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Tragédia ou fator cultural: o infanticídio nas aldeias indígenas

9 comentários
Publicado em Matérias
11abr

  

Crianças indesejadas são condenadas à morte por nascerem com deficiência física ou mental, por serem gêmeas, filhas de mãe solteira ou ainda por serem vistas como portadoras de azar para a comunidade. A tradição manda que as crianças sejam enterradas vivas, sufocadas com folhas, envenenadas ou abandonadas para morrer na floresta. A prática de infanticídio não é coisa do passado. Pelo contrário, é uma ação ainda muito comum em tribos indígenas brasileiras. É o que revela o documentário Quebrando o silêncio, lançado no último dia 31, em Brasília.

Dirigido pela jornalista e documentarista Sandra Terena, o filme, finalizado em 2009, traz histórias de sobreviventes do infanticídio indígena e de famílias que saíram  das aldeias para salvar a vida de seus filhos. “Foram três anos de pesquisa, com cerca de dez a doze povos indígenas do Alto Xingu e do Amazonas”, conta Sandra.

Segundo a documentarista, o objetivo do filme é promover o debate sobre o tema entre os indígenas, e não influenciar sua cultura. “Percebemos claramente que muitos são contra. Quando fui ao Xingu, no Mato Grosso, os índios da tribo local falaram que o infanticídio diminuiu e que consideram a prática bastante negativa para a própria cultura indígena. ‘A gente não é bicho’, diziam”, conta a jornalista.

De acordo com instituições ligadas à causa indígena, muitas das mortes por infanticídio vêm mascaradas nos dados oficiais como morte por desnutrição ou por outras causas misteriosas. Pesquisa realizada por Rachel Alcântara, da Universidade de Brasília, mostra que só no Parque Xingu são assassinadas cerca de 30 crianças todos os anos.

O filme Quebrando o silêncio rendeu à documentarista Sandra Terena – que também é de origem indígena e é presidente da ONG Aldeia Brasil – dois prêmios: o “Voluntariado Transformador” (na categoria “Reduzir a mortalidade infantil”), promovido pelo Centro de Ação Voluntária de Curitiba; e o “Prêmio Internacional Jovem da Paz” (na categoria “Comunicação”), realizado por diversas instituições, entre elas a Aliança Empreendedora e o Projeto Não-Violência.

Neste ano, a Atini – Voz pela Vida, instituição parceira do documentário e que desde 2006 trabalha na defesa dos direitos das crianças indígenas, pretende exibir o documentário em mais de 200 aldeias do Brasil, com o intuito de fomentar a discussão dos indígenas sobre os Direitos Humanos.

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9 thoughts on “Tragédia ou fator cultural: o infanticídio nas aldeias indígenas

  1. Gostaria de parabenizar a jornalista Sandra Terena por esta iniciativa e por esta brilhante produção. Sou estudante do Serviço Social na Universidade Federal de São Paulo e desenvolvo pesquisa nesta temática do infanticídio e este material ajudou-me muitíssimo em muitas reflexões e considerações. Sou, além de pesquisadora, uma pessoa com forte identificação pessoal aos indígenas e defendo todo tipo de valorização de suas vidas e cultura. Obrigada a todos que contribuíram para a produção deste documentário. Os prêmios recebidos são merecidos! Continuem neste foco e um viva ao povo indígena que é o nosso povo brasileiro e nossa espécie humana, sem distinção étnica!

  2. Queridos Amigos:
    Quero matar uma “Vaca Sagrada”, o chamado “infanticidio”.
    Certamente o tema atrapalha, conseguir mais compreensão e aprovação para a cultura indígena entre os Não-Indios. Mal conseguiram simpatias, uns teimosos acharam nisso um novo pretexto, para etiquetar o índio e sua cultura como cruel e implacável.

    Eu vejo no tema e no jeito como é tratado por políticos e jornalistas mera hiprocricia, pois o próprio Homem Branca practica infanticídio:

