Mídia & Educação

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José Marques de Melo e Sandra de Fátima Pereira Tosta
Editora Autêntica

Oitavo volume da Coleção Temas & Educação, o livro contribui para a compreensão conceitual e empírica de como pensar uma educação midiática e uma mídia educativa. Os autores tratam ainda dos precursores da mídia-educação no Brasil, da legislação sobre o magistério e do papel social da educação e da mídia, instrumentos fundamentais de transformação, mobilização e informação. Além disso, oferecem uma biblioteca multimídia comentada sobre livros, revistas, sites e filmes e uma relação de ONGs do Brasil que desenvolvem projetos de educomídia. Compreendendo que a educação e a mídia são campos que devem interagir para a construção de uma sociedade democrática, os autores deste livro acreditam que “sem um mergulho no mundo da mídia, seus contrastes, suas contradições, o educador não terá condições de ‘reeducar’ seus estudantes para a autonomia de si, condição para a consciência crítica face à sociedade em que transita”.

Visite o site da editora

Mídia e educação: os livros de sua biblioteca

Aproveitando a realização da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, em cartaz até o dia 20 de setembro, no Riocentro, a revistapontocom desta semana destaca alguns livros, já publicados, sobre mídia e educação. São títulos recentes e outros nem tanto, mas todos com um único objetivo: pensar a interface entre mídia e educação, um tema de interesse cada vez mais crescente entre estudiosos, pesquisadores e professores.

Você também pode contribuir conosco.
Envie para o nosso e-mail sugestões de outros títulos para que possamos acrescentar à nossa lista.

Confira:

– Mídia & Educação
José Marques de Melo e Sandra de Fátima Pereira Tosta
Editora Autêntica

– Liga, roda, clica:  estudos em mídia, cultura e infância
Monica Fantin e Gilka Girardello (Orgs.)
Editora Papirus

– Por que estudar a mídia?
Roger Silverstone
Edições Loyola

– A televisão pelo olhar das crianças
Rosália Duarte (org)
Editora Cortez

– Palavras meios de comunicação e educação
Adilson Citelli
Editora Cortez

– O que é mídia–educação?
Maria Luiza Belloni
Autores Associados

– Educação, imagens e mídias
Cristina Costa
Editora Cortez

– A vida com a TV
Luiz Costa Pereira Junior
Senac Editora

– Mídia e Educação – reflexões nas páginas do jornal
Marcus Tavares
Editora Multifoco

Rádio Justiça ganha prêmio pelo Dia Internacional da Criança na Mídia

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A Rádio Justiça foi escolhida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) como a melhor emissora da América Latina e Caribe que abriu espaço para a participação de crianças e jovens no Dia Internacional da Criança na Mídia, comemorado em 1º de março deste ano. Naquele domingo, toda a programação da rádio foi produzida por estudantes de cinco a dezoito anos. Eles falaram sobre direitos humanos, cidadania, leis e justiça. A cerimônia de premiação será no dia 10 de novembro em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas.

Para atrair meninos e meninas aos estúdios da rádio para participar do Dia Internacional da Criança na Mídia, o Núcleo de Programação Visual do Supremo Tribunal Federal, em parceria com o Conselho Nacional de Justiça, criou mil cartazes e folders com fotos de crianças operando as mesas de som e os equipamentos da emissora. “A intenção era que uma criança, ao ver o cartaz na sua escola, pensasse se ele pode mexer nesses botões e microfones, eu também quero”, conta Mateus Bassan, publicitário criador da campanha de divulgação.

O material foi distribuído nas escolas da rede pública, nos centros de atendimento social e nas instituições dedicadas a adolescentes infratores. Em reuniões dos representantes da Rádio Justiça com a Secretaria de Educação foram tiradas dúvidas de como participar e surgiram ideias de como os professores poderiam incentivar seus alunos. Os quatro centros para internação de menores em conflito com a lei também foram visitados pela equipe de jornalistas. “Houve troca de experiências e conversas com diretores de escolas e dos centros até que eles enviassem realmente as propostas”, diz a coordenadora da Rádio Justiça, Madeleine Lacsko.

E o esforço deu certo. Representantes das escolas públicas do DF e jovens que cumprem medidas socioeducativas foram “âncoras” de radiojornais, programas de entrevistas, radionovelas, radioteatros, reportagens especiais e de até programas de rap e poesia com conteúdo integralmente produzido pelos próprios grupos.

Ouça algumas peças criadas pelos jovens

As crianças entrevistaram promotores, juízes, professores universitários e o rapper Mano Brown. Quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também foram ouvidos pelos pequenos. O ministro Carlos Ayres Britto falou sobre poesia e o ministro Eros Grau explicou o que é preciso para tomar decisões como juiz. Já o presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, comentou a aplicação da Justiça no país e o ministro Ricardo Lewandowski mostrou como a falta de estrutura do país em algumas áreas impede o cumprimento de direitos previstos na Constituição.

Os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas no Centro de Internação de Adolescentes Granja das Oliveiras (Ciago), no Distrito Federal, entrevistaram o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, sobre a ação do Estado diante do desamparo, ausência de cuidados e violência contra crianças e adolescentes – todos qualificados como crimes na lei brasileira.
Na avaliação da coordenadora da Rádio Justiça, os resultados foram além do esperado. “As ideias das crianças foram ricas não só em conteúdo, mas também na forma de apresentação”, afirma Madeleine Lacsko. Ela conta que, em alguns casos, os programas já chegavam no formato correto para ir ao ar, sem necessidade de adaptações. Em outros, jornalistas e produtores da rádio ajudaram a dar o texto final e a marcar entrevistas, por exemplo.

MultiRio lança curso virtual sobre o Acordo Ortográfico

Desde janeiro deste ano, a Língua Portuguesa vem passando por uma reforma ortográfica. Com as novas regras, as dúvidas não param de surgir. Para esclarecer melhor os professores, os estudantes e a população carioca, a MultiRio – empresa de multimeios da Prefeitura do Rio – acaba de lançar em seu portal um curso gratuito sobre o Acordo Ortográfico.

