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Um computador por aluno

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16fev

Por Vinicius Zepeda
Do portal da Faperj

Quando estão em casa, estudantes de duas escolas públicas da cidade de Piraí, no vale do médio Paraíba fluminense, que participam do programa Um Computador por Aluno (Prouca) – que consiste na doação de laptops a alunos e professores da rede pública – dividem o uso do computador de forma equilibrada entre atividades de lazer e de estudo. Os resultados, surpreendentes para o senso comum e até para o pensamento dos gestores de educação, são parte de uma pesquisa inédita no país: a implantação do projeto Memore (Mecanismo de Monitoramento Remoto), para captação e análise de dados sobre o uso de computadores nas escolas.

O projeto consiste num software implantado nos laptops, que permite monitorar, em tempo real, como eles são utilizados dentro e fora de sala de aula. “Em parceria com a Secretaria de Educação de Piraí, pesquisamos quatro turmas do primeiro segmento e quatro do segundo do ensino fundamental do Ciep Professora Rosa da Conceição Guedes e da Escola Municipal Rosa Carelli da Costa. Segundo nosso levantamento, 46% das atividades realizadas em casa foram de lazer e 43% foram escolares”, afirma o doutor em sistemas de computação Ronaldo Ribeiro Goldschmidt, da  Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).Além da equipe composta por diversos pesquisadores, o projeto contou com a participação do estudante de Ciência da Computação da UFRRJ Julio Cesar Barbieri.

Sob a orientação de Goldschmidt, Barbieri ficou responsável por parte da programação computacional necessária para a implantação do Memore nos computadores. “Ao discutirmos nossa proposta de trabalho com os professores das escolas, percebemos suas dificuldades na elaboração e na avaliação de projetos de aprendizagem que envolvem o computador. Pelo conhecimento já disponível sobre o assunto, resolvemos desenvolver no software um módulo inteligente que servisse para orientar os professores”, afirma Goldschmidt.

Graças à sua participação, Barbieri pôde aprofundar seus estudos. “Pude aprender sobre estes sistemas, sobre inteligência artificial e desenvolver a ferramenta de apoio aos docentes”, explica. O estudante lembra que na época ainda não conhecia sequer que existiam técnicas de computação como os agentes inteligentes – sistemas artificiais que podem interagir e aprender sobre os usuários, ou tentar compreender sobre seus interesses, além de empregar técnicas de busca heurísticas para oferecer uma variedade de opções de que o usuário pode necessitar. Isso serve para orientar os professores na elaboração das aulas. “Já tinha orientado Barbieri em outro projeto e sua participação agora só reforçou minhas impressões sobre seu talento na área de programação”, afirma orgulhoso, o orientador.

Goldschmidt explica que o Memore se divide em três módulos de funcionamento. “O primeiro é o chamado Agente de Coleta de Dados, que monitora o uso dolaptop, registrando informações sobre softwares utilizados por alunos, horários de acesso, sites visitados e outras informações. Antes que o aluno ou o professor desligue o computador, esse Agente de Coleta interage, fazendo algumas perguntas. O segundo módulo é o Agente de Transferência de Dados, que transmite e armazena todas as informações coletadas para o Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro (Proderj). E o terceiro módulo é o de Mineração e Visualização, que permite, por meio de ferramentas computacionais e algoritmos, analisar os dados encontrados”, enumera.

As primeiras informações encontradas pelo pesquisador foram coletadas entre 1º de agosto a 31 de outubro de 2012, em 77 laptops distribuídos nas oito turmas piloto. Até o final de setembro daquele ano, os computadores eram mantidos na escola. Só após essa data, os alunos foram autorizados a levá-los para casa, devolvendo-os ao final do ano letivo. “Os dados apurados nos experimentos iniciais totalizaram uma média de duas horas por semana de uso dos computadores para cada aluno. Os estudantes mais velhos foram os que usaram os laptops por mais tempo, enquanto os mais novos, em especial da classe de alfabetização, os usaram de forma mais restrita às atividades em sala de aula, sob orientação da professora”, explica. Ele destaca ainda que apenas 3% do tempo médio de utilização dos computadores foi dedicado às atividades de grupo. “O número sobe para 18% quando observamos somente as atividades realizadas em sala de aula”, complementa.

A pesquisa ainda identificou que os softwares mais utilizados foram, pela ordem, o Google Chrome, Tux Paint, LibreOffice Writer e GCompris. “Devido à alta demanda pela internet, já era esperado o uso do Chrome como o mais acessado. E o uso do programa para desenho (Tux Paint) e para escrita (LibreOffice Wrtiter), por serem aplicados às atividades acadêmicas na educação fundamental, também não surpreendeu. E o GCompris, como um pacote de jogos educativos com bastante apelo junto ao público infanto-juvenil, também não surpreendeu”, explica Goldschmidt. Ele ainda discorreu sobre a familiaridade do uso do computador entre os estudantes. “Em 79% das vezes, eles declararam não ter nenhuma dúvida, o que mostra o bom nível de assimilação da tecnologia”, destaca.

Agora em 2014, Ronaldo Goldschmidt e sua equipe vão implantar o Memore em todas as turmas das duas escolas de Piraí. E vão acompanhar, durante todo o ano, o desempenho e as notas dos alunos contemplados pelo Prouca. “A ideia é de que o módulo desenvolvido pelo Julio possa realmente contribuir com os professores para a melhoria da qualidade de seus projetos de aprendizagem. Além disso, esperamos que o Memore se consolide como um instrumento de apoio a docentes e gestores a acompanhar de forma contínua a eficácia do uso de laptops na educação”, conclui.

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