    – A forma mais comum chama-se “Aborto”. Uma diferênça é, que é praticado numa sala de cirurgia. Outra, que o Homem (Mulher) Branco não apenas mata fetos, que iam crescer doentes senão outros, perfeitamente saudáveis, pelo único motivo, que não as ama o suficiente, para criâ-los, caso que nascessem. Isso nenhuma das tribos indigenas jamais faria. As Mulheres Brancas defendem tais praticas ainda como seu “Sagrado Direito” (“A minha barriga pertence a mim!”, o que dizem).
    – Mas existem outras formas tambem: não deixar viver uma pessoa é o mesmo como matâ-la, talvez ainda mais cruel, pois ela continua sofrendo.
    * Onde uma criança, no Mundo Branco, pode brincar ?
    Na rua ? Vem um carro e a atropela e mata !
    * Quando eu era jovem, bastava escolarizar uma criança com 7 anos. Não me fez mal: sei ler e escrever muito bem, estudei na universidade e fiz o doutor com alta nota.Nos anos antes a criança tinha plena liberdade, para brincar.
    Hoje, o pre-escolar é obrigatório. Recomenda-se, mais cedo ainda o pre-pre-escolar. Ja tem tentativas sérias, de escolarizar numa especie de “pre-pre-pre” com apenas 2 anos de idade. Onde ficará a Infância Branca ?
    * Outros Não-Indios praticam pedofilia, entregam seus filhos a prostituição, ao crime e às drogas: uma agonia lenta, tão lenta, que nenhum índio (a não ser, que sua tribo estiver sob influência do Homem Branco, do qual tiver apreendido tais coisas) seria cruel o suficiente, para fazer isso.
    Acabar com a prática do infanticidio nas aldeias UNICAMENTE compete ao proprio índio e não a uns autodeclarados guardiões da moral Brancos. Jesus Cristo disse: “Quem estiver sem pecado, jogue a primeira pedra!” e tambem “Não critiques a palha no olho do teu próximo, se tiveres uma trava no teu proprio!”
    Por outro lado, se o indio conseguir resolver esse problema, demostraria CLARA superioridade moral ao Homem Branco na questâo, como tratar os filhos.
    Espero, que esse comentário ajude pôr os pés no chão. sobre um problema, que já mancha os manchetes dos jornais, e ocupa o parlamento brasileiro!

    Abraço:
    Toivo Willmann

  3. essas pessoas precisa apenas conhecer a deus nao existe comentario diante decoisas assim a falta de conhecimento de apoio eu vou fazer a minha parte DEUS vai saber o que vou fazer as igrejas de todo mundo tem que se unir para orarmos por essas maes que tenho certeza que nao mata seu filho poque quer elas estao sendo enganadas por uma coisa errada que so DEUS pode mudar essa situaçao

  4. Excelente documentário. Muito esclarecedor. O documentário expressa um movimento de renovação cultural dentro da comunidade indígena e que é bastante salutar. Tal movimento existiu, existe e continuará existindo no interior das mais variadas culturas existentes no planeta, contribuindo para o processo de evolução humana. É necessário romper com os fundamentalismo e a intolerância existente no interior de qualquer cultura. Por que não, na cultura indigena? O conhecimento do qual membros desta comunidade vêm se apropriando(pela Educação) ao longo de sua história resultará, certamente, em benefício para o seu povo. O documentário é uma prova concreta deste fato. A sociedade letrada, deve apoiar suas inciativas, de modo a que a comunidade indigena possa alcançar sua plena autonomia. O indio, não importa sua etnia, não é ignorante e nem tolo. É capaz de fazer escolhas e assumir responsabilidades. Portanto, não devemos tratá-los como se fossem crianças. Devemos respeitá-los como pessoas humanas, assegurando todos os seus direitos.

  5. Esta matéria me comoveu bastante. Parabéns a todos os reponsáveis por esta. Todo ser humano deve ter seus direitos assegurados, independentemente da etnia desses povos, sejam eles, índios, negros, brancos, mulatos, deficientes… Todos têm os mesmos direitos. Esse crime ou tradição que vem seguindo há várias gerações atrás, tem que acabar, todavia, este mal ainda continua e vive perambulando entre as várias aldeias brasileiras – o infanticídio nas aldeias indígenas do Brasil. Maíra Barreto, doutoranda em direitos humanos pela Universidade de Salamanca (Espanha), afirma que nós vivemos sob uma ordem legal e a lei diz que o direito à vida é mais importante que a cultura, cuja tese é sobre infanticídio indígena, porém, o governo brasileiro promulgou, em 2004, por meio de decreto presidencial, a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que determina que os povos indígenas e tribais “deverão ter o direito de conservar seus costumes e instituições próprias, desde que não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais definidos pelo sistema jurídico nacional nem com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos”. O número de índios mortos por infanticídio no Brasil é uma incógnita. Essa realidade precisa acabar, independentemente se isso são costumes ou não.

  6. Gostei muito de conhecer o trabalho de Sandra Terena. Parabéns. Fico feliz de saber que os conhecimentos adquiridos por ela fora estão sendo usados a favor das comunidades indígenas.
    O tema do documentário é muito delicado e merece atenção. Sei também que é complicado emitir julgamento cultural sobre valores e tradições de outras comunidades.
    Mas desejo que o debate a partir deste documentário dentro das aldeias fortaleça o laço cultural indígena, em favor da vida!

  7. Excelente e necessário trabalho. Realmente é uma tarefa muito delicada cutucar a onça com vara curta. Várias “tradições folclóricas” brasileiras também necessitam de um exame mais profundo que mostrem realmente seu caráter racista, anti-semita, colonizado e conservador

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