As aulas incluem textos para leitura, links para sites interessantes e outros materiais de apoio. Os usuários terão acesso ainda aos vídeos com a campanha desenvolvida pela MultiRio sobre o Acordo Ortográfico, já veiculada na televisão. Dividido em sete unidades, o curso apresenta informações históricas e orientações sobre as principais novas regras ortográficas

Na primeira unidade, o leitor aprende sobre a origem da Língua Portuguesa e sua evolução nos diferentes países lusófonos. A importância da língua como um fenômeno social é o tema da unidade seguinte. A partir da terceira unidade, o curso coloca em foco as mudanças promovidas pela Reforma Ortográfica: alfabeto (unidade 3), trema (unidade 4), verbos (unidade 5), acentuação (unidade 6) e hífen (unidade 7).

A história de Cebolinha e Mônica em suas mãos

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Que tal criar você mesmo as histórias da Turma da Mônica? E detalhe: não é preciso saber desenhar e muito menos sair de casa. Trata-se da Máquina de Quadrinhos da Turma da Mônica, o 1º editor online de histórias em quadrinhos do Brasil. No portal, fãs de todas as idades poderão criar suas próprias histórias, usando personagens, cenários, objetos e balões do universo da Turma da Mônica. As histórias serão lidas e votadas por todos os visitantes do portal e as melhores poderão até ser publicadas nas revistas dos personagens.

Para criar as histórias, os usuários poderão acessar gratuitamente e também comprar pacotes de imagens que terão duração de 30 dias. Durante esse período, o usuário poderá criar quantas histórias quiser. Todas as produções aprovadas para publicação ficarão permanentemente expostas no portal. Para ler e votar nas histórias, não é preciso comprar nenhum pacote, nem mesmo ser cadastrado no site.

Voltada prioritariamente para as crianças, a Máquina de Quadrinhos não aceita palavrões, conteúdo difamatório, violento, pornográfico ou preconceituoso, além de considerar impróprio histórias e comentários que envolvam diferenças raciais, álcool e drogas, sexo, religião, política ou outros assuntos do gênero. Um processo de moderação em três etapas é utilizado para não permitir a publicação de histórias ou comentários que não respeitem as regras.

A estreia do Máquina de Quadrinhos faz parte das comemorações  dos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa.

Meditar para aprender

“A prática regular de meditação vai criar mecanismos de defesa contra o estresse, a ansiedade e a depressão, que são doenças do mundo moderno”, Sérgio Menezes.

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Por Marcus Tavares

Antes das aulas, um pouco de meditação. Meditação transcendental para diminuir a ansiedade e os efeitos do estresse com o objetivo de melhorar a concentração nos estudos e, consequentemente, a aprendizagem. Alunos, professores e funcionários de duas escolas do Rio vêm participando de um projeto-piloto que pretende emplacar de vez a meditação no cotidiano escolar.

“A Secretaria de Estado de Educação está viabilizando a meditação transcendental para os alunos  através da Fundação David Lynch. Estamos propiciando aos jovens a oportunidade de conhecer uma técnica consagrada, comprovadamente eficaz, para que eles melhorem sua capacidade de aprendizagem e concentração. Isso vai se refletir no comportamento deles e na saúde também de todas as pessoas envolvidas”, explica Sérgio Menezes, coordenador do projeto e assessor da secretária de Estado de Educação do Rio, Tereza Porto.

Segundo Sérgio, a meditação transcendental vem sendo praticada em vários países. No continente americano, a Fundação David Lynch já atua em 140 escolas. No Brasil, há experiências bem-sucedidas em Minas Gerais. A ideia é ampliar o projeto em 2010, alcançando cerca de 7 mil alunos do Estado do Rio.

Acompanhe a entrevista.

revistapontocom – O que é meditação transcendental?
Sérgio Menezes –
A meditação transcendental é uma técnica extremamente simples, natural, amplamente difundida, de prática de 15 a 20 minutos diária, e de efetivo resultado de comprovação internacional.

revistapontocom – Por que aliar a meditação transcendental ao dia a dia das escolas?
Sérgio Menezes –
Todos nós de alguma forma, no mundo ocidental, temos consciência da eficácia das técnicas de meditação. A vida do mundo atual é extremamente agitada e complexa, e é muito importante buscar o equilíbrio, a paz interior e a harmonia. A prática regular de meditação vai criar mecanismos de defesa contra o estresse, a ansiedade e a depressão, que são doenças do mundo moderno. Ter uma mente saudável é o primeiro passo para um corpo saudável. Uma vez harmonizados, num exercício de autoconhecimento de nossos talentos e fraquezas, conseguiremos alcançar a felicidade e melhores resultados na vida.

revistapontocom – Quais são os ganhos para os alunos e professores?
Sérgio Menezes –
A Secretaria de Estado de Educação está viabilizando a meditação transcendental para os alunos da rede estadual através da Fundação David Lynch. Estamos propiciando a esses jovens a oportunidade de conhecer uma técnica consagrada, comprovadamente eficaz, para que eles melhorem sua capacidade de aprendizagem e concentração e, ainda, seu aproveitamento na escola. Isso também vai se refletir no comportamento deles e na saúde também de todas as pessoas envolvidas. Essa é uma proposta em que convocamos a participação da direção, dos professores e dos alunos de forma voluntária. Não haverá obrigatoriedade. Os menores deverão ser autorizados pelos pais por escrito, e só com essa autorização eles poderão participar do processo. A metodologia começa com o engajamento da direção. Em seguida, vem o treinamento de 15 horas dos professores que se voluntariam para participar e só a partir daí fazemos uma mobilização dos pais para expor no que consiste o projeto, seus objetivos e os benefícios que seus filhos vão ter. Depois dessas etapas, os alunos começam as atividades.

Conheça a meditação transcendental de David Lynch aplicada à educação

Saiba mais no site da Fundação David Lynch

revistapontocom – Já há experiências neste sentido?
Sérgio Menezes
– O projeto é consagrado no mundo inteiro. No continente americano, a Fundação David Lynch atua em 140 escolas. No Brasil, também temos exemplos de sucesso. Em Minas Gerais, a Fundação David Lynch apresentou, em vídeo, depoimentos positivos de diretores, professores e alunos, de duas escolas que utilizam regularmente as técnicas. Isso significa que, diante da nossa cultura e nossa realidade, também está comprovada a eficácia da técnica de meditação.

revistapontocom – O projeto vem sendo aplicado em duas escolas-piloto do Estado do Rio. O que o senhor  vem observando?
Sérgio Menezes –
Verificamos que a meditação, apesar de não tão difundida no ocidente, é mais conhecida do que parece. Ficamos surpreendidos de forma positiva com os professores. Quando levamos a proposta ao Nave (Núcleo Avançado em Educação), na Tijuca, e ao Ciep Hélio Pelegrino, em Campo Grande, verificamos que alguns deles tinham conhecimento da técnica. Uma professora deu depoimento oportuno e gratificante sobre os benefícios da meditação, que ela pratica de desde 1995.

revistapontocom – Como o projeto funciona na prática?
Sérgio Menezes –
Na prática, o projeto-piloto acontecerá em duas escolas bem diferentes em termos de clientela. O Ciep Hélio Pelegrino tem cerca de 1.500 alunos e o Nave, com 320 estudantes. Os professores já estão no final do processo de treinamento. Vamos iniciar efetivamente o processo com os alunos dessas unidades nesta semana, no dia 14 de setembro. Durante dois meses e meio, até o final de novembro, eles vão fazer parte do projeto-piloto. A rotina diária será de 15 minutos de prática de manhã e igual período à tarde, em horário a ser definido pela gestora das escolas. O treinamento será dado pelos professores e, futuramente, pelos alunos que voluntariamente tenham interesse em se tornar monitores. A prática se realiza dentro das salas de aula, com os estudantes sentados nas suas respectivas carteiras em repouso, o que chamamos de “tempo de silêncio”. Será um exercício de autoconhecimento. Os resultados não virão nas primeiras 24 horas, nem na primeira semana. Faço uma analogia com os exercícios físicos. Ninguém se sente saudável no primeiro dia de academia, mas quem acredita nos benefícios futuros tem determinação e persiste com os exercícios. Precisamos estimular o aluno para que, progressivamente, comece a ter o prazer de conviver consigo mesmo. A partir do autoconhecimento, ele pode se aceitar melhor, para produzir resultados significativos e mais gratificantes no futuro.

revistapontocom – Como, de fato, o projeto será implementado na rede?
Sérgio Menezes –
Todo o processo está sendo monitorado pela Superintendência de Acompanhamento e Avaliação da Secretaria de Estado de Educação. Após esse período, no mês de dezembro, teremos a avaliação final da aplicação das técnicas nas escolas. Apesar do pouco tempo de prática, acreditamos fortemente que essa avaliação recomendará a manutenção do projeto nas escolas-piloto e a expansão para outras unidades no ano de 2010, com previsão de atender a sete mil alunos.

E depois do futuro?

Por Antônio Brasil
Jornalista. Doutor em Ciência da Informação. Professor da Uerj.

A TV diminuiu, saiu da sala e não é mais refém do horário nobre. A telinha agora está presente em todos os lugares o tempo inteiro. É parte do nosso corpo, quase uma segunda pele digital. Sempre no ar, transmite tudo para todos ao vivo, em cores e até mesmo em 3D. Estamos diante de um novo conceito de televisão. Depois do tubo e do chip surge a TV Tudo. A TV everything, everywhere, all the time (tudo, em todo lugar, todo o tempo).

A televisão deixou de ser somente som e imagem. Não é mais uma mídia analógica ou digital. A TV agora é um novo universo, experiência virtual cada vez mais próxima de uma nova realidade. Graças ao acesso à internet em banda larga, a TV também passou a contar com oferta ilimitada de conteúdo. E que conteúdos! Os custos mais baixos de produção e a guerrilha tecnológica criam novos formatos de TV.

Esses foram alguns dos principais temas discutidos no 6º Fórum Internacional de TV Digital que ocorreu no Arte Sesc Flamengo, no Rio de Janeiro, na sexta-feira (28/8). O evento realizado pelo Instituto de Estudos de TV foi um grande sucesso. Lotação esgotada para discutir o presente e dar uma espiada no futuro da TV digital. Quem não foi não sabe o que perdeu.

Telespectador idiota

Pelo jeito, ao contrário das previsões, a TV digital não virou cinema. A TV quer ser móvel. Assim como o homem, não quer ficar parada no tempo e no espaço. Assim como homem, a TV quer circular, ser celular.

Participei da mesa de abertura com o jornalista e diretor de TV Nelson Hoineff e o secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura Silvio Da-Rin. Logo no início perguntei aos mais de 300 participantes do fórum por que estávamos reunidos em mais um evento sobre a TV digital brasileira? “Creio que queremos entender o presente e prever o futuro”, disse. E para entender o presente, selecionei algumas manchetes recentes que demonstram os problemas enfrentados pela nossa TV.

De um lado, “Lula critica qualidade da programação da TV brasileira” e o ministro da Cultura Juca Ferreira acrescenta: “TV aberta não pode ser a única atividade cultural”. Do outro lado, o radiodifusor Hélio Costa, atual ministro das Comunicações, contesta: “Juventude tem que despendurar da internet e voltar a ver TV”.

“Confuso? Parece que os responsáveis pelo nosso futuro não sabem onde estão e para onde vão? Talvez seja por isso que estamos aqui reunidos nesse fórum”, disse na minha apresentação.

Na mesma mesa de abertura, Nelson Hoineff, presidente do IETV, procurou esclarecer algumas dúvidas sobre o atual estágio da TV brasileira: “O novo espectador de televisão não é o `você que está aí em casa´. É o individuo que está em qualquer parte e que não compartilha o que está vendo. É principalmente o jovem, que abandonou a televisão porque aquilo que está pendurado na parede lhe trata como débil mental. Os responsáveis pela nossa TV podem continuar tratando-o como um idiota, mas se alguém quiser um conselho de graça, é bom que não o faça”.

Não é à toa que os governantes e radiodifusores brasileiros estão tão confusos e temem tanto a popularização das broadband TVs ou TVs com acesso à internet. Talvez estejamos diante do fim do telespectador idiota. Ainda mais se considerarmos que somente as novas TVs digitais têm lançado conteúdos originais e inovadores. E os melhores programas de TV estão sendo transmitidos com exclusividade para celulares.

Para deixar os radiodifusores ainda mais preocupados, hoje o Brasil já tem mais celulares do que aparelhos de TV. No modelo atual de televisão, as redes comerciais não podem perder audiência para outras mídias. Ainda não perdem receita publicitária, mas é mera questão de tempo. O problema é que elas já estão perdendo audiência – principalmente nos segmentos mais importantes – para as novas mídias.

O futuro chegou

E como citou Ricardo Mucci, diretor de Novas Mídias da Fundação Padre Anchieta, “pela natureza do negócio, as redes comerciais abrem somente as portas dos shopping centers. A TV Cultura de São Paulo, no entanto, prefere abrir as portas das bibliotecas”.

Foi uma bela defesa dos princípios da TV pública de verdade. A apresentação de Mucci no 6º Fórum de TV Digital teve a cara da melhor e mais inovadora emissora de TV do Brasil: clara, simples e informativa. Com o título de “A TV Cultura na era da transmissão participativa, da difusão de conteúdos multiplataforma e da TV digital”, Mucci descreveu em detalhes inúmeras inovações da emissora paulista através dos anos.

A destacar a primeira transmissão ao vivo via internet da TV brasileira no programa Vitrine, com Marcelo Tas, dirigido pelo Gabriel Priolli. Mucci também relembrou inovações de linguagem televisiva em programas infantis como o Vila Sésamo e o Castelo Ra-Tim-Bum, além da produção da primeira novela educativa brasileira, João da Silva.

A TV Cultura sempre foi sinônimo de inovação tecnológica e de criatividade na produção de uma nova linguagem televisiva. Infelizmente, também enfrenta constantes problemas com a falta de recursos, greves, intromissões sindicais, partidárias, governistas e a baixa audiência. Agora na era digital, a TV Cultura de São Paulo prepara novas surpresas para os telespectadores mais exigentes.
Ricardo Mucci anunciou o lançamento do Programa Novo, uma produção juvenil de duas horas de duração, ao vivo que estréia em setembro. O programa terá na interatividade o seu grande diferencial. O público será convocado a escolher quase tudo, inclusive o nome do novo programa.

Mais uma vez, a TV Cultura de São Paulo, a melhor TV do Brasil, investe na inteligência do telespectador. Investe na sobrevivência de um modelo de TV publica de verdade.

Objeto do desejo

A grande surpresa do 6º Fórum de TV Digital do IETV em vários e peculiares sentidos foi a apresentação do CEO da M1nd, Alberto Magno. É assim mesmo que se escreve. Mas se pronuncia Mind – ou “mente”, em inglês. Também levei tempo para perceber e entender a pequena diferença. Coisas da revolução digital.

Mas não deveria ser uma surpresa. Alberto Magno é filho do igualmente talentoso e polemico ator Jece Valadão. Foi o momento de descontração e ousadia do fórum. Convidado para falar sobre a “TV do Amanhã” e descrever as suas experiências com a produção e transmissão de conteúdos exclusivos para a TV no celular, Magno anunciou de forma enfática que “o celular é o novo objeto de desejo das pessoas”.

Esqueçam o automóvel, o aparelho de TV ou o computador de última geração. Para Magno, a TV aberta ou por assinatura já morreu. “A TV do amanhã está no celular”, previu Magno. Ele também defendeu o conteúdo e softwares gratuitos. “Tudo de graça para todos. No futuro todos vão assistir todos”, afirmou. O CEO da M1nd também exibiu um vídeo com as suas principais realizações. A destacar a transmissão ao vivo e exclusiva para celulares de um grande evento musical da TIM. Com mais de 100 técnicos, jornalistas e apresentadores, a superprodução da M1nd não deixou nada a dever às realizações das grandes emissoras de TV. Para Magno, e para surpresa de muitos participantes do fórum, “a qualidade da cobertura do evento comprova a chegada do futuro da TV nos celulares”.

Realidade virtual

Mas o 6º Fórum de TV Digital não se resumiu a discutir novas tecnologias e conteúdos originais para uma televisão móvel. De forma muito criativa e irreverente, o roteirista e diretor de cinema Newton Cannito contestou alguns mitos sobre o presente e o futuro da TV. Ele se dirigiu à platéia e perguntou: “Como vai ser o futuro da TV? É o fim das narrativas e das grades de programação? Individualização da experiência coletiva de assistir TV? Interatividade total? Todos vão produzir TV? Mas, afinal, o que é essa tal de interatividade na TV?”

Para Cannito, interatividade é muito simples. Já existe, sempre existiu e não passa da nossa vontade ou necessidade de conversar com amigos sobre a novela, as notícias do telejornal ou o último programa a que assistimos. TV dá assunto, é debate coletivo, é o espaço público do país. Para ele, as mídias não surgem do nada. Elas existem para potencializar as demandas. Cannito também tem dúvidas se todos querem ou vão ser realizadores no futuro da TV. “Todos seria um exagero”, afirma. TV ainda é – e no futuro próximo ainda continuará sendo – uma experiência passiva. A maioria dos telespectadores ainda liga a TV para não pensar, não fazer nada. TV não é internet.

Ao defender as transmissões ao vivo, o grande diferencial da TV, Cannito fez questão de dizer que TV é mídia de fluxo. Não é mídia de arquivo. Nos anos 1950, a TV era muito criativa talvez porque – por limitações tecnológicas – era somente ao vivo. Tinha cara de rádio. Agora, digital, a TV volta às suas origens. Para Cannito, no entanto, a principal característica do digital é que não estamos diante de uma nova mídia. “O digital é todas as mídias”, disse o criador da série para TV 9mm.

Assim foi o 6º Fórum Internacional de TV Digital. Lembramos o passado, refletimos sobre o presente e tentamos imaginar o futuro. Mas, e depois do futuro? Quais serão os novos desafios das mídias digitais e da TV do amanhã? Citei a transmissão das primeiras imagens holográficas pela CNN durante a cobertura da eleição do presidente Barack Obama, em 2008. Também procurei provocar o público a imaginar uma TV além dos limites do digital. No futuro muito próximo, ao invés de assistir a programas de televisão em alta definição ou em celulares, vamos vivenciar novas experiência em uma TV com “realidade virtual”.

