrema importância para ser trazido para a sala de aula e também para trabalhos extra-classe, envolvendo a comunidade. Conhecem também a força da transmissão de uma mensagem que o audiovisual tem. Os Tainás 1 e 2 já foram aplicados em projetos com escolas e já atingiram mais de dois milhões de alunos do Ensino Fundamental em todo Brasil. Tainá 3 vai ampliar essa marca, com certeza.

revistapontocom – O lançamento está previsto para as férias?   
Virgínia Limberger – Sim, nas férias do final do ano. A distribuição é sempre uma etapa difícil do processo. O Tainá 3 teve a “sorte” de ser uma sequência dos bem sucedidos filmes anteriores, o que pode contar, então, com o interesse dos distribuidores DownTown (lançamento nacional) e Sony (vendas para a televisão no exterior), desde a etapa de produção. As formas de distribuição, bem como exibição, é que devem ser amplamente debatidas visando a melhorar os mecanismos dessa etapa. Mas isso é um outro longo assunto…

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