Não custa sonhar. Afinal, o futuro é hoje, o “depois do futuro” promete muitas surpresas e está cada vez mais próximo.

Governança e uso da internet no Brasil

Em sua terceira reunião ordinária, o Comitê Gestor da Internet no Brasil, órgão criado em 1995 para coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços de internet no país, aprovou uma resolução na qual estabelece os princípios para a governança e uso da internet.  O documento defende a privacidade, mas ao mesmo tempo uma regulação mínima que contribua para o estabelecimento de um uso mais coerente da web. A revistapontocom publica, abaixo, os dez pontos da resolução.

Confira:

Princípios para a governança e uso da internet no Brasil
Considerando a necessidade de embasar e orientar suas ações e decisões, segundo princípios fundamentais, o Comitê Gestor da Internet resolve aprovar os seguintes princípios para a internet no Brasil:

1. Liberdade, privacidade e direitos humanos
O uso da Internet deve guiar-se pelos princípios de liberdade de expressão, de privacidade do indivíduo e de respeito aos direitos humanos, reconhecendo-os como fundamentais para a preservação de uma sociedade justa e democrática.

2. Governança democrática e colaborativa
A governança da Internet deve ser exercida de forma transparente, multilateral e democrática, com a participação dos vários setores da sociedade, preservando e estimulando o seu caráter de criação coletiva.

3. Universalidade
O acesso à Internet deve ser universal para que ela seja um meio para o desenvolvimento social e humano, contribuindo para a construção de uma sociedade inclusiva e não discriminatória em benefício de todos.

4.  Diversidade
A diversidade cultural deve ser respeitada e preservada e sua expressão deve ser estimulada, sem a imposição de crenças, costumes ou valores.

5.  Inovação
A governança da Internet deve promover a contínua evolução e ampla difusão de novas tecnologias e modelos de uso e acesso.

6.  Neutralidade da rede
Filtragem ou privilégios de tráfego devem respeitar apenas critérios técnicos e éticos, não sendo admissíveis motivos políticos, comerciais, religiosos, culturais, ou qualquer outra forma de discriminação ou favorecimento.

7. Inimputabilidade da rede
O combate a ilícitos na rede deve atingir os responsáveis finais e não os meios de acesso e transporte, sempre preservando os princípios maiores de defesa da liberdade, da privacidade e do respeito aos direitos humanos.

8. Funcionalidade, segurança e estabilidade
A estabilidade, a segurança e a funcionalidade globais da rede devem ser preservadas de forma ativa através de medidas técnicas compatíveis com os padrões internacionais e estímulo ao uso das boas práticas.

9. Padronização e interoperabilidade
A Internet deve basear-se em padrões abertos que permitam a interoperabilidade e a participação de todos em seu desenvolvimento.

10. Regulação Mínima
Marcos regulatórios devem preservar a dinâmica da Internet como ambiente de colaboração criativa.

Matemática por meio dos jogos

Projeto: Jogos Matemáticos
Instituição: Colégio Marista Maria Imaculada
Localização: Canela – Rio Grande do Sul

Durante muitos anos, a Matemática foi considerada um bicho-de-sete-cabeças nas escolas. Para muitos alunos, a disciplina não era apenas difícil, mas também chata. Para contornar a situação, professores começaram a usar a criatividade com o intuito de atrair a atenção dos alunos e conquistar seu gosto pela matéria. Foi o que fez Dionéia Boch de Castilhos, professora do Colégio Marista Maria Imaculada, em Canela, no Rio Grande do Sul. Ela criou o projeto Jogos Matemáticos, onde propõe desafios aos estudantes e os incentiva a criar novas brincadeiras para aprender.

O projeto vem sendo desenvolvido com alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, desde 2005. Segundo a coordenadora do colégio, Liane Ramirez, o jogo tornou-se um instrumento pedagógico para a introdução e fixação de conteúdos matemáticos. Ela explica que o trabalho com jogos tem o objetivo de proporcionar aos alunos um contato mais prático com o componente curricular, desenvolver o raciocínio lógico, a habilidade de cálculo mental e possibilitar a compreensão de conteúdos matemáticos de uma maneira lúdica e prazerosa.

Segundo Dionéia, os jogos utilizados são simples: desde o de botão, para trabalhar números inteiros, ao de baralho. “Também utilizo jogos de varetas, jogos de computador, de tabuleiro. Todos adaptados ao conteúdo trabalhado”, afirma.
A coordenadora conta ainda que os alunos também são incentivados a criarem seus próprios jogos, onde têm total autonomia na invenção de regras. “Precisamos formar estudantes autônomos e criativos, competentes para estudar e pesquisar por si mesmos, visando também às exigências da sociedade e do mercado de trabalho. A Matemática, aprendida de maneira adequada, é útil nas profissões e na formação de cidadãos”, conclui.

Contato imaculada@maristas.org.br

Novos games brasileiros

Foram anunciados os dez projetos vencedores do BRGames 2009, programa que tem o objetivo de fomentar o desenvolvimento da indústria de jogos eletrônicos no Brasil. Entre os 200 projetos analisados foram selecionados sete demos desenvolvidos por pessoas físicas e três por empresas. Cada projeto receberá uma verba de R$ 70 mil, para pessoa física, e de R$ 140 mil, para empresa.

Os critérios que definiram a escolha se basearam nos quesitos criatividade, originalidade, capacidade técnica da equipe, viabilidade comercial e potencial de comercialização internacional. Os dez jogos selecionados serão apresentados na edição 2010 da Game Connection, evento realizado paralelamente a Games Developers Conference, em São Francisco, nos EUA.

O BrGames quer identificar novos talentos e, com apoio financeiro, estimular a produção de dez demos jogáveis, contribuindo para o fortalecimento da indústria nacional não apenas no mercado brasileiro, mas também no exterior. Além do aporte de capital, os vencedores participarão de uma oficina sobre desenvolvimento de projetos de jogos eletrônicos, formatação, produção e mercado internacional.

Confira os jogos selecionados:

– Chameleon, de Philip Mangione
– Dragon vs Heroes, de Tiago Monteiro Fernandes
– Esther Art Galery, da Interama
– Freestyle, de Leonardo Henrique Muniz Arantes
– Lumaki, de Guilherme Bischoff Lopes Fonseca
– Luna Saulo, de Saulo Camarotti Rayol Braga
– Night Life, da Overplay
– O Mutualismo, de Paulo Estevão Biagioni
– Robô Sucata 44, da Bico Largo
– Vovó a Solta, de Raphael Fernandes Marques

Você também pode participar do Parlamento Jovem

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Estudantes do 3º ano do Ensino Médio de todo o Brasil, entre 16 e 22 anos, podem se candidatar a uma vaga para o Parlamento Jovem Brasileiro. As inscrições vão até o dia 20 de setembro. Para participar, o candidato precisa escrever um projeto de lei e apresentá-lo em sua escola. De cada estado, serão escolhidos os melhores projetos de lei e os jovens autores das propostas passarão cinco dias em Brasília, de 9 a 13 de novembro. Eles acompanharão o trabalho dos deputados no Congresso e também discutirão os projetos de lei escritos por eles.

Nessa VI edição do Parlamento Jovem Brasileiro, os projetos de lei devem ser sobre os seguintes temas: Agricultura e Meio Ambiente; Saúde e Segurança Pública; Economia, Emprego e Defesa do Consumidor; Educação, Cultura, Esporte e Turismo.

Confira as regras para participar

Ao todo há 78 vagas para os jovens parlamentares. Em cada estado o número de deputados jovens eleitos será proporcional ao número de deputados da bancada do estado correspondente. Acesse aqui a ficha de inscrição no Parlamento Jovem  ou peça na diretoria da sua escola. Para concretizar a inscrição, é preciso anexar junto à ficha o projeto de lei e entregar tudo junto à diretoria da escola para que seja encaminhado ao coordenador do programa em cada estado. Haverá uma pré-seleção dos projetos nos estados. A divulgação final dos resultados será no dia 26 de outubro.

O depoimento de quem faz

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“A ideia de produzir a animação foi motivada pela participação dos estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio Cícero Dias na Mostra Geração do ano passado. Quando soube que as inscrições estavam abertas para a Mostra deste ano, convidei uma turma do 1º ano e sugeri que os estudantes pensassem em algum tema interessante que pudesse ser transformado num roteiro e, posteriormente, em um produto audiovisual.

Falar sobre as condições ambientais do planeta foi a opção dos alunos, que têm entre 14 e 15 anos. Inicialmente, eles pensaram em produzir um documentário mais formal, mas, pensando no público-alvo do evento, composto de crianças em sua grande maioria, a equipe decidiu dar um tom mais leve. Dividimos a turma em grupos e distribuímos as tarefas de roteiro, criação de personagens, cenário, trilha sonora e edição.

Ao instigar a participação dos estudantes, tivemos o objetivo de fazer com que alunos e professores percebessem as possibilidades do audiovisual. Pode ser que deste grupo não saia nenhum cineasta e essa não é a intenção do Núcleo de Midiaeducaçãoídia Educação da escola. Mas queremos viabilizar as condições necessárias para que trabalhos na área audiovisual sejam produzidos com mais freqüência e em qualquer disciplina. Já produzimos muitos trabalhos aqui que tiveram uma repercussão considerável, por exemplo o vídeo Carbono 14, selecionado para a Mostra Geração do ano passado”.

Valéria fagundes
Coordenadora do Espaço de Midiaeducação da Escola de Referência em Ensino Médio Cícero Dias, em Recife

Mostra Geração: 52 trabalhos selecionados

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Saiu a relação das produções selecionadas para o Programa Vídeo Fórum, da Mostra Geração, segmento infanto-juvenil do Festival do Rio, que tem o objetivo de divulgar os trabalhos desenvolvidos por crianças e jovens até 18 anos.  Das 145 inscrições – do Brasil e do exterior – 52 foram aceitas. Há produções do Brasil, Argentina, Canadá, EUA, Itália e Espanha. Criatividade foi o principal critério de seleção. O Festival do Rio acontecerá entre os dias 24 de setembro e 8 de outubro.

Huguinho e o aquecimento global é um dos trabalhos que participarão da programação. Produzido por alunos e professores da Escola de Referência em Ensino Médio Cícero Dias, em Recife, a produção fala sobre o problema das condições ambientais do planeta

Leia o depoimento de Valéria Fagundes,
coordenadora do Espaço Mídiaeducação da Escola Cícero Dias

Confira a relação dos trabalhos selecionados

– A cartomante Núcleo de Artes Prof. João Fernandes Filho (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Afeto Instituto Cultural Pólen (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– A Friendly Game Ben Kadie – Independente (Bellevue – WA, Estados Unidos)
– A guerra das mídias PET Pres. Arthur da Costa e Silva (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– A incrível história de um alienista Núcleo de Arte Grécia (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Alberi Istituto Comprensivo Statale (Ponte San Nicolò, Itália)
– Amigas Esc. Mun. Monteiro Lobato (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Amizade na escola CECIP (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Bonjour, Allons-y! Esc. Mun. Pará (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Controvérsia Associación Taller de Cine El Mate (Buenos Aires, Argentina)
– Cores humanas CAP-UFPE (Recife – PE, Brasil)
– Dança, Machado Núcleo de Artes Silveira Sampaio / Anima Escola (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Emo Day Esc. Polit. de Saúde Joaquim Venâncio (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Encontro em Marte Instituto Marlin Azul (Vitória – ES, Brasil)
– Encontronline Núcleo de Cinema de Animação de Campinas (Campinas – SP, Brasil)
– Fofo no céu Esc. Mun. Roberto Burle Marx (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Gourmandizing Levi Friedman – Independente (Seattle – WA, Estados Unidos)
– Histórias de uma boneca de pano Laura Bezerra Lima – Independente (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Huguinho e o aquecimento global Escola Referência Ensino Médio Cícero Dias (Recife – PE, Brasil)
– I am myself Out In School (Vancouver, Canadá)
– Juventude e participação Colégio Pedro II – Unidade Escolar Realengo (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Machado de Assis Núcleo de Arte Copacabana (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Mata sete Esc. Livre de Cinema de Nova Iguaçu (Nova Iguaçu – RJ, Brasil)
– Meninas que valem ouro Campus Avançado (Niterói – RJ, Brasil)
– Música, maestro Istituto Comprensivo Statale (Ponte San Nicolò, Itália)
– Não mate a matemática Esc. Est. Padre João Tomes (Três Lagoas – MS, Brasil)
– No pé da orelha BE-A-BÁ Cinema Nacional/Inffinito Núcleo de Arte Cultura (Canudos – BA, Brasil)
– Novamente UFRJ (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– O desatento Núcleo de Cinema de Animação de Campinas (Campinas – SP, Brasil)
– O espelho Cinema na Escola/Instituto Federal de Educação (Juiz de Fora – MG, Brasil)
– Onde o vento bate Escola Parque (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– O preconceito contra os alunos da rede pública Braseiro Cultural (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– O príncipe negro Escola Pio XII (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– O segredo do tempo Esc. Mun. Prof. Zélio Jotha (Cabo Frio – RJ, Brasil)
– Oumar A Bao A QU / Cinema en Curs (Barcelona, Espanha)
– Pense Escola Eliezer Max (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Perdendo o emprego Daniel Mata Roque – Independente (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Pesci Instituto Comprensivo Statale (Ponte San Nicolò, Itália)
– Remake se eu fosse você Col. Est. Dom Pedro II (Petrópolis – RJ, Brasil)
– Sala de espera Escola SESC de Ensino Médio (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Saracuruna news: cabelo bom ou ruim? CIEP Paulo M. Campos (Duque de Caxias – RJ, Brasil)
– Sétimo dia CIPÓ / Kabum Escola de Arte e Tecnologia (Salvador – BA, Brasil)
– Se você pudesse… CASA DA ÁRVORE / Telinha de Cinema (Palmas – TO, Brasil)
– Um ônibus chamado Rio CIEP Pres. Agostinho Neto (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Um dia após o outro Escola  Municipal Narcisa Amália (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Uma brincadeira no zoológico Escola Municipal Tristão de Athayde (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Veracidade? Associação Cultural Kinoforum (Jundiaí – SP, Brasil)
– Verde olhar Papillon Cinema e Vídeo / Curta Jovem (Hortolândia – SP, Brasil)
– Vida virtual Antônio Moreira de Azambuja Rodrigues – Independente (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Videoarte Canal Futura (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– Volátil Instituto de Educação de Nova Friburgo (Nova Friburgo – RJ, Brasil)
– Where’s mi mala? Universo Produção / CINEDUC (Tiradentes – MG, Brasil)

Transmídia: a narrativa da atualidade

“Fazer com que as audiências sintam que existe um mundo ficcional massivo a ser explorado”

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Por Marcus Tavares

Geoffrey Long, analista de mídia, estudioso de transmídia e consultor de criação, esteve recentemente no Brasil, no Descolagem, evento realizado no NAVE (Núcleo Avançado em Educação) que discute o impacto da mídia no dia a dia da sociedade do século XXI. A apresentação de Geoffrey sobre o conceito de narrativa transmídia chamou bastante a atenção do público. Foi exatamente este interesse que levou a revistapontocom a entrar em contato com o pesquisador.

Transmedia storytelling (narrativa transmídia) é o nome de uma disciplina do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA. O objetivo é capacitar criadores/contadores de histórias, nos mais diferentes formatos de mídia, a desenvolverem estratégias e conteúdos que envolvam o público de maneira única: conciliando o que as plataformas de comunicação têm de melhor, porém jamais esquecendo o poder de uma boa história.

Por e-mail, ele explicou um pouco mais sobre o tema e de como é possível incorporá-lo à educação.

Acompanhe:

revistapontocom – O que é narrativa transmídia? 
Geoffrey Long
– Transmídia significa qualquer coisa que se move de uma mídia para outra. As histórias sempre se moveram entre as mídias. Veja como as histórias da Bíblia, por exemplo, foram representadas e descritas nas pinturas, nas sepulturas, nos vitrais das janelas. Mas a narrativa transmídia é diferente de uma adaptação. Ela é uma história que é contada por meio de múltiplas mídias. Não se trata de contar a mesma história em diferentes mídias. Como Henry Jenkins destacou em seu livro Convergence Culture, “a narrativa transmídia se desdobra por meio de diferentes plataformas de mídia, onde cada texto de cada meio produz uma distintiva e valorosa contribuição para o todo”. Em outras palavras, a narrativa transmídia é uma história que usa um meio (um longa, por exemplo) para contar o primeiro capítulo, outro meio de comunicação (os quadrinhos) para contar o segundo capítulo e uma terceira mídia (um game) para o seguinte, e assim sucessivamente.
 
revistapontocom – Que novos elementos essa narrativa traz?
Geoffrey Long
– A narrativa transmídia permite que o narrador amplie largamente sua audiência – o fã de cinema deve se conectar à história por meio do teatro, o fã de quadrinhos deve desvendar a narração buscando o segundo capítulo na banca de jornal e o fã de jogo eletrônico, na loja de games. Cada capítulo deve ser relativamente independente. Desta forma, o membro da audiência que desvendou o segundo capítulo será capaz de desfrutar a narração que consta dos quadrinhos e ser guiado para o primeiro capítulo no DVD e para o terceiro, no PlayStation. Cada capítulo deve servir como uma “toca do coelho” para que a audiência descubra a história, como fez a personagem Alice ao entrar no País das Maravilhas. O truque é fazer com que as audiências sintam que existe um mundo ficcional massivo a ser explorado por meio de uma narrativa que se desdobra através de todos os capítulos, não se sentindo trapaceadas se elas se fixam apenas no filme, na animação ou nos games.

A narrativa transmídia também fornecer um grande grau de envolvimento à audiência, que agora espera ter um papel mais ativo no processo, indo ao encontro de capítulos adicionais em outras mídias, em vez de assumirem uma recepção passiva no sofá. Isto explica porque a narrativa transmídia, como a da série Lost ou de Matrix, frequentemente, tem uma grande legião de fãs que se encontra online para discutir como diferentes partes da história se conectam. Essas comunidades de conhecimento trabalham juntas para encontrar as peças da narrativa de um quebra-cabeça, o que pode ser visto no game I Love Bees, que depende de uma inteligência coletiva em vez de um conhecimento individual. Isso permite que as histórias e a história do mundo possam ser muito mais complexas.
 
A narrativa transmídia também possibilita que seus autores decidam como vão usar cada mídia na contação da história. Por exemplo, um bom narrador vai considerar o que os quadrinhos oferecem a mais sobre o filme, o que o filme oferece a mais sobre a televisão, o que a televisão oferece a mais sobre os quadrinhos. Cada mídia tem forças e fraquezas. O autor da narrativa transmídia deve ser hábil para deliberar a melhor forma de usar as forças de cada meio para contar as diferentes partes da história.

Uma história com baixo orçamento deve começar pelos quadrinhos. A partir do momento em que a audiência é construída, ela deve se mover para uma mídia mais cara, como a televisão e os filmes. De outro modo, uma história com um bom orçamento de produção deve estrelar com um longa para capturar uma grande audiência desde o começo. A partir daí, ela pode fazer uso de uma outra mídia, de menor custo, como os quadrinhos, para manter a audiência e estabelecer uma relação com os fãs do longa.

revistapontocom – Qualquer pessoa pode ser autora da narrativa transmídia?
Geoffrey Long
– A narrativa transmídia está realmente sendo implementada por causa dos métodos de produção e distribuição da mídia que estão radicalmente mais baratos, rápidos e enormemente disponíveis. A combinação – relativamente acessível das ferramentas digitais, como o DV e o programa de edição Final Cut Pro, com a banda larga e sites, como o You Tube – tem promovido uma revolução na forma como os cineastas, diretores, produtores desenvolvem seus trabalhos. O mesmo pode ser dito hoje com relação à fotografia, aos quadrinhos, aos textos e aos games.

Narradores transmídia estão percebendo o potencial que existe e utilizando estes sistemas para produzir, a preços acessíveis, uma alta qualidade de conteúdo e, em seguida, orientando o público a outros capítulos, de mesmo valor de conteúdo, mas produzidos com baixo custo e alta visibilidade de marketing, como os weblogs, os podcasts e o Twitter.

Há uma quantidade notável de oportunidades para bons contadores de histórias. É por isso que estamos vendo projetos  o web episódio Sanctuary transformando-se em programas de TV, e porque grandes nomes de Hollywood, como Joss Whedon (Buffy the Vampire Slayer, Firefly) e Anthony Zuiker (CSI) estão experimentando coisas novas fora do sistema tradicional. É um grande momento para ser um contador de histórias.

revistapontocom – Como a narrativa transmídia pode ser utilizada na Educação?
Geoffrey Long –
Absolutamente. Da mesma forma que a utilização de filmes, quadrinhos e vídeo games na narrativa transmídia oferece a “toca do coelho” para que o público possa descobrir a história através de sua mídia preferida, os professores também podem usar esta mesma tática para envolver seus alunos por meio do que chamo de Educação Transmídia.

Estudar a narrativa transmídia com o The Matrix permitir que um professor prenda a atenção de um estudante que adora filmes para assistir aos três filmes da série. Outro aluno que gosta de games pode ser fisgado a jogar o Enter The Matrix no PlayStation 2. E um terceiro, que ama a animação, pode assistir ao curta The Animatrix em DVD. Em seguida, o professor pode juntar todos esses alunos, numa espécie de comunidade de conhecimento, para construir coletivamente a grande história, que teria link com todos os outros componentes.

Um professor pode usar essa tática para ensinar aos alunos como se trabalha em conjunto, em equipe, para, em seguida, provocar o desejo de os alunos se envolverem com outras mídias até então não utilizadas. Mas um bom professor mesmo pode aproveitar toda esta técnica não apenas para aproximar os alunos de um mundo ficcional criado por meio das diferentes mídias, mas também para aproximar os estudantes do processo de criação das indústrias que dão forma a estes meios de comunicação.
 
Os filmes de curta de animação, o The Animatrix por exemplo, em DVD, não são apenas oportunidades  para se aprender sobre o mundo Matrix. Eles também servem para que os estudantes aprendam como a animação é feita, como o estilo da animação oriental difere da animação ocidental. Como os estilos da arte oriental diferem dos estilos da arte ocidental. O que os modelos de negócios são para os grandes estúdios de animação versus os pequenos estúdios de animação independente, e assim por diante.

A narrativa transmídia também contribui para a aprendizagem por meio dos seus fãs ou das chamadas comunidades de conhecimento, que frequentemente se encontram ao seu redor. Essas comunidades oferecem o que Jim Gee chama de “espaços de afinidade”, onde os alunos podem aprender muito sobre a escrita através de (re) imaginar a continuação das histórias dos personagens (como Harry Potter ou Edward e Bella em Twilight), num espaço mais igualitário de aprendizado do que hierárquico, de cima para baixo, a estrutura típica que encontramos na sala de aula.

Uma história transmídia pode oferecer aos estudantes em sala de aula a oportunidade de se educarem uns aos outros em diferentes tipos de mídia. Proporciona um espaço para que os alunos corram atrás de um conhecimento adicional sobre a construção das histórias fictícias, escrevam novas histórias sobre os personagens no mundo e aprendam a ver cada componente não apenas como um pedaço de uma história, mas como um objeto criado no âmbito de um ecossistema cultural e financeiro. Em outras palavras, uma história transmídia pode ser usada para promover o aprendizado entre os próprios alunos, para realizar pesquisas, para escrever os seus resultados e criar novas histórias, para compartilhar seu trabalho com os outros e pensar diferentemente sobre o problema que está sendo estudado. Quando se pensa desta forma, é fácil observar como o estudo da transmídia pode dar aos alunos uma grande experimentação do que é viver na